Huffpost Brazil

Avião desaparecido da Malásia: informações sobre radares desligados e fanatismo político do piloto alimentam novas teorias

Publicado: Atualizado:
Print Article
MSCARA MALSIA
Mulher anônima pintou seu rosto em protesto contra o desaparecimendo do avião da Malásia posa em frente ao “mural da fé” no Aeroporto Internacional de Kuala Lumpur | Joshua Paul/AP

À medida que novas informações vão surgindo sobre o avião desaparecido na Malásia, novas teorias sobre o paradeiro da aeronave vão surgindo e ideias que antes pareciam improváveis agora fazem sentido.

Leia também: Investigação vasculha passado de piloto do avião desaparecido

No momento, a teoria de sequestro é a mais popular. As suspeitas de sequestro ou sabotagem aumentaram depois que foi confirmada que a última mensagem de rádio da cabine do piloto --um informal "tudo bem, boa noite"-- foi dita depois que alguém havia começado a desativar um dos sistemas de monitoramento automático do avião. Mas a polícia e uma equipe internacional de investigação podem nunca saber ao certo o que aconteceu na cabine de comando, a menos que o avião seja encontrado.

A provável localização do avião também está sempre mudando – e abrangendo novos continentes. A Austrália assumiu nesta segunda-feira o rastreamento do sul do oceano Índico em busca de um avião desaparecido, e a Malásia solicitou dados de radar de países que vão até a Ásia Central, em meio a crescentes evidências de que o desaparecimento do avião foi meticulosamente planejado.

Nenhum traço do voo MH370 da Malaysia Airlines foi encontrado após o desaparecimento em 8 de março, com 239 pessoas a bordo. Os investigadores estão cada vez mais convencidos de que a aeronave foi desviada, talvez milhares de quilômetros fora de seu curso, por alguém com profundo conhecimento do Boeing 777 e de navegação comercial.

Leia também: Avião desaparecido sumiu deliberadamente da rota

Os dados de satélite sugerem que o avião poderia estar em qualquer lugar dos dois grandes corredores que cobrem grande parte da Ásia: um deles percorrendo em direção ao norte, a partir do norte da Tailândia até o Cazaquistão, e o outro ao sul da Indonésia até o oceano Índico a oeste da Austrália.

O repórter Jeff Wise, da revista online Slate, escreveu um artigo neste domingo, 16, apostando que o avião desaparecido está em alguma área entre o oeste da China e alguma adjacência turca. Ele faz a suposição com base nas declarações do primeiro-ministro da Malásia - o principal político do país, que foi destacado a se pronunciar sobre a questão porque desonfia-se de que a Malásia esteja envolvida no caso de alguma forma. O último contato com a aeronave com os radares da Malásia foi no ponto preto do mapa abaixo, e portanto o avião estaria ao norte ou ao sul, nas linhas vermelhas (Wise aposta que é ao norte).

Radares

O desaparecimento do avião tem confundido pesquisadores e especialistas em aviação. A aeronave desapareceu das telas de controle de tráfego aéreo civis na costa leste da Malásia menos de uma hora depois de decolar de Kuala Lumpur com destino a Pequim.

As autoridades malaias acreditam que, quando o avião atravessou a costa nordeste e voou através do Golfo da Tailândia, alguém a bordo desligou seus sistemas de comunicação e mudou a direção da aeronave bruscamente para o oeste.
No domingo, uma matéria da Reuters sugeriu que boa parte do espaço aéreo da região sobre a água – e muitas vezes sobre a terra – tem carência de cobertura e monitoração de radares sofisticados e apropriados.

“Muitos países ficariam constrangidos com a facilidade que é invadir seu espaço aéreo”, disse Michael Harwood, um piloto aposentado das Forças Aéreas Britânicas Reais à Reuters. “Muitos filmes e relatos de drones no Afeganistão influenciam as pessoas a pensar que nós sabemos e vemos tudo. Você vê o que você é pago para ver. E a maior parte do mundo não paga”, afirmou. Uma fonte da defesa da Índia disse também à Reuters que seu país não mantém os radares ligados o tempo inteiro por causa do custo. “Muito caro”, teria dito ele.

Piloto “fanático”

A polícia da Malásia está vasculhando as origens dos pilotos, pessoal de terra e de voo para quaisquer pistas sobre um possível motivo para o que eles consideram agora uma investigação criminal. A imprensa local e a britânica citaram uma fonte que descreveu o piloto-chefe Zaharie Ahmad Shah como um “apoiador fanático do líder de oposição do país”, Anwar Ibrahim.

Em um artigo publicado no domingo (17), o editor de política e assuntos internacionais da Slate, William J. Dobson, disse que “Anwar está tentando derrotar o regime autoritário da Malásia através de eleições, não terrorismo” e, portanto, “o piloto do MH370 é um apoiador fanático de um homem não-violento que apoia uma Malásia plural e democrática”.

“Mas, se estamos nos envolvendo com teorias malucas – e, por que não, isso é a política da Malásia – então por que fontes da polícia estão lançando informações sobre a visão política do piloto uma semana depois de não chegarmos nem perto de saber a verdade sobre o avião desaparecido? Porque a postura das autoridades da Malásia durante essa investigação representa muito bem o que acontece no governo de um regime corrupto e autoritário que há muito tempo tem como único objetivo o acúmulo de riqueza e poder”, escreve Dobson.