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Crise na Petrobras: economista Maurício Canêdo aponta prejuízos econômicos

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PETROBRAS
Petrolífera brasileira pode ter mais perdas do que apenas econômicas | Ricardo Moraes / Reuters

A crise que se formou em torno da Petrobras nos últimos dias pode respingar no bolso de todos os brasileiros. A opinião é de Maurício Canêdo, economista da área de Economia Aplicada do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV/IBRE).

“O sucesso do setor de petróleo e gás no Brasil ainda depende muito da Petrobras, então, se a maneira como a empresa conduz seus negócios for posta em cheque e isso gerar dúvida nos investidores, é claro que os prejuízos vão resvalar também na economia do País”, disse Canêdo, em matéria publicada no site da FGV.

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Conforme revelou o jornal O Estado de S. Paulo na última quarta-feira (19), a presidente Dilma Rousseff apoiou em 2006, quando era ministra da Casa Civil e comandava o Conselho de Administração da Petrobras, a compra de 50% de uma polêmica refinaria em Pasadena, nos EUA. O valor total do negócio ultrapassou US$ 1 bilhão, apesar de, poucos anos antes, a mesma refinaria ter sido comprada por uma empresa belga por US$ 42,5 milhões.

Ao tentar justificar sua decisão em nota oficial enviada ao jornal, a presidente disse que se baseou num parecer "falho" e "incompleto". Ressaltou ainda que, se soubesse das cláusulas que obrigariam a estatal a comprar os 100% da refinaria anos depois, nunca teria apoiado o negócio. Já a oposição partiu para o ataque e cobrou explicações de Dilma sobre o assunto. Dias antes da matéria do jornal ser publicada, uma comissão externa foi aprovada na Câmara Federal para apurar um suposto esquema de corrupção de funcionários da empresa na Holanda.

Na opinião do economista, o montante envolvido na transação e as várias suspeitas sobre a compra da refinaria não são desprezíveis também para o mercado financeiro. “O valor da transação não é desprezível, mesmo provindo de uma empresa grande como a Petrobras, um bilhão é um valor muito alto. A partir desse montante a gente pode ter uma ideia de quantos milhões foram perdidos nessa compra”.

A atual crise é só mais um dos vários problemas da Petrobras, que vê o seu nome desgastado há meses. Canêdo afirma que o prejuízo “pode ser até maior do que a perda monetária nessa transação”. Além disso, o quadro perante os investidores também pode aumentar as perdas financeiras da empresa, que em várias ocasiões se viu envolvida em intervenções políticas, em detrimento às técnicas, em tomadas de decisões estratégicas. Uma delas é o “congelamento” do preço dos combustíveis no Brasil, vigente há um bom tempo, e que representa um grande fardo aos cofres da Petrobras.

“Os problemas de governança que a Petrobras enfrenta de tempos em tempos, as decisões tomadas que, às vezes, são no mínimo discutíveis e a questão da diferença de preço entre a compra lá fora e a venda aqui dentro de diesel e gasolina feita pela empresa são de fato o maior prejuízo enfrentado pela Petrobras. Isso porque, quando a capacidade de gerar dinheiro começa a ser questionada, pautada em polêmicas como essa, nós estamos falando em perder centenas de milhões em investimentos e em diminuir o valor que a empresa tem no mercado internacional”, concluiu o economista.

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