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O que a Nova Zelândia pode ensinar ao resto do mundo sobre viver bem

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NOVA ZELANDIA
Esse pequeno país também pode nos ensinar muito sobre saúde, bem-estar físico, mental e espiritual e um estilo de vida mais feliz. | Thinkstock

A viagem feita pelo príncipe William com a duquesa Catherine e o pequeno George à Nova Zelândia incluiu aula de rúgbi, encontro com jovens jogadores de críquete e uma regata – o bastante para fazer qualquer pessoa sonhar com uma viagem à Terra da Longa Nuvem Branca.

Mas a Nova Zelândia não tem apenas esportes e competições. Esse pequeno país também pode nos ensinar muito sobre saúde, bem-estar físico, mental e espiritual e um estilo de vida mais feliz. Desde o espírito aventureiro de seus habitantes até o orgulho que eles sentem pela segurança, são muitas as razões pelas quais esta nação já conquistou prêmios de melhor destino para natureza e aventura. A Nova Zelândia já chegou a ganhar um prêmio de “país favorito do mundo”.

Os “kiwis” possuem senso de aventura.

nova zelandia

O tédio é algo que não existe na Nova Zelândia. Quando não estão escalando montanhas ou arriscando-se em Queenstown, “capital mundial da aventura”, muitos kiwis, como são conhecidos os neozelandeses, estão procurando emoções nas águas que cercam as ilhas do país. A ponte Kawarau, na Ilha do Sul, é onde foi criado o primeiro bungee jump comercial do mundo, fundado por Henry van Asch e AJ Hackett. Em 1987, Hackett fez um salto de bungee da Torre Eiffel para promover o esporte recém-comercializado, retornando depois à Nova Zelândia para conduzir outros aventureiros em seus saltos.

Muitos neozelandeses foram aventureiros famosos. Entre eles estão Sir Edmund Hillary, a primeira pessoa a escalar o topo de Monte Everest, Jean Batten, famosa pelos impressionantes voos solo que fez na década de 1930, e Sir Peter Blake, iatista campeão que conduziu sua equipe a duas vitórias seguidas na America Cup.

O país atrai aventureiros amadores de todos os tipos, incluindo alpinistas, surfistas, caminhantes, ciclistas e paraquedistas. Depois do setor dos laticínios, o turismo é a maior fonte de renda da Nova Zelândia. O país ganhou quase US$10 bilhões com turismo internacional no ano passado, e o turismo é responsável por quase 6% dos empregos totais na Nova Zelândia.

E, embora proezas que envolvem muita adrenalina e levam seus praticantes a desafiar o medo com certeza possam elevar os riscos de lesões, existe pelo menos um benefício mental, segundo estudo publicado no Journal of Health Psychology. Pesquisadores que entrevistaram aficionados dos esportes constataram que superar o pavor físico leva a sensações de realização e bem-estar maior.

Eles são progressistas.

A Nova Zelândia é considerada hoje o país mais socialmente progressista do mundo, segundo relatório do instituto de estudos Social Progress Imperative, de Washington. Ela também ficou em primeiro lugar no quesito das oportunidades totais, que é baseado nos direitos pessoais, liberdade, inclusão e acesso ao ensino superior.

A atitude progressista do país data de décadas atrás. Em 1893 o governador lorde Glasgow firmou a Lei Eleitoral, que fez da Nova Zelândia o primeiro país do mundo a dar o direito de voto a todas as mulheres. As americanas só conquistaram o direito de voto décadas mais tarde, em 1920. Em 1984, 13% dos deputados neozelandeses eram mulheres; hoje, são 32%. E a Nova Zelândia foi o primeiro país a ter os três cargos nacionais de maior poder ocupados por mulheres ao mesmo tempo.

Isso exerce um impacto real sobre a qualidade de vida. A igualdade social contribui para o “bem-estar subjetivo” de um país – uma medida importante da saúde coletiva.

Eles honram as tradições nativas.

maori

Embora historicamente os maoris – o povo polinésio nativo da Nova Zelândia — tenham sofrido discriminação e desrespeito institucional de seu direito de voto, a cultura kiwi atual mostra que o público está trabalhando arduamente para superar essa história sombria. Hoje a Nova Zelândia incorpora tradições indígenas em muitos de seus mais importantes eventos nacionais.

A saudação maori tradicional, o “hongi” – que significa, literalmente, “compartilhar a respiração” e é feito com duas pessoas encostando seus narizes – ocupa um lugar importante na cultura e ainda é usada para saudar visitantes especiais (como o príncipe William e a duquesa Catherine quando desembarcaram em Wellington), como sinal de respeito e boas-vindas. E a seleção nacional de rúgbi apresenta o Haka, uma dança tradicional maori de vitória, antes de cada partida. São sinais, mesmo que pequenos, de progresso e integração.

De acordo com o psicólogo da universidade Southeastern Louisiana Matt J. Rossano, que publicou um estudo na Psychological Bulletin sobre como os rituais revelam nossos valores, abraçar a tradição por meio desses rituais é importantíssimo para nossa natureza social. Eles são importantes para a conservação de nossas culturas altamente sociais e para nos unir através de um senso de pertencimento e proteção. “Usamos os rituais para construir grupos sociais cada vez mais cooperativos e complexos”, Rossano disse à Psychology Today.

A Nova Zelândia é um país seguro.

Na Nova Zelândia, muitas pessoas deixam seus carros sem trancar. Há pessoas pedindo carona em todo o país, e o clima de simpatia e abertura aos turistas que domina por lá deixa entrever a segurança reinante. A Nova Zelândia foi considerada oficialmente o terceiro país mais seguro do mundo no ano passado, no Índice Global de Paz. E empatou com a Dinamarca no primeiro lugar como o país que tem menos corrupção política no mundo.

Os kiwis valorizam a leitura.

A educação significa muito na Nova Zelândia. Esse país pequeno tem um dos índices de alfabetismo mais altos do mundo: 99%. Nos Estados Unidos, a porcentagem de alfabetizados é 97%.

Embora seja pequeno, o setor editorial neozelandês é forte, segundo a Publishing Perspectives. Na realidade, considerado per capita, é comparável aos dos EUA e Reino Unido, e grandes editoras como a Penguin/Pearson e a Random House estão presentes no país. Embora muitos dos livros lidos no país sejam importados, os neozelandeses têm empresas de sucesso no setor dos livros pedagógicos. É o caso da Learning Media NZ, que teve receita de US$26 milhões no ano passado.

Ao lado das muitas vantagens intelectuais da leitura, essa prática encerra vários benefícios para a saúde, podendo ajudar quem lê a dormir melhor, estressar-se menos e manter a concentração.

Eles apreciam a vida ao ar livre.

nova zelândia

Há toda uma variedade de atividades geotérmicas na Nova Zelândia, e tanto kiwis quanto visitantes aproveitam plenamente os spas naturais do país. Muitos dos rios e cachoeiras com água naturalmente quente em que os maoris se banhavam e cozinhavam no passado são abertos ao público.

A Nova Zelândia se esforça para combater as mudanças climáticas, num trabalho de preservação da natureza, incluindo suas 3.100 geleiras. Além das mudanças climáticas, quem chega ao país e viaja às suas ilhas segue precauções para proteger as espécies nativas, entre as quais há aves em perigo de extinção e as tuataras, répteis que datam do tempo dos dinossauros. E, com a riqueza de cachoeiras, estreitos, geleiras, montanhas e mais de 15 mil quilômetros de praias desse país, nunca se está longe de uma maravilha natural na Nova Zelândia.

E o tempo passado na natureza pode nos fazer um bem enorme. Um estudo britânico de 2010 constatou que apenas cinco minutos passados na natureza já podem beneficiar a saúde mental. Viver perto de um espaço verde melhora o humor das pessoas e até as torna mais simpáticas. Mais uma razão para fazer uma caminhada!