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A Microsoft espera que você se confunda e pense que o Surface é um Macbook

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MICROSOFT SURFACE PRO 3
Foto: AP/Mark Lennihan | ASSOCIATED PRESS

Boa parte da atenção em torno do Surface, a família de tablets da Microsoft, está voltada a comparações entre ela e o iPad.

Spoiler: o Surface não tem se saído bem na comparação... nem um pouco.

Na terça-feira a Microsoft deixou claro que mudou de tática. Agora a gigante do software está partindo para cima do Macbook. Não será fácil.

Panos Panay, o vice-presidente da Microsoft responsável pelos tablets Surface, explicou para uma sala cheia de repórteres de tecnologia – todos digitando sobre seus Macbook Airs – que o novo Surface Pro 3 é um tablet que também pode funcionar como laptop. Afinal, o slogan promocional do aparelho é “o tablet que pode substituir seu laptop”.

“Os tablets são feitos para você relaxar no sofá e assistir a filmes. São feitos para a leitura de livros. São feitos para você navegar na rede”, Panay. “Os laptops não são projetados para isso, são projetados para ajudar você a trabalhar.” O novo Surface Pro 3, ele disse, “é tudo isso num só pacote.”

O modelo básico de Surface Pro 3 tem uma tela maior, é mais fino e pesa menos que seu predecessor. Seu preço inicial é US$799 e não inclui o teclado, disponível por US$129. O modelo melhor de todos sai por nada menos que US$1.949, sem acessórios.

O MacBook Air de 13 polegadas tem preço inicial de US$999. O computador é visto amplamente como o melhor laptop que existe.

Panay destacou a diferença de peso entre um MacBook Air de 13 polegadas (1,34 quilos) e um Surface Pro 3 sem o teclado (0,8 quilos), colocando cada um de um lado de uma balança.

O Surface Pro 3 tem tela de 12 polegadas, e, com o teclado adicional pesa 1,09 quilo. Ainda é mais leve que um MacBook Air de 13 polegadas, mas mais pesado que o MacBook Air de 11 polegadas.

A Microsoft não se saiu bem na guerra dos tablets. A empresa demorou a lançar seu primeiro tablet, que tinha preço inicial relativamente alto e não era vendido em muitas lojas. Apesar de uma renovação no ano passado, a empresa ainda está tendo dificuldade em marcar presença numa categoria que tem sido em grande medida dominada pela Apple e a Samsung. Um analista citado pelo Wall Street Journal estimou que a Microsoft já sofreu prejuízo operacional de até US$ 2 bilhões com o Surface.

As vendas de tablets Surface foram responsáveis por apenas 1,3% de todos os tablets vendidos mundialmente nos três primeiros meses deste ano, segundo dados da IDC. Juntas, a Apple e a Samsung foram responsáveis por 54% dos tablets vendidos nesse período.

As vendas de tablets estão começando a perder ímpeto. Mesmo a Apple, a empresa que inventou a categoria, vem sentindo a dificuldade, tendo divulgado vendas de iPads que não chegaram a ser estelares no trimestre passado.

No marketing que fez do Surface no passado, a Microsoft apostou no argumento da produtividade, destacando o fato de seu tablet também funcionar como laptop. Mas agora que o tamanho da tela aumentou (12 polegadas em vez de 10,7) e que o aparelho está mais leve e vem com um suporte muito melhorado que facilita a digitação nele, a empresa pode ter uma chance melhor com esse argumento.

“Foi um anúncio de PC, não um anúncio de tablet”, opinou Ryan Reigh, analista da firma de pesquisas de mercado IDC, que cobre tablets. “Em última análise, este aparelho pode ser usado como tablet, mas é em primeiro lugar um PC.”
Ele observou que o preço inicial do Surface Pro 3 o situa no topo do escalão dos tablets, em termos de custo.

“Se você comparar isto com um tablet, dirá que é o tablet mais caro que existe”, ele disse. “Se o comparar com outros ultrabooks e com o Macbook Air, o Surface vai sair ganhando em muitas categorias, incluindo o preço.”

A Microsoft passou boa parte do evento da terça-feira louvando as vantagens do Surface Pro 3 para pessoas que Panay descreveu como “profissionais móveis” – médicos, arquitetos, roteiristas e outros que atuam em campos criativos.
Peter King, diretor de pesquisas com tablets na Strategy Analytics, disse que, embora o crescimento dos tablets esteja diminuindo, ainda existem oportunidades de vender para grandes corporações e profissionais.

“Ao introduzir possivelmente um Surface de tela maior e que é plenamente integrado com o Windows 8.1, com Office, a empresa se abre para aqueles sujeitos que usam informática tradicional e que ainda praticamente controlam os impérios de Windows em suas organizações”, King especulou antes do anúncio.

King disse ainda que o crescimento nesta categoria é adiado porque, diferentemente dos consumidores que podem entrar numa loja e comprar um tablet ou PC, as organizações podem levar até um ano e meio testando aparelhos e escrevendo software antes de fazer uma compra de grande escala.

“O mercado de tablets não está desabando”, disse King. “Não é um mercado maduro, não está saturado, nem de longe. Ainda vamos ter que explorar muito para descobrir qual é o melhor lugar a ser ocupado por um tablet dentro de organizações e até mesmo no lar.”