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'Uma menina é mais responsável por um estupro do que o rapaz', diz condenado por estupro coletivo de jovem indiana em 2012

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ESTUPROINDIA
Ao centro, Mukesh Singh, acusado pelo estupro coletivo, que gerou protestos na Índia | AP Photo
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A rede britânica BBC vai exibir no próximo domingo (8), Dia Internacional da Mulher, uma entrevista exclusiva com um dos homens condenados pelo estupro coletivo de jovem indiana Jyoti.

Jyoti, que tinha 23 anos, foi estuprada dentro de um ônibus no dia 16 de dezembro de 2012, quando retornava do cinema com um amigo. Cinco homens e um menor de idade cometeram o crime. Ela morreu 13 dias após o ataque, e seu caso gerou uma onda de protestos sem precedentes em todo o país.

Mukesh Singh dirigia o ônibus onde o crime aconteceu. Ele nega participação no crime, mas foi condenado à morte por enforcamento junto com mais quatro homens. Seu irmão também foi acusado pelo crime e encontrado morto dentro da cela em março de 2013.

Ele falou com a cineasta Leslee Udwin, e seu depoimento faz parte do documentário India’s Daughter (A Filha da Índia, em tradução livre), que conta a história do crime e será exibido pela BBC.

Separamos algumas partes do – terrível – depoimento de Mukesh e de dois advogados envolvidos em sua defesa.

“Uma menina decente não vai andar por aí à noite. Uma menina é mais responsável por um estupro do que um rapaz... Meninas e meninos não são iguais. O trabalho doméstico é para as mulheres, não ficar em boates e bares a noite fazendo coisas erradas. Cerca de 20% das meninas são boas” (...) Ela deveria ter ficado quieta e permitido o estupro. Então, eles [os estupradores] a deixariam de lado e teriam batido apenas no rapaz.”

Ele se refere ao amigo que acompanhava a jovem. Após o crime, os dois foram jogados do ônibus em movimento. Para Mukesh, o estupro serviu para ensinar à jovem e ao rapaz que eles não deveriam andar sozinhos de noite.

Ele segue, então, narrando cenas do crime, que ele descreve como “um acidente”.

“Durante os 15 ou 20 minutos do incidente, eu estava dirigindo o ônibus. A garota gritava, ‘me ajude, me ajude’. O ‘jovem’ [termo usado para se referir ao menor de idade que participou do crime] colocou suas mãos nela e puxou algo. Eram seus intestinos. Nós então a arrastamos para a frente do ônibus e a jogamos para fora.”

Além do motorista, dois advogados envolvidos na defesa dos acusados pelo estupro também são entrevistados pela BBC.

Um deles, AP Singh, é categórico ao afirmar que queimaria sua filha em frente à família inteira caso descobrisse seu envolvimento em “atividades pré-matrimônio”.

O outro, ML Sharma, comenta: “No momento em que ela [a vítima] saiu de casa com um rapaz... Ela deixou sua moralidade em casa”.

Você está falando sobre mulheres e homens como amigos. Desculpe-me, mas isso não tem lugar em nossa sociedade. Nós temos a melhor cultura. Em nossa cultura não há lugar para as mulheres.

Na próxima segunda-feira (9), as atrizes Freida Pinto e Meryl Streep estarão em uma exibição do documentário em Nova York, lançando uma campanha contra a desigualdade de gênero e a violência sexual contra mulheres e meninas. O filme também será exibido em Estocolmo, na Suécia, no dia 15 de março.

A campanha, apoiada por organizações internacionais, vai focar inicialmente em atingir 20 milhões de crianças em idade escolar e comunidades rurais na Índia. Calcula-se que um estupro aconteça a cada 20 minutos no país com 1,2 bilhão de habitantes.

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