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Morte de Eduardo Jesus Ferreira: Operação da PM no Complexo do Alemão mata menino de 10 anos na porta de casa

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MORTE
Morte de menino provocou protestos no Alemão | Montagem/Twitter
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O Rio de Janeiro está em luto. A ocupação do Complexo do Alemão pelas tropas de elite da Polícia Militar e os tiroteios sucessivos entre PMs e traficantes vêm assombrando a comunidade nos últimos três meses. Quatro pessoas morreram em 24 horas, e a vítima mais recente foi o menino Eduardo.

A PM é acusada pelos moradores do Alemão de ter matado a criança de dez anos, que brincava na frente de casa nesta quinta-feira (2). Um vídeo postado pelo Coletivo Mariachi mostra o garoto baleado, familiares e vizinhos gritando e policiais militares no local, mas em silêncio.

Covarde. Desgraçado. Maldito.

As palavras são dirigidas por uma mulher em desespero a um integrante do Batalhão do Choque.

Ao G1, a mãe de Eduardo Jesus Ferreira ratificou que o filho foi assassinado por um PM desse batalhão. "Eu marquei a cara dele; nunca vou esquecer o rosto do PM que acabou com a minha vida", disse Terezinha Maria de Jesus, acrescentando que também foi ameaçada por esse policial.

A vizinhança foi às ruas protestar contra a violência da tropa:

Coletivos formados por moradores do Alemão e de outras comunidades no Rio de Janeiro denunciam a #GuerraNoAlemão e cobram o envolvimento do maior número de pessoas para que um assassinato como o de Eduardo não caia no esquecimento nem fique impune.

O coro é de todos: celebridades, jornalistas, cidadãos que pagam seus impostos. Todos exigem resposta das autoridades do Rio de Janeiro e o compromisso de que um episódio como esse não vai se repetir.

Resposta do Governo do Rio

O governador Luiz Fernando Pezão afirmou, em nota, que não vai "recuar diante da covardia de criminosos". Ele sublinhou que as forças de segurança precisam enfrentar a criminalidade e o tráfico no conjunto de favelas do Alemão.

"Determinei empenho máximo à polícia nas investigações para que os culpados sejam punidos", informou, em referência às quatro mortes recentes no local.

No fim de março, Pezão visitou o Alemão e foi alvo de críticas após uma mulher ter morrido em tiroteio. Ele adotou discurso semelhante ao do episódio envolvendo o menino Eduardo, conforme registrou o jornal Extra:

"Eu compreendo a dor dessas pessoas. Já perdi um parente da minha mulher para a violência. Mas também temos que lembrar que o tráfico se aproveita disso para falar contra o governo."

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