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Perseguições e violência: Conflito entre taxistas e Uber aumenta em BH e pode avançar para outros Estados (VÍDEOS)

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Conflitos entre taxistas e Uber estão subindo no Brasil | Montagem/YouTube e Estadão Conteúdo
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Belo Horizonte (MG) está vivendo uma escalada nos conflitos entre taxistas e motoristas do Uber, aplicativo que fornece o serviço de transporte em carros de luxo. Nos últimos dias, foram registrados casos de perseguições e hostilizações, em um crescimento que pode levar a perigosos desfechos de violência e intolerância.

“Vai ter morte”, disse Antônio Raimundo Matias dos Santos, presidente do Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores das Empresas de Táxi de São Paulo (Simtetaxis), em audiência na Câmara dos Deputados no mês passado. No Brasil, o Uber opera entre São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília. Em todas as cidades, os conflitos - em maior ou menor grau - continuam.

O agravamento da situação na capital mineira avançou para as redes sociais. No último sábado (4), um grupo de taxistas perseguiu um motorista do Uber pela avenida Bandeirantes, no bairro Mangabeiras. Toda a ação foi filmada por um dos envolvidos. Ao final do vídeo, o motorista do aplicativo acaba cercado pelos taxistas, mas não há o desfecho da confusão.

No mesmo dia, segundo o jornal O Estado de Minas, taxistas partiram para cima de um motorista do Uber que tentou atender a um chamado de estudantes na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O carro de luxo acabou sendo arranhado e teve a lataria amassada por chutes. Dois dias antes, no bairro Funcionários, taxistas e motoristas do Uber se desentenderam após um taxista passar pela área e chamar outros colegas para intimidar os ‘rivais’.

Os vereadores de BH e o Ministério Público de Minas Gerais (MP-MG) já tomaram ciência da escalada do conflito e estão procurando traçar alternativas. Se na Câmara a meta é aprovar um projeto de lei que proíba o Uber de operar na cidade, os promotores tentam intermediar o problema. Na reunião realizada nesta segunda-feira (6), um motorista do Uber foi hostilizado por taxistas e teve de ser escoltado pela Polícia Militar.

Em nota, o Uber considerou “inaceitável” o uso da violência contra os motoristas que prestam o serviço de caronas pagas e informou que “tomará providências para garantir a segurança dos motoristas parceiros e usuários”.

“Acreditamos que qualquer conflito deve ser administrado pelo debate de ideias entre todas as partes, incluindo especialmente o usuário. Mais do que isso, acreditamos que ideias são à prova de violência. Segurança é a prioridade global da Uber. É necessário lembrar que todos os motoristas parceiros da Uber passam por um processo de checagem de antecedentes criminais antes de serem cadastrados. Além disso, é importante destacar que, após cada viagem, tanto o motorista parceiro como o usuário se avaliam mutuamente. Parceiros que cometem qualquer tipo de violência são automaticamente desconectados da plataforma. É esse tipo de controle e transparência, proporcionado pela tecnologia, que faz da plataforma da Uber um meio seguro e confiável de mobilidade urbana”.

Em SP, mobilização vem favorecendo taxistas

Em São Paulo, a mobilização dos taxistas contra o Uber vem rendendo resultados para a categoria. Na semana passada, a Câmara Municipal aprovou, em primeira votação, um projeto que passa a tratar o aplicativo de caronas como ilegal na capital paulista. O texto ainda será votado em segundo turno, antes de ir para sanção do prefeito Fernando Haddad (PT).

Pelas declarações do secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto, a tendência é que a administração municipal fique ao lado dos taxistas, como vem sendo o caso até aqui, com uma política de apreensões de veículos que prestam serviço por intermédio do Uber.

A proibição ao aplicativo pode se tornar estadual. Há um projeto sobre o tema em andamento na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).

Regulamentação não tem consenso federal

A audiência realizada no mês passado na Câmara dos Deputados, em Brasília, mostrou que não há consenso sobre a proibição ou regulamentação do Uber no Brasil. Para o superintendente de Serviços de Transporte de Passageiros da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Alexandre Muñoz de Oliveira, cabe aos municípios fazer a fiscalização e eventual regulamentação do serviço. Atualmente, a agência considera o Uber ilegal.

Na mesma audiência, o pesquisador do Internet.Lab (centro de pesquisa independente sobre direito e tecnologia) Pedro de Paula defendeu o diálogo sobre o assunto, já que o Uber é algo novo não só no Brasil, mas em todo o mundo. Já para o presidente do Simtetaxis, não tem conversa: ele considera que o aplicativo concorre com os táxis e prejudica uma categoria que segue as leis brasileiras.

“A Uber está tirando nosso emprego, com transporte clandestino, zombando das nossas leis”, disse, emendando em seguida: “Se não, não teremos como conter a categoria, vai ter morte”. Em defesa do aplicativo, o diretor e representante da Uber no Brasil, Daniel Mangabeira, afirmou que “toda inovação gera resistência”. Atualmente, o aplicativo está disponível em 310 cidades de 58 países.

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