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Como Água Branca, cidade no interior do Piauí, se livrou do mosquito da dengue e do zika

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DENGUE
Agente verifica focos de mosquito em Água Branca | Divulgação/Prefeitura Água Branca
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Ele mede menos de um centímetro, é preto com manchas brancas e praticamente não faz nenhum som audível antes de picar.

O mosquito Aedes aegypti poderia passar despercebido em nossas vidas, não fosse a dor de cabeça, literalmente, que o inseto transmissor de doenças como a dengue, a febre Chikungunya e o zika vírus tem causado.

Atentas aos altos índices de contaminação do inseto, cidades brasileiras intensificaram as suas estratégias de combate a ele.

Água Branca, no Piauí, é exemplo de como a atuação de secretarias municipais de Saúde com a população consegue ser efetiva quando se trata de eliminar os focos de proliferação do mosquito.

Localizada a 150 quilômetros da capital, Teresina, o município tem 16 mil habitantes.

Durante todo o ano passado, foram registrados apenas sete casos de dengue e nenhum das outras doenças na cidade. O número é bem abaixo da média brasileira, que teve índice recorde de 1,6 milhão de casos de dengue no ano passado.

Mas qual o segredo que fez a cidade piauiense praticamente eliminar o Aedes aegypti?

Uma campanha simples, dinâmica e colaborativa iniciada em 2013 pela Secretaria de Saúde de Água Branca.

Selos das cores verde, para casas sem larvas; amarelo, para casas sem larvas, mas com situações de acúmulo de água; e vermelho, para casas com larvas.

Os agentes de controle de endemias, em parceria com os médicos de Saúde da Família, percorreram os bairros e até as zonas rurais de Água Branca para visitar todas as residências e fazer um check list junto com o morador.

Os profissionais indicavam os possíveis locais de acúmulo de água e explicavam os procedimentos necessários para combater o mosquito. No final da visita, cada residência recebia um selo e passava a ser monitorada de acordo com esse código.

“Antes de iniciarmos o projeto, foi feita uma campanha de divulgação para explicar como trabalharíamos com os selos. O nosso objetivo, mais do que combater os focos do mosquito na cidade, era engajar e empoderar os moradores para que eles fossem os agentes de mudança nesse processo”, conta Dóris Leal, coordenadora de vigilância sanitária de Água Branca há dez anos, em entrevista ao HuffPost Brasil.

dengue

Agente cola em residência selo de monitoramento dos focos de dengue

Dito e feito.

A atribuição das cores acabou virando fonte de inspiração ou fator motivador de mudança para os moradores.

Os que receberam sinal verde se tornaram exemplo para toda a comunidade, e aqueles com selo vermelho entraram na corrida para ter sua casa em segurança.

Assim, a cidade piauiense se viu livre do mosquito em três anos.

A ação foi tão eficaz que se tornou lei, para que nenhuma outra gestão da prefeitura interrompa o combate ao mosquito.

“O governador do estado [ ] já levou nossa iniciativa para outros municípios. Esperamos que eles tenham o mesmo sucesso. As cidades precisam sensibilizar seus moradores nessa campanha para ter um melhor monitoramento dos focos de contaminação”, comenta Dóris.

“Em Água Branca, depois da campanha dos selos, conseguimos transformar os imóveis em pontos estratégicos e, assim, pensar em outras ações efetivas para cada situação. As regiões de selo vermelho, por exemplo, recebem visitas dos agentes toda semana”.
Outro diferencial do projeto foi o trabalho conjunto feito entre os agentes de endemias e os profissionais do Saúde da Família.

“O Ministério da Saúde só propôs isso no fim do ano passado, mas aqui em Água Branca nós fazemos essa parceria desde o início. Com as duas equipes em sintonia, temos mais força para motivar o trabalho e a população”, diz Dóris.

As arapucas de Natal

Também no Nordeste, há outro bom exemplo a se seguir. Em Natal, foram mais de 600 casos de dengue em janeiro de 2015. Já este ano, no mesmo período, o número caiu para 80.

Essa queda só foi possível porque foram espalhadas pela cidade 500 armadilhas contra o mosquito.

Conhecidas como ovitrampas, as arapucas simulam o ambiente perfeito para a reprodução do Aedes: um vaso é preenchido com água parada e uma palheta de madeira para atrair a fêmea, que deposita os ovos. No mesmo recipiente é aplicada uma substância larvicida.

arapuca

Ovitrampa utilizada em residências em Natal

Uma vez por semana a amostra é recolhida pelos agentes e direcionada ao Centro de Controle de Endemias do município. Lá, os dados são analisados e servem para mapear as regiões com maior concentração de ovos e larvas do mosquito.

Os bairros monitorados recebem uma classificação de acordo com o risco da contaminação. A classificação vai do nível 1 ao 4 e, para cada um desses quatro níveis, há um conjunto de ações específicas previstas pela prefeitura.

Esse mapeamento ajudou os profissionais a detectarem em que região o problema nasce, onde ele permanece controlado e até que ponto os mosquitos se espalharam.

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