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Zahra Lari, a patinadora olímpica que quer inspirar outras muçulmanas a seguirem seus sonhos

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ZAHRA LARI
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Zahra Lari é uma patinadora no gelo que representou os Emirados Árabes Unidos em competições internacionais em países como Eslováquia, Hungria e Itália.

A atleta de 21 anos, de Abu Dhabi, agora está decidida a realizar um sonho ainda maior: competir na Olimpíada de Inverno de 2018, em PyeongChang, Coreia do Sul.

Os Emirados Árabes Unidosparticiparam da Olimpíada de verão, mas o país quente e úmido nunca teria enviado representantes na versão de inverno dos jogos.

Em 2013, os Emirados Árabes Unidos entraram para a International Skating Union, o órgão mundial que organiza o esporte, abrindo caminho para que Lari participe das grandes competições mundiais.

Se ela participar dos Jogos, estará fazendo história para os EAU.

zahra lari

“Quero que todas as meninas encontrem suas paixões... Não deixem que pequenos obstáculos pareçam montanhas. Que lutem para cresce e não vejam diferenças nas pessoas, mas sim semelhanças. Esse é meu desejo para todos.” – Zahra Lari

Lari começou a patinar no gelo por acaso, depois de ver o filme Sonhos no Gelo, da Disney, quando tinha 12 anos. Ela disse ao The Huffington Post que ficou cativada com a beleza e a arte do esporte. Mas, quando foi patinar pela primeira vez, achou muito mais difícil do que esperava.

“Na primeira vez que pisei no gelo, caí”, disse ela por email. “Sabia que tinha de levantar e continuar tentando. Foi o que eu fiz. Caí muito, mas sempre me levantei.”

Apesar dos tombos, ela adorou a experiência. O que era um hobby depois da escola logo virou uma paixão séria pelo esporte. Os fãs de Lari logo a apelidaram de Princesa do Gelo , uma referência ao filme que a inspirou. Em 2015, ela já treinava de quatro a sete horas por dia, equilibrando os treinamentos com os estudos na Abu Dhabi University.

“Caí muito, mas sempre me levantei.”

“Passo muitas horas treinando no gelo e também fora da pista”, disse ela. “Tenho sonhos e defini objetivos. Se alcançá-los, vou pular de alegria, mas, se não der certo, não terá sido por não tentar.”

zahra treinando
Zahra Lari em um treino no Zayed Sports City, em Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos, 19 de maio de 2015.

Lari afirmou que no começo seus pais tinham dúvidas em relação ao esporte. Eles tinham medo de contusões e de que a escola ficasse em segundo plano. Mas, quando perceberam que a filha era apaixonada pelo esporte, deram 100% de apoio.

“Houve uma época em que meu pai queria que eu parasse porque estava tudo ficando muito sério, e ele achava que eu já tinha passado da idade”, disse Lari. “Mas ele sempre foi muito amoroso e bondoso.”

“Quando havia competições nacionais, ele se recusava a me deixar participar”, disse ela. “Mas, sendo justa, ele me levava para assistir e torcer pelas minhas companheiras de equipe. Quando ele via que eu ficava feliz por elas, mas triste por mim, deixou que eu continuasse. Foi quando ele finalmente me entendeu e também à minha paixão pelo esporte.”

Agora, Lari diz que seu pai é um dos seus maiores torcedores.

competição
Zahra Lari disputa a European Cup, em 12 de abril de 2012, em Canazei, Itália.

Se Lari se classificar para os Jogos Olímpicos de 2018, ela vai seguir os passos de outras atletas muçulmanas que competem usando o hijab.

Ruqaya Al Ghasara, do Bahrein, participou da Olimpíada de 2004, em Atenas, e teria sido a primeira mulher muçulmana a usar o véu em uma competição olímpica.

Em 2012, em Londres, houve um grande número de mulheres usando o hijab.

Este ano, no Rio, a esgrimista Ibtihaj Muhammad será a primeira atleta americana a competir numa Olimpíada vestindo o hijab.

Lari espera que as jovens – muçulmanas ou não – se inspirem por sua história e sua luta em busca de seu sonho.

“Quero que todas as meninas encontrem suas paixões. Que se preocupem com sua saúde e seu bem-estar. Que pratiquem algum esporte. Que não deixem que pequenos obstáculos pareçam montanhas. Que lutem para cresce e não vejam diferenças nas pessoas, mas sim semelhanças. Esse é meu desejo para todos”, afirmou ela.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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