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Especialista detalha vulnerabilidades do Brasil ante uma ameaça do Estado Islâmico

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Até pouco tempo restrito às redes sociais e a outros continentes, o grupo terrorista Estado Islâmico chegou - aparentemente - mais perto dos brasileiros na última semana.

A Agência Brasileira de Inteligência confirmou que mensagens que ameaçavam o Brasil e que foram postadas pelo grupo terrorista eram autênticas.

"Brasil, vocês são nosso próximo alvo."

A mensagem foi postada em novembro do ano passado por Maxime Hauchard, integrante do Estado Islâmico. A conta, reconhecida como autêntica, já foi desativada.

Em entrevista ao HuffPost Brasil, o professor de Segurança Internacional Bernardo Wahl afirmou que seria mais provável que o Brasil fosse palco de um atentado do que o alvo propriamente dito. "No caso das Olimpíadas, por exemplo, o palco seria o Brasil, mas o alvo seria o evento, ou até mesmo a delegação de algum país considerado inimigo do grupo, mais ativo nas batalhas."

Para Wahl, mesmo que tardiamente, a notícia não foi divulgada por acaso. A demora, segundo o especialista, tem a ver com o tempo que a Abin precisou para confirmar a autenticidade do perfil autor e da própria ameaça.

"Acho que ao divulgar uma informação como essa há o propósito de conscientizar a população, e só o fato de a gente discutir e ter consciência sobre isso já é algo importante", explica Wahl, que devido à falta de espaços para discutir o tema, criou um curso sobre a Atividade de Inteligência no Brasil e a Segurança Internacional.

Ainda que remoto, caso um atentado terrorista acontecesse no Brasil, segundo análises de estudiosos, provavelmente seria perpetrado por um lobo solitário, uma pessoa que não tem ligação com o grupo, mas que se identifica com a ideologia. A Abin, inclusive, já identificou alguns indivíduos que têm afinidades com as ideias pregadas pelo Estado Islâmico em território brasileiro.

A outra possibilidade, bem mais remota, seria a de o atentado ser cometido por uma célula relativamente organizada e com contato operacional com a base do Estado Islâmico no Oriente Médio - onde o grupo vem perdendo território, conforme reflete o especialista em segurança:

"Por conta desse enfraquecimento, o Estado Islâmico tem outras prioridades, e trava uma guerra com múltiplos atores ao mesmo tempo. Uma situação como essa, no entanto, pode levar a medidas desesperadas e mudanças de táticas: o EI poderia deixar de ser aquilo que eu chamo de 'protoestado' e começar a operar como uma organização terrorista que funciona em forma de célula".

Nos ataques recentes e perpetrados fora de sua área principal de atuação, o Estado Islâmico concentrou seus ataques em áreas com elevada circulação de civis: em Paris, os alvos foram restaurantes e uma casa de shows, e na Bélgica, a área de embarque do principal aeroporto do país.

Em função disso, o trabalho de inteligência se torna ainda mais importante. Cabe principalmente à Abin monitorar as possibilidades de ameaça e ter informações no tempo necessário para evitar qualquer tipo de ataque.

Esse trabalho, de acordo com Wahl, é silencioso e não vem à tona — a não ser quando interessa ao próprio serviço, como no caso da potencial ameaça do Estado Islâmico, divulgada pelo diretor do Departamento de Contraterrorismo, Luiz Alberto Sallaberry.

"Quando se lida com o terrorismo, o fundamental é agir proativamente, e evitar que o atentado aconteça. Para isso, precisamos obter informações no tempo certo", explica Wahl.

"A Abin faz um bom trabalho, mas os recursos de inteligência do Brasil são limitados, e essa é uma área que tradicionalmente recebe pouca atenção do governo. Justamente por conta disso, pode existir uma vulnerabilidade. Nós contamos com o apoio de serviços de inteligência estrangeiros, mas é muito importante que a informação relevante chegue a tempo."

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