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Em cima do muro: PSDB diz não querer cargos, mas afirma que o convite cabe a quem recebe

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ACIO TEMER ALCKMIN
Aécio Neves e Geraldo Alckmin divididos sobre participação em um eventual governo Temer (centro) | Montagem/PT/Agência Brasil
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Indeciso quanto a possibilidade de ocupar cargos em um eventual governo do vice Michel Temer, o PSDB já tomou pelo menos uma decisão: vai enfatizar que não precisa de cargos para dar apoio. Tanto o presidente do partido, senador Aécio Neves (MG) e quanto o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, enfatizaram nesta segunda-feira (25) que a legenda não quer cargos.

A diferença, porém, é que Alckmin é contra o partido fazer formalmente parte da gestão Temer. A posição é a mesma do secretário geral do PSDB, deputado Silvio Torres (SP). Segundo ele, o partido tem projeto e propostas próprias.

A expectativa era que o partido se reunisse nesta semana para afinar o discurso do partido, mas o presidente Aécio Neves sinalizou que a legenda pode vir a fazer parte do governo e um grupo de deputados e senadores adiantou que a visão de Silvio é pessoal.

“Nós do PSDB não condicionamos nosso apoio a um futuro governo do vice Michel Temer a ocupação de quaisquer tipos de cargos. Ao contrário, queremos um compromisso com essa agenda, com a permanência das investigações da Lava Jato, reforma política corajosa, que possa restabelecer a cláusula de barreira.”

Segundo ele, o partido está focado na retomada do crescimento do País.

“Quem monta governo é o presidente da República, o nosso apoio independe disso, de qualquer membro do partido participar do governo. Estamos fazendo algo que não é comum, não condicionamos nossa participação a quem quer que seja."

Questionado se o convite for feito, Aécio diz que “obviamente o pedido pode ser feito”, que é “natural”, mas que isso não altera a visão do partido.

Líder do partido no Senado, Cássio Cunha Lima (PB) seguiu o mesmo discurso:

“O que nós queremos é uma relação institucional. O que o PSDB deseja é que o PMDB não faça conosco o que o PT fez com eles. Ou seja, tentar dividir o partido, fracionar agremiação. O PSDB não busca cargos, o PSDB não tem origem fisiológica, tem proposta para o País, não adianta mudar seis por meia dúzias. Queremos mudança profunda e começa com a maneira de fazer política. Não pode manter o balcão de negócios abertos, o toma lá dá cá, a simples ocupação de cargos. Queremos propostas”.

Se for convidado, segundo Cássio, "o convite cabe a quem convida e quem recebe". “O PSDB não luta por cargos, luta pelo Brasil, quem defende vai apoiar a necessidade de mudanças na maneira de fazer a política.

O senador José Serra (SP) é um dos que marca posição firme sobre participar de uma futura gestão Temer. Segundo ele, se o vice aceitar as propostas do PSDB, o partido deve sim participar do governo, "uma vez que as coisas que o partido considera importantes serão atendidas por ele".

Polêmica

Por trás do dilema de ocupar ou não cargos, há pelo menos dois fatores. Um deles é o fato de o partido lutar na Justiça Eleitoral pela cassação da chapa de Dilma, que automaticamente derruba o vice Michel. Há ainda o olhar em 2018. Ao jornal O Globo, Silvio Torres destacou que ocupar um ministério daria visibilidade a um integrante do partido em detrimento de outro presidenciável.

"Para conseguir o apoio de todos os partidos, Michel não pode levar presidenciáveis para sua equipe de ministros, senão desequilibra o jogo para 2018. Se insistir, vai ter que dar um ministério para o Serra, um para o Geraldo, outro pro Beto Richa, para o Marconi e outro para o Aécio. Ele não tem como acomodar todo mundo", disse o secretário geral do PSDB ao O Globo.

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