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Estas fotos mostram a impressionante mudança que o tempo causa em subúrbios

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new york
Vyse Ave. e Rua East 178th, Bronx, New York, mostrado em 1980, 1984, 1986, 1988, 1993 e 2013

O fotógrafo que passou mais da metade da sua vida documentando obsessivamente cidades americanas está criando um extenso e revelador registro de como os bairros pobres e segregados foram transformados com o passar do tempo.

Camilo José Vergara, 71, fotografou sistematicamente o mesmo conjunto de cruzamentos em Nova York, Detroit, Chicago, Los Angeles e outras cidades, várias vezes, desde 1977. Ele continua trabalhando na série Tracking Time (“Rastreando o Tempo”, em tradução livre), e no seu próximo livro Detroit Is No Dry Bones que será publicado este ano.

O fotógrafo que nasceu no Chile, foca em ambientes construídos em vez de pessoas retornando a lugares familiares para descobrir casas arruinadas substituídas por edifícios altos ou ver como ficaram ainda mais deterioradas; igrejas transformadas em restaurantes e lojas em igrejas; negócios locais lacrados ou tomados por grandes empresas.
“Coisas que não se deterioram me dá um pouco de tédio”, disse Vergara.

Vergara diferencia o seu trabalho das fotografias feitas para serem vistas individualmente e “surpreender” o público. Em vez disso, seu trabalho é melhor digerido com uma dúzia ou centena de imagens vistas ao mesmo tempo. Ele se vê como um arquivista, criando os documentos originais e fazendo a sua curadoria.

“Você encontra significado em imagens agregadas e é isso que fiz a minha vida inteira”, disse Vergara. “Essa é a grande função da fotografia. Não é tanto o foco no extraordinário — mas no diário”.

Toda a coleção de Vergara é um retrato do declínio e renovação nos bairros e a nível nacional, uma imagem que particularmente ressoa na forma como muitas cidades enfrentam a rápida gentrificação e o deslocamento de residentes de longa data e pequenos negócios. O seu método de fotografia com o passar do tempo criou um registro do ambiente de cada dia, que de outra forma seria perdido.

detroit
Ransom Gillis Mansion, Alfred na Rua John R, Detroit, mostrado em 1993, 2000, 2002, 2012, 2015 e novamente em 2015

Quando Vergara não está atravessando o país, ele pode ser visto concentrado em sua extensa coleção, digitalizando fotografias antigas e observando traços comuns entre elas. Formado em sociologia, ele conduziu pesquisas e entrevistas para dar conteúdo às histórias que retira de suas imagens.

Ele foca em igrejas e o papel da religião nos bairros pobres aonde é atraído. Em outra série de fotos, ele destaca a arte urbana popular que nunca aparece nas coleções de museus: as placas pintadas à mão e murais que adornam as lojas de licor, lavanderias e centros comunitários.

Uma coleção recente captura as cenas agrícolas pintadas em food trucks em bairros latinos de Los Angeles — possivelmente em extinção ao virarem mais gourmet, disse Vergara.

“As coisas desaparecem tão rapidamente”, disse. “E aí você percebe … sua cidade não é mais a que era”.

Vergara ganhou uma medalha Nacional de Humanidades e a MacArthur Fellowship.

Além disso, a Biblioteca do Congresso adquiriu o último arquivo de Vergara no ano passado, cimentando seu valor. Mas o seu trabalho no início não ganhou a aprovação dos guardiães do mundo da arte, nem dos próprios artistas.

O seu primeiro e mais tradicional projeto de fotografia de rua em Harlem e no Bronx no início dos anos 70 atraiu pouco interesse. Vergara eliminou a ideia, mas ao mesmo tempo escolheu manter as imagens pois “elas me lembravam como eu perdi tempo na vida” e desde então elas já foram amplamente publicadas.

“A ironia é que por toda a minha vida me interessei no fracasso e agora eu não posso me considerar um”, disse ele rindo.
Existe fracasso escondido em muitas das fotografias de Vergara, mas há também muito mais do que isso, se você continuar olhando. Vergara certamente irá — ele é forçado a voltar aos lugares que escolheu, para capturar suas mudanças mais uma vez e atualizar o seu arquivo.

“Este trabalho de certa forma vai te levando. É como um rio”, disse ele. “Eu imagino que farei isso até meu último dia de vida”.

  • CAMILO JOSE VERGARA

    Vistas ao longo de Fern St., Camden, New Jersey, mostrado em 1979, 1988, 1997, 2004, 2009 e 2014.
  • CAMILO JOSE VERGARA

    7316 South Broadway, Los Angeles, mostrado em 1992, 1996, 1999, 2000, 2012 e 2014.
  • CAMILO JOSE VERGARA

    New St. e Newark St., em Newark, Nova Jersey, mostrado em 1980, 1981, 1985, 1987, 2014, 2015.

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Mais fotografias da série Tracking Time (“Rastreando o Tempo”, em tradução livre) de Vergara podem ser vistas no seu website.

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Kate Abbey-Lambertz cobre o tema de sustentabilidade nas cidades, moradia e desigualdade. Dicas? Feedback? Envie um email ou siga-a no Twitter.

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(Tradução: Simone Palma)

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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