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Camila Ribeiro estreia no SPFW como a modelo mais transgressora da temporada

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Camila Ribeiro tem um currículo de impressionar. Ela já fez trabalhos internos para Givenchy, desfilou em Paris e Nova York e estreia em solo brasileiro com dois grandes nomes do SPFW: A À La Garçonne, que inaugura nas passarelas sob as mãos de Alexandre Herchcovitch e Fábio Souza, e Ronaldo Fraga, neste primeiro dia. “Eu fico muito feliz por atingir diferentes mulheres. Afinal, as duas marcas para as quais vou trabalhar esta temporada são muito distintas entre si”, conta no backstage.

Camila, inclusive, desfilou recentemente para Herchcovitch na apresentação de sua coleção para a C&A. No clique, ela aparece ao lado de Mariana Dias.

@alexandreherchcovitch para @cea_brasil com a musa @corvina_ 💎💎💎💎💎💎

A photo posted by Camila Ribeiro (@ribeirocamilaa) on


A modelo, que é transexual, tem fortes opiniões quando o assunto é a falta de representatividade no mundo da moda. “A indústria brasileira é muito limitada nesse sentido. Temos uma beleza miscigenada, mas acabamos sempre trabalhando com o mesmo padrão

Mesmo com tantos pontos altos na carreira, Camila não se impressiona. “O fato de eu estar aqui não é tão extraordinário. Afinal, tenho dois braços, duas pernas e uma beleza que faz sentido para a marca”.

É verdade que questão de gênero nunca foi tão discutida como é atualmente, principalmente nas redes sociais. Porém, Camila acredita que isso ainda não foi transferido para a vida off-line:

“O ativismo que rola na internet abre discussões, mas não interfere diretamente porque nós vivemos em um mercado em que um diretor de casting monopoliza mil trabalhos. Se ele não gostar de você, não vai te colocar em nenhum”. Indo além, ela diz que os jornalistas, inclusive, não estão preparados para abordar questões importantes em entrevistas sobre ela. “Nós somos o país que mais mata transexuais no mundo, mas as pessoas continuam insistindo em perguntas sobre se eu operei, como a minha família reagiu. Ninguém quer saber sobre evasão escolar ou direitos humanos”.

Apesar de tudo, ela é otimista com o cenário que cresce pouco a pouco:

“É um momento de catarse, a consciência vai vir depois. Nós entendemos o porquê de pessoas trans não conseguirem tantos trabalhos e que isso é muito mais complexo do que simplesmente não gostarem da sua cara”. A modelo acredita que muito tem a ver com o momento em que o país se encontra em outras esferas também: “Politicamente estamos vivendo em um momento de muita resistência, isso acaba refletindo até em escolhas de modelos”, finaliza.

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