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Conselho de Ética recebe mais de 1 milhão de assinaturas 'fora Cunha'

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Demonstrators march holding banners that read in Portuguese "Cunha out, coup plotter," refering to President of the Brazil's Lower House Eduardo Cunha, during a protest against the impeachment proceedings against Brazil's President Dilma Rousseff introduced by Cunha earlier this month, in Sao Paulo, Brazil, Wednesday, Dec. 16, 2015. As speaker of the house, Cunha allowed the impeachment process against the president to begin. (AP Photo/Andre Penner) | ASSOCIATED PRESS
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Conhecida por promover abaixo-assinados internacionais, a organização Avaaz entrega hoje ao Conselho de Ética da Câmara dos Deputados uma petição com 1,3 milhão de assinaturas pela cassação do mandato do presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Réu por corrupção e lavagem de dinheiro no âmbito da Lava Jato, o peemedebista responde no Conselho por metir a CPI da Petrobras ao negar ter contas no exterior.

O documento será entregue ao presidente do colegiado, deputado José Carlos Araújo (PR-BA), antes do depoimento do lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano. Em delação à Justiça Federal, ele relatou encontros em que Cunha teria recebido propina.

A campanha, que atingiu 1 milhão de assinaturas em 19 de abril não tem efeito jurídico, mas é uma forma de pressão popular. A meta é chegar a 2 milhões.

Pesquisas de opinião também mostram o apoio da maioria dos brasileiros à saída de Cunha. De acordo com sondagem do DataFolha divulgada em 10 de abril, 77% dos entrevistos defendem a cassação do mandato do parlamentar.

Instaurado em 3 de novembro, o processo do peemedebista é o mais longo da história do Conselho. Uma série de manobras de aliados têm atrasado a tramitação. A expectativa do relator, deputado Marcos Rogério (DEM-RO) é apresentar o parecer na segunda quinzena de maio.

O HuffPost Brasil conversou com Caroline d´Essen, criadora da petição no Avaaz. Confira.

HuffPost Brasil: O número de assinaturas, assim como pesquisas de opinião mostram que os brasileiros querem a saída de Eduardo Cunha. Você acha que os deputados, que têm poder de fato para isso, vão se sensibilizar com a entrega da representação?
Caroline d'Essen: Sim. Funcionou antes como na votação pelo fim do voto secreto ou na aprovação da lei da Ficha Limpa, e vai funcionar agora. Os deputados são representantes do povo e não podem simplesmente ignorar a voz de 1,3 milhão de pessoas. Recentemente, com os enormes protestos no País, nós vimos que a pressão popular funciona e agiliza processos dentro do Congresso, pois mostra aos deputados que as pessoas pedem urgência para a resolução dos problemas. Portanto, vamos continuar pressionando cada um deles, até que o Conselho tome uma decisão que responda à altura do que a sociedade pede.


A entrega pode pressionar o Supremo Tribunal Federal a decidir sobre o afastamento ou há alguma ação programada para isso?

Esperamos que sim. Sabemos que o ministro Teori Zavascki afirmou que não tem previsão de quando levará a julgamento o pedido de afastamento do deputado Eduardo Cunha, mas acreditamos que o debate pode esquentar. O STF acabou de autorizar a abertura de mais dois inquéritos contra Cunha.

O que te motivou a coordenar a coleta de assinaturas?
Indignação. Quando criei a petição, no ano passado, mal conseguia acreditar em cada manobra que Cunha parecia usar para adiar o processo no Conselho de Ética. Ele nos dá a impressão de usar sua influente posição em benefício próprio. Eu me senti muito mal como cidadã brasileira com essa falta de respeito, por isso decidi criar a petição. Precisamos de líderes e representantes íntegros, que coloquem o interesse do cidadão acima dos seus interesses pessoais.

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