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CINCO revelações de Fernando Baiano na Câmara que comprometem ainda mais Eduardo Cunha

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EDUARDO CUNHA
Marcelo Camargo/Agência Brasil
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Um café. Foi assim que começou a relação entre Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, e o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Aquele café deu início a uma “amizade” que culminou com a confissão, em delação premiada, de que um ajudou o outro a receber dinheiro.

Os detalhes já explicitados aos investigadores da Operação Lava Jato foram confirmados nesta terça-feira (26) aos integrantes do Conselho de Ética. Para o presidente do colegiado, José Carlos Araújo (PSD-BA), Baiano deu ainda mais munição aos deputados que analisam o processo de quebra de decoro de Cunha. “O depoimento foi contundente. Não vejo a menor possibilidade de terminar em pizza”, pontuou Araújo.

Baiano fez cinco grandes revelações sobre o relacionamento dos dois:

1 - Intimidade

Denunciado por corrupção passiva na Lava Jato, Fernando Soares contou que conheceu Eduardo Cunha, em 2009, em um café da manhã, em um hotel. Ele disse que sabia que Cunha era bem relacionado e o deputado acreditava que o lobista tinha condições de ajudá-lo a conseguir doação para campanha.

Com a possibilidade de trazer benefício para os dois, a relação foi se estreitando. Baiano afirmou que encontrou com Cunha mais de dez vezes e, aos parlamentares, descreveu detalhes da casa de Cunha, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. “Sempre entrava e ia direto para o escritório.”

Na CPI da Petrobras, Cunha disse que Baiano nunca esteve em sua residência.

2 - Triângulo

Dinheiro para doação de campanha, Fernando disse que não tinha, mas apresentou uma alternativa a Cunha.O lobista contou que o empresário Julio Camargo tinha uma dívida de US$ 16 milhões e que, se Cunha o ajudasse a receber, ele lhe daria uma “comissão”.

Baiano apresentou os dois e Cunha, então, passou a pressionar Julio Camargo.

3- Requerimentos suspeitos

Um dos jeitos de constranger Julio para receber o dinheiro foi apresentar, em nome da então deputada Solange Almeida (PMDB-RJ), requerimentos que solicitavam informações do empresário. Segundo Baiano, o pagamento de parte da propina foi feito após a apresentação dos requerimentos.

4 - Dinheiro vivo

Inicialmente, o acordo foi de que Cunha receberia US$ 5 milhões. Parte do montante foi entregue em dinheiro vivo por Baiano. “Pessoalmente entreguei R$ 4 milhões para Cunha.” Em seguida, Baiano explicou que os recursos foram entregues a um funcionário do escritório de Cunha no Rio, chamado Altair.

5 - É dinheiro de propina

Baiano enfatizou aos parlamentares que nunca tratou de propina com Cunha, disse que falava sobre comissão. Mas questionado, reconheceu:

"Eu falei que nunca tratei com o deputado Eduardo Cunha falando esse termo 'propina'. Agora que é propina é. É vantagem indevida, é propina, é isso mesmo."

Desmentido

O presidente da Casa alega que Baiano não apresentou nenhum fato novo e que os argumentos dele já foram desmentidos com contundência pela defesa. Marcelo Nobre, advogado de Cunha no Conselho, rechaçou o depoimento. Disse que Baiano não se ateve ao mérito do processo, que é o fato de Cunha ter mentido na CPI ao dizer que não tinha contas no exterior. Questionado se Cunha tinha contas no exterior, Baiano disse não saber.

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