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Relator do impeachment no Senado é campeão de doações eleitorais e acusado de pedaladas

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ANASTASIA
EVARISTO SA via Getty Images
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Escolhido como relator do impeachment da presidente Dilma Rousseff no Senado, Antonio Anastasia (PSDB-MG) é campeão de doações eleitorais entre os senadores eleitos em 2014. Assim como a petista, ele também é acusado de "pedaladas fiscais".

Anastasia fez sua trajetória política como braço direito do presidente do PSDB, senador Aécio Neves, e candidato derrotado nas eleições presidenciais de 2014 por Dilma.

O relator apresenta o parecer na próxima quarta-feira. A tendência é que acompanhe a Câmara e seja a favor da admissibilidade do impeachment. São necessários 12 votos na comissão e 41 no plenário. Se isso acontecer, Dilma é afastada e o Senado tem 180 dias para análise definitiva.

Na etapa do mérito, Anastasia continua relator. Ele terá como tarefa reunir provas para concluir se a presidente cometeu crime de responsabilidade. Caso seu relatório seja nesse sentido, ele precisa de 54 votos no plenário para que Dilma seja afastada definitivamente.

Doações

Entre os senadores eleitos em 2014, Anastasia foi o que mais arrecadou. Foram R$ 18,1 milhões. Em seguida, aparece José Serra (PSDB-SP), com R$ 10,7 milhões, e depois Ronaldo Caiado (DEM-RO), com R$ 9,6 milhões. Entre as doações ao mineiro, constam empreiteiras e um banco citados na operação Lava Jato. O relator afirma que as doações foram legais.

De acordo com a declaração feita ao Tribunal Superior Eleitoral, o BTG Pactual doou R$ 1 milhão, a UTC R$ 504 mil, a OAS R$ 163 mil, a Odebrecht R$ 162 mil, a Andrade Gutierrez R$ 100 mil e a Queiroz Galvão R$ 80 mil. O montante equivale a 11% das arrecadações do candidato. Alguns dos repasses foram intermediados pelo partido.

Após entrar na lista do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de investigados no esquema de corrupção na Petrobras, o inquérito em Anastasia que era alvo foi arquivado por falta de provas. Em delação, o ex-policial Jayme Alves Oliveria Filho, conhecido como “Careca” disse ter entregue dinheiro a uma pessoa parecida com o senador a mando do doleiro Alberto Yousseff.

Amigo de Aécio

Anastasia foi eleito vice-governador de Minas Gerais em 2006, na chapa de Aécio. No último ano de mandato, assumiu o comando do Executivo local, com a saída do titular para concorrer ao Senado. Em 2010, o atual relator do imepachment eleito para continuar na Cidade Administrativa.

Logo após a função do correligionário ser oficializada na comissão do Senado, Aécio cumprimentou Anastasia pessoalmente, mesmo não sendo membro da comissão.

O ex-presidenciável chegou a ironizar a proximidade entre os dois. "Fico muito feliz de ver que o único defeito que encontram nele é o fato de ele ser meu amigo. Se esse é o problema, acho que ele tem um grande aval para assumir esse posto”, afirmou.

antonio anastasia aécio neves
Anastasia acompanha Áecio durante a campanha presidencial de 2014

Gestão

Durante o governo mineiro, foi um dos formuladores do conhecido “choque de gestão”. Em 2002, foi convidado por Aécio para coordenar o programa de governo para sua candidatura. No ano seguinte, assumiu a Secretaria de Planejamento e Gestão e continuou a tarefa como vice-governador.

Durante o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, Anastasia foi secretário-executivo do Ministério do Trabalho e 1995 e 1999, onde chegou a ser ministro interino em 1998. Em seguida, ocupou o mesmo posto no Ministério da Justiça. O senador também ocupou cargos no governo mineiro entre 1991 e 1994.

antonio anastasia
Anastasia quando secretário-executivo do Ministério da Justiça, na gestão do ministro José Carlos Dias (segundo à direita), em 1999

Pedaladas

Assim como o Dilma, Anastasia também é acusado de “pedalar” com as contas públicas. O Ministério Público Federal (MPF) ingressou em 2015 com ação civil pública contra o Estado de Minas Gerais por não aplicar o percentual mínimo de 12% do orçamento em ações e serviços de saúde pública.

De acordo com a ação, o governo estadual, entre 2003 e 2012, descumpriu sistematicamente preceitos legais e constitucionais por meio de manobras contábeis para aparentar o cumprimento da Emenda Constitucional 29/2000, que fixa o percentual para saúde.

Neste período, R$ 9,57 bilhões deixaram de ser aplicados, o equivalente a R$ 14,23 bilhões com correção. De 2003 a 2010, Minas foi governada por Aécio. Entre 2011 e 2014 o comando do estado foi assumido por Anastasia.

Na época, o atual relator do impeachment chegou a ser comparado a Dilma devido a seu perfil mais técnico do que político. Formado em Direito, Anastasia chegou a dar aulas na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

dilma anastasia
Anastasia recebe a presidente Dilma após chuvas intensas devastarem cidades mineiras em 2013

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