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André, a superação em pessoa: A história de um ex-morador de rua que entrou no doutorado na UnB

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ANDR ROCHA LEMOS
Para pagar os estudos universitários, Lemos vendia doces nos ônibus de Brasília | Divulgação/Beatriz Ferraz/Secom UnB
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O paulistano André Rocha Lemos, 39 anos, tem uma história de vida inspiradora: Conheceu o álcool e o crack na pré-adolescência, cometeu crimes, morou na rua e foi preso por tráfico quando morava no Distrito Federal. Mas a solidariedade e os livros revolucionaram a vida dele, que se tornou enfermeiro, radiologista, e acaba de ser aprovado em um doutorado de Bioética na UnB.

A trajetória que separa uma criança sem perspectiva de um adulto bem-sucedido e cheio de sonhos envolve fuga de casas de recuperação e passagens por presídios estaduais.

Em entrevista ao portal da UnB, Lemos diz que guardava e lavava carros para manter o vício em crack. "Tinha dias que não comia, nem dormia. O que eu faturava nas ruas, comprava drogas e usava. Minha vida se resumia a isso".

A história de Lemos foi ganhando novos contornos quando ele foi encontrado na rodoviária do Plano Piloto, em Brasília, e levado para a Casa de Recuperação do Gama. Além de poder estudar e trabalhar, na instituição ele conheceu a mulher, Fernanda, uma pessoa “gentil e compreensiva”. “Ela foi a responsável pela guinada que dei, na direção ao caminho do bem. Ela me apoiou nos momentos mais difíceis. A ela, devo todas as minhas conquistas.”

O estudo foi uma verdadeira vitória para o doutorando. Quando tinha 23 anos, ele tinha apenas a 6a série. Hoje, ele possui duas graduações (Enfermagem e Radiologia), especialização e mestrado. Para pagar os estudos universitários, ele vendia doces nos ônibus de Brasília, conta ao portal da UnB.

Além do doutorado, Lemos dá aulas e preside a Recomeçar, uma instituição sem fins lucrativos que visa a atender pessoas em situação de vulnerabilidade social, como dependentes químicos, ex-detentos e menores infratores.

O tema do doutorado em Bioética é Prisão sem Muros. O estudo irá focar a exclusão social, a rejeição e o desemprego enfrentados por ex-detentos do presídio Papuda, no Distrito Federal.

Para Lemos, é necessário agir para que os discriminados pela sociedade consigam, como ele, a recuperação da autoestima e da cidadania. “É uma realidade que conheço bem. Com minha pesquisa, vou contribuir para retirar muitas pessoas das ruas e devolver-lhes a dignidade."

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