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Explicação de Janaína sobre impeachment tem alongamento, choro e defesa pessoal

Publicado: Atualizado:
JANAINA PASCHOAL
Jefferson Rudy/ Agência Senado
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Convidada ao Senado para explicar o processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, a jurista Janaína Paschoal, co-autora do pedido, usou a maior parte do tempo para se defender.

Como se fosse entrar em um ringue de luta, antes de iniciar sua fala, ela se aqueceu:

Aos senadores, a professora de Direito iniciou dizendo que precisava se defender das acusações que vinha sofrendo. A professora admitiu que trabalhou no governo Fernando Henrique Cardoso, mas disse que nunca viu o ex-presidente. Afirmou também que trabalhou no governo de Geraldo Alckmin, em São Paulo, e que recebeu R$ 45 mil do PSDB para elaborar um parecer, mas enfatizou que o impeachment é apartidário.

"Esses esclarecimentos são importantes, porque a Nação está acompanhando esta sessão, e eu estou sofrendo muitas acusações nos últimos tempos, inclusive de golpista. Então, além de fazer a acusação aqui, eu preciso me defender. (…)

Eu quero só esse esclarecimento à Nação, porque foi a Nação que pagou a minha passagem. Hoje eu estou aqui convidada pelo Senado, o Senado pagou minha passagem; foi o povo brasileiro que pagou a minha passagem, então eu tenho que dar esse esclarecimento à Nação.”

Janaína se emocionou em alguns momentos e chegou a dizer que chorou quando viu a entrevista da presidente Dilma Rousseff ao Fantástico quando ela disse que queria ser bailarina.

“Vocês acham que eu fico feliz de vir aqui? Que eu não teria gosto de ver uma mulher ter sucesso na Presidência? Eu sou brasileira, amo essa terra mais que tudo”, emendou.

Ela também aproveitou para comentar o ato na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, da Universidade de São Paulo (USP), que virou hit na internet. No vídeo, ela questiona se “queremos servir a uma cobra ou ao dinheiro”. "O Brasil não é a 'República da Cobra'! Nós somos muitos Hélios, Janaínas, Celsos. Eles derrubam um, levantam-se dez. Não vamos deixar essa cobra continuar dominando”, disse.

"Quando falei lá no Largo do São Francisco: somos muitos Hélios, muitos Migueis e muitas Janainas, disseram que eu estava bêbada. Eu não estava, não; eu estava muito sóbria”, reiterou.

Trending Topic

Transmitido pela TV Senado, o depoimento de Janaína aos senadores se tornou um dos assuntos mais comentados no Twitter.

Pedaladas

Sobre as pedaladas fiscais - que sustentam o pedido de impeachment -, Janaína afirmou aos senadores que foi a maior fraude que ela já viu na vida.

"Faz vinte anos que eu advogo no crime. Eu nunca vi nada igual. Leiam os documentos que estão anexados com a denúncia. Estão com a denúncia. Não há nada novo, hein! São documentos da lavra dos técnicos que apresentaram as perícias junto ao TCU; os pareceres do Júlio Marcelo, um técnico acima de qualquer suspeita. Nós inclusive o arrolamos aqui como testemunha."

Perfil centralizador

Em um discurso político, o jurista Miguel Reale Júnior, outro autor do pedido de impeachment ouvido pelos senadores, criticou a postura de Dilma.

“A presidente da República era considerada efetivamente a Ministra da Fazenda. Se dizia mesmo: qual é o nome? É fácil saber o nome dos Ministros. Qual é o nome do Ministro da Fazenda? Dilma. Qual é o nome do Ministro dos Transportes? Dilma. Qual é o nome do Ministro da Pesca? É Dilma. Ou seja, sua personalidade centralizadora fazia com que ela tomasse sempre para si o processo de decisão. Dessa forma, fatos desta gravidade, de orientação direta da economia, estavam ligados a sua pessoa."

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