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Governo PMDB com cara de PT: 10 cotados a ministro de Temer foram da gestão Lula-Dilma

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MINISTROS TEMER
Michel Temer (centro) entre ex-aliados de Dilma: Henrique Alves e Gilberto Kassab | Montagem/Agência Câmara/VPR/Agência Brasil
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A maioria dos 13 nomes mais sólidos em discussão para compor a Esplanada dos Ministérios do vice-presidente Michel Temer já fez parte do governo da presidente Dilma Rousseff ou do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Com a expectativa de assumir o comando do País em aproximadamente duas semanas, Temer vem afinando o diálogo com pelo menos 11 ex-aliados dos petistas, sendo dez cotados para ministro.

Um dos nomes mais aguardados pelo mercado financeiro e que vem com a missão de retomar o crescimento econômico do País, por exemplo, é um dos executivos preferidos do ex-presidente Lula. Presidente do Banco Central nos oitos anos do governo do petista, Henrique Meirelles é a escolha de Temer para o Ministério da Fazenda.

Ao jornal O Globo, o vice afirmou que “se tivesse que assumir hoje, o ministro da Fazenda seria Meirelles”. O peemedebista disse que ficou "muito impressionado" com a conversa que teve com o executivo. Em março, em uma das tentativas de salvar o mandato de Dilma, o ex-presidente Lula chegou a sondar Meirelles para fazer parte da equipe da petista.

Do governo Lula, Temer cogita outros dois nomes: Geddel Vieira Lima, que foi ministro da Integração Nacional, deve assumir a Secretaria de Governo, e Roberto Rodrigues, pode retomar a Agricultura. Líder do governo no Senado de Lula e também de Dilma, Romero Jucá é um dos nomes sondados para o Ministério do Planejamento.

A leva de peemedebistas que pediram demissão do governo Dilma nos últimos meses também deve retornar ao Executivo nos quadros de Temer.

Moreira Franco, ex-Aviação Civil, deve ficar no comando da Infraestrutura, caso a pasta seja criada.

Eliseu Padilha, que também ocupou a cadeira da Aviação Civil, deve chefiar a Casa Civil, e Henrique Eduardo Alves, que foi do Turismo, deve retomar o controle da pasta que pode ser aglutinada ao Ministério do Esporte.

Já Mauro Lopes, último ministro da Aviação Civil de Dilma na cota do PMDB, pode retornar à pasta.

Gilberto Kassab (PSD), ex-aliado de Dilma que também pediu demissão recente, é cotado para voltar ao comando do Ministério das Cidades na gestão Temer.

E Gilberto Occhi (PP), que estava à frente da Integração, deve assumir a presidência da Caixa Econômica, de onde é funcionário.

Já Alfredo Nascimento (PR), que foi ministro dos Transportes nas gestões Lula e Dilma, negocia com o vice o lugar do PR na Esplanada.

PSDB

A novidade de um eventual governo PMDB, em relação às gestões petistas, é o ingresso do PSDB. Um dos preferidos de Temer é o senador José Serra (SP).

A expectativa é que o parlamentar assuma uma pasta ligada à área social. O próprio Serra já deu sinal positivo para a ideia.

No Facebook, ele disse que "seria bizarro o PSDB ajudar a fazer o impeachment de Dilma e depois, por questiúnculas e cálculos mesquinhos, lavar as mãos e fugir a suas responsabilidades com o País".

Ainda na área social, a pasta dos Direitos Humanos pode ir para a deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP), que relatou o Estatuto da Pessoa com Deficiência.

O Ministério da Justiça, que parecia direcionado ao advogado Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, pode acabar sob o comando do ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal Carlos Ayres Britto.

Retrato velho

Ao HuffPost Brasil, o ex-ministro da articulação política de Dilma, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ) criticou as escolhas de Temer.

“A face que vai se mostrando é uma face que não corresponde à expectativa colocada. O povo que foi para as ruas protestar queria uma coisa nova; o que temos hoje é um retrato velho e parte deles participaram do projeto que está em curso, foram inclusive ministros do governo que estão criticando. Evidencia que é uma luta pelo poder. Se for confirmado, é um governo provisório velho."

Um dos articuladores do impeachment no PMDB, o deputado Darcísio Perondi (RS) rechaça o comentário. “Não faço avaliação nenhuma desse ministério.” Ele, porém, acrescenta que no dia seguinte à posse, se o afastamento for confirmado, o vice vai trocar toda a Esplanada.

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