Huffpost Brazil

Como a américa corporativa se tornou uma importante aliada da causa LGBT

Publicado: Atualizado:
DIREITOS LGBT
WAVEBREAKMEDIA LTD VIA GETTY IMAGES
Imprimir

A América corporativa emergiu como um poderoso aliado na luta contra uma série de projetos de leis que ameaçavam reduzir os avanços conquistados a favor dos direitos LGBT.

O apoio tem crescido rapidamente desde 2008, quando apenas cinco empresas assumiram a oposição ao referendum da Preposição 8 na Califórnia que derrubou a igualdade no casamento no estado.

No ano passado, antes da decisão da Corte Suprema que levou ao reconhecimento federal dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo, aproximadamente 400 empresas assinaram uma petição no tribunal a favor do demandante.

Nela, eles argumentaram que “permitir que casais do mesmo sexo casem levanta a moral dos empregados e sua produtividade, reduzindo as incertezas e removendo inúteis encargos administrativos impostos pela atual disparidade no tratamento da lei estadual”.

No ano passado, as coalizões corporativas anularam legislação no Arizona, Arkansas, Indiana e Geórgia que discriminava lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros.

A briga recentemente se voltou para a Carolina do Norte e, em menor grau, para o Mississippi, que passaram legislação anti-LGBT nas últimas semanas. Nos dois estados, grupos de empresas assinaram cartas denunciando publicamente as leis e afirmando seu apoio de proteções legais contra discriminação LGBT.

Na Carolina do Norte, algumas empresas até passaram por uma espécie de greve econômica contra o estado.

No início de abril, PayPal anulou seus planos de construir um novo local para seus 400 empregados em Charlotte e o Deutsche Bank anunciou que não dará continuidade a uma expansão para seus 250 empregados em escritório próximo a Raleigh.

As duas empresas citaram a nova lei da Carolina do Norte.

O governador da Carolina do Norte, Pat McCrory (Republicano), respondeu à crítica da lei na terça quando emitiu uma ordem executiva para esclarecê-la. Expandiu a política de não discriminação para funcionários públicos para que incluísse orientação sexual e identidade de gênero, mas fora isso ele reafirmou os termos da lei que passou em março, permitindo que o setor privado e governo local definissem suas próprias políticas anti-discriminatórias.

As corporações ainda não comentaram sobre a ordem executiva. PayPal não respondeu aos pedidos do Huffington Post e o Deutsche Bank se negou a comentar.

pat mccrory
O governador da Carolina do Norte, Pat McCrory (R) acredita que há uma “indignação seletiva” sobre a nova lei do estado, que discrimina contra a comunidade LGBT

Muitas das ações corporativas nos meses anteriores tiveram origem no trabalho da Campanha de Direitos Humanos (CDH), um grupo de defesa LGBT cujo logo é conhecido pelo sinal de igual, que viralizou nas redes sociais em 2013 como símbolo de igualdade no casamento durante o julgamento da Proposição 8 na Corte Suprema da Califórnia.

A CDH tem tratado de galvanizar a liderança corporativa em apoio aos direitos LGBT por mais de uma década. Publicou o índice de igualdade corporativa anual desde 2002.

A CDH avalia a igualdade LGTB nas empresas usando uma escala de 0-100. No seu primeiro relatório, apenas 13 empresas receberam uma avaliação ideal. Em 2016, 407 empresas conseguiram alcançar esse nível.

As leis anti-LGBT como as que passaram na Carolina do Norte e no Mississippi “não só são erradas, mas não são boas para os negócios” disse Deena Fidas, encarregada do Índice de Igualdade Corporativa para o CDH. “Os estados que têm a mancha de discriminação não são os mais economicamente viáveis”.

E por isso faz sentido que as corporações estejam aumentando a defesa pelos direitos LGBT no ambiente de trabalho.

“Sinto que existe uma frustração das empresas nesse cenário que muda o tempo todo”, disse Bob Witeck, estrategista de comunicação sobre questões LGBT em Washington, D.C. “Isso nos está levando a um momento crítico. E este momento de virada acontece quando as empresas são as principais responsáveis por uma mudança ao passarem leis federais contra a discriminação”.

Witeck disse que em breve eles estarão fartos e exigirão que lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros recebam a mesma proteção legal no ambiente de trabalho que recebem as mulheres cissexuais e pessoas negras. Apenas 22 estados e Washington, D.C. nos Estados Unidos — menos da metade do país — têm leis anti-discriminação para proteger os direitos de pessoas gays da perda de emprego ou do lar por causa de chefes ou proprietários intolerantes. Três desses estados não incluem leis para indivíduos transgêneros.

As grandes empresas não se tornaram aliadas importantes no movimento LGBT apenas por uma questão de princípio. O escalão superior da América corporativa permanece como um lugar evidentemente heterossexual e cisgênero, com apenas um executivo da Fortune 500 abertamente gay, Tim Cook da Apple.

O ex BP CEO John Browne renunciou em 2007 após denúncias de ser gay. Mas — enquanto as empresas competem por talento e o poder aquisitivo de lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros adultos nos Estados Unidos alcança $884 bilhões— a luta a favor dos empregados e das partes interessadas nos direitos LGBT, logicamente tornou-se um bom negócio.

É verdade especialmente quando falamos sobre talento jovem: quase três-quartos da geração do milênio apoia o casamento gay e a aceitação dos direitos LGBT aumentou a cada geração que entra no ambiente de trabalho.

gráfico

O país está se tornando mais receptivo à ideia de que os direitos LGBT são direitos humanos e os líderes empresariais notaram essa mudança.

Embora as leis estaduais tenham surgido negando proteção com base na orientação sexual e identidade de gênero e uma lei federal que protege contra discriminação LGBT tenha ficado parada no Congresso há anos, tornou-se aparente que conquistar a igualdade é inevitável. Alguns agentes federais, tais como na Comissão da Igualdade de Empregabilidade já disse que nossa lei federal atual é suficiente para proteger contra discriminação LGBT.

“Nós não queremos estar do lado errado da história”, disse Anthony Scaramucci, fundador do Skybridge Capital e SALT, na conferência de hedge fund em Las Vegas. O doador político republicano e sua empresa apoiam os direitos LGBT. Caitlin Jenner será palestrante na conferência deste ano.

Parece que aconteceu relativamente de repente, mas a mudança ocorreu há décadas para os ativistas dos direitos LGBT.

“Se olhamos para o passado, no início dos anos 90, é aí que vemos empresas começando a ouvir mais e ter conversas internamente relacionadas às questões LGBT”, disse Lee Dadgett, professor de economia na Universidade de Massachusetts Amherst.

“As empresas foram as primeiras instituições a reconhecer o casamento em casais do mesmo sexo. Apenas levou um bom tempo para ver isso como uma questão relevante para a política pública, não só política interna”.
Witeck escreveu uma pequena nota com alguns pontos de discussão, em 2006,

A Extrema Direita e a Libertária/Fiscal são Criaturas Diferentes, dizendo que os defensores deveriam incentivar as empresas “para falar e resistir publicamente aos esforços de polarizar a sociedade em questões políticas ao convencê-los que as guerras da cultura inflamatória são ruins para os negócios e distorcem seus melhores interesses econômicos”. Witeck incitou seus clientes a minimizar o casamento como uma “questão bem polêmica que está desaparecendo”.

“O casamento nessa época era uma espécie de questão excepcional, era uma mudança radical na política pública”, disse ao HuffPost. “Todo mundo pensava que pelo menos no começo teríamos leis anti-discriminação no emprego”.

Mas o momentum cresceu à medida que os estados foram legalizando o casamento de pessoas do mesmo sexo. Defensores dizem que o momento da virada veio em 2011, quando a igualdade no casamento chegou à Nova York, o epicentro das finanças e local de nascimento do movimento moderno de liberação LGBT.

“Desse momento em adiante, você ouviu mais vozes corporativas ponderando de estado a estado enquanto a briga pelo casamento acontecia de estado a estado”, contou Deena Fidas, que lidera a Campanha de Direitos Humanos do ìndice de Igualdade Corporativa, ao HuffPost.

(Tradução: Simone Palma)

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

LEIA MAIS:

- 5 empresas gigantes que se destacam por medidas que ajudam a comunidade LGBT

- Agência de inteligência é eleita a melhor empresa para gays no Reino Unido

- Após lutar por seu nome social, estudante de Farmácia fecha ciclo como a 1ª transexual a se formar na UEPG

Também no HuffPost Brasil:

Close
As empresas mais admiradas pelos jovens
de
Post
Tweet
Publicidade
Post isto
fechar
Slide atual

Sugira uma correção