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Estas fotos mostram mães detonando estereótipos sobre a maternidade

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Uma fotógrafa britânica tem trabalhado para desafiar as percepções da sociedade sobre mulheres que se tornam mães ainda jovens.

O projeto de Jendella Benson, intitulado Young Motherhood ("maternidade jovem", em tradução livre), mostra lindas fotos e entrevistas com mulheres que se tornaram mães ainda na adolescência ou por volta dos 20 anos.

A artista disse ao Huffington Post que o projeto foi inspirado por amigas que se tornaram mães quando jovens. “Pude ver em primeira mãe como elas trabalharam duro para criar os filhos (...), para dar continuidade à sua formação, o que contrastava diretamente com os estereótipos de mães jovens irresponsáveis sem ambição, que só queriam receber benefícios (assistência social) e moradia do governo”, disse.

natalie e filhos
“Agora existe aquele tipo de sensação: ‘Ah, não fui para a universidade, não tive nenhuma daquelas oportunidades’. Mas, na verdade, tive um monte de outras coisas.” — Natalie

“O mito é realmente difundido e, na verdade, afeta as mulheres em termos de como são tratadas e percebidas pela sociedade, desde profissionais de saúde até estranhos na rua”, acrescentou. “Queria desafiar essas ideias bem como homenagear o trabalho e as vidas de mulheres que escolheram ter filhos quando jovens.”

Desde que começou o projeto, em 2013, Benson fotografou 27 mães e seus filhos em todo o Reino Unido. As mães incluem amigas, conhecidas e estranhas que ela encontrou por indicação de outras pessoas, além de sessões de fotos. Durante o processo, a fotógrafa aprendeu muito sobre experiências extremamente diversas.

“A maternidade [da mulher] jovem é muito complexa”, disse. “Há uma série de razões pelas quais uma mulher fica grávida e decide criar a criança, e a decisão ser mãe com pouca idade não é uma tragédia em si.”

madupe e filho
“Não queria ser enquadrada naquele estereótipo. Mas fui do mesmo jeito, porque era uma mãe jovem.” — Modupe

Agora, mãe de um bebê de 7 meses, a artista alcançou uma clareza ainda maior sobre a maternidade. “A maioria das mães, não importando a idade ou as circunstâncias nas quais se encontram, apenas quer o melhor para os filhos e para elas”, disse. “Não há diferença quando se trata de mães jovens.”

“Todos esses julgamentos sobre a moralidade e capacidade delas são irrelevantes e, na verdade, um obstáculo real, mas o impressionante é que, apesar de toda a carga colocada pelos outros, elas fazem um trabalho incrível”, acrescentou. “Isso sempre deve ser comemorado.”

Quando Benson fotografou as mães, também filmou entrevistas sobre suas experiências pessoais e conselhos para outras mães jovens. A fotógrafa compilou recentemente um pouco da sabedoria dessas mães em uma série de vídeos poderosos.

Young Motherhood Project Preview Trailer from JENDELLA. on Vimeo.

Em última análise, Benson espera que o projeto Young Motherhood desafie o preconceito e falsas percepções que essas mães enfrentam e promova a empatia e o desejo de conhecer e entender as histórias de estranhos. A importância de apoiar todos os pais, ao invés de presumir que as mães jovens merecem ser punidas por algum tipo de “comportamento errante”, não pode ser exagerada, disse.

“Queria criar algo que pudesse encorajar outras mulheres jovens que enfrentam o desafio da maternidade sob tal escrutínio e julgamento, e para que elas saibam que não são as únicas que passam por isso e que, apesar do que as pessoas possam dizer, elas não arruinaram suas vidas ou limitaram suas possibilidades.”

Confira abaixo as fotos tiradas por Benson de mulheres que se tornaram mães jovens e leia trechos das entrevistas:

  • Angella
    Jendella Benson

    “Tomamos a decisão de que, independentemente do desafio, temos de encará-lo de frente. Não acho que você possa se preparar para ter filhos, acho que é algo do dia a dia, você enfrenta os desafios à medida que eles aparecem, você os supera, olha para trás e diz: ‘Cara, aquilo foi difícil, mas superamos.”
  • Grace
    Jendella Benson

    “Lembro de estar em uma enfermaria durante um turno, estava com meu crachá e, do outro lado, havia uma foto de Daniel. Um dos pacientes viu a foto e disse: ‘Ah, você tem um filho’. Eu disse: ‘Sim, ele tem 2 anos’. ‘Ah, você não é casada?’. ‘Não, não sou casada. Somos só eu e Daniel’. ‘Bem, você ainda deve amá-lo, não?’. ‘Sim! Ele é meu filho, ainda o amo!’”
  • Sabrina
    Jendella Benson

    “A mídia e a sociedade realmente veem as mães jovens com maus olhos. Como qualquer coisa neste mundo, existe o bom e o ruim, então seja você novo ou velho, tem o bom ou o ruim. No meu caso, quando eu tinha 17 anos, sentia que era realmente desprezada, e acho que acabei me tornando uma mãe muito boa. A comunidade e o governo precisam parar de dificultar as coisas para as mães jovens, e apenas ver se você é mãe e está se saindo muito bem — retire o título ‘jovem’ porque ele não precisa estar lá.”
  • Sophie
    Jendella Benson

    “Onde eu morava na época era conhecido como [o lugar] com a maior taxa de gravidez na adolescência do país [Reino Unido], por isso todo o apoio estava concentrado onde eu estava.

    Além da minha família, tive a ajuda da Connexions [agência do governo britânico de apoio à juventude], tive uma parteira específica para lidar com gestações de adolescentes, e foi fantástico. Ainda somos grandes amigas.

    Sabia que não tinha de me preocupar sobre a escola e [ser] mãe e [fazer] tudo ao mesmo tempo. Tive pessoas que podiam me fazer ver [tudo] de uma forma simples. Ter apoio específico na adolescência impede que você se sinta muito alienada e isolada.”
  • Tanya
    Jendella Benson

    “[Eu tinha 17 anos, mas] parecia que tinha 13, então acho que estava muito consciente disso e queria que as pessoas me vissem como adulta.

    Mesmo quando estava no hospital dando à luz, senti que as parteiras me tratavam um pouco mal porque era jovem. Queria que elas reconhecessem que eu era uma mulher dando à luz, mas elas não viam assim.

    Não queria ser uma mãe jovem estereotipada, odiava o fato de parecer tão jovem empurrando o carrinho pela rua e as pessoas [vissem] aquilo. Então estava determinada a não ser o que as pessoas esperavam que eu fosse.”
  • Naomi
    Jendella Benson

    “Quando fiquei grávida, não sabia nada sobre ajuda do governo. Mesmo depois que tive [minha filha] Ella, não sabia. Não tinha noção de muitas coisas. Depois de algumas semanas do nascimento dela, minha irmã dizia:

    ‘Você sabia disso, você sabia daquilo?’ e eu: ‘Não’. Mesmo meses depois, fui ver uma profissional de saúde e ela dizia coisas como: ‘Você entrou com pedido disso ou daquilo?’.

    E eu respondia: ‘Nem sabia que isso existia’. Teria sido muito mais fácil e muito melhor se eu de fato soubesse antes de dar à luz.”
  • Lucy
    Jendella Benson

    “Olhando para trás, fiz de propósito. Não entendia o que estava fazendo na época. Havia tantas coisas acontecendo na minha vida e estava muito confusa e muito preocupada.

    Com a retrospectiva de um adulto, como alguém mais maduro e com toda as experiências que tive como mãe e alguém que conseguiu se estabelecer na vida, agora consigo ver o que estava fazendo.

    Estava tentando controlar meu ambiente, e estava tentando controlar o que estava acontecendo na minha vida.”
  • Justina
    Jendella Benson

    “Fez com que me tornasse muito determinada em fazer algo com minha vida. Basicamente, quando fiquei grávida, todo mundo me excluiu, com exceção de minha mãe.

    Disseram que eu não conseguiria atingir nada, que eu havia arruinado minha vida, que nunca teria uma família, que não conseguiria um trabalho decente. Na época, como não estava com o pai dela [da filha], ouvia:


    Quando pude, voltei para a faculdade, estudei e trabalhei; trabalhei e trabalhei de modo a não me enquadrar naquele tipo de estereótipo.”
  • Leonie
    Jendella Benson

    “Especialmente pelo fato dele também ser um menino negro, tinha de ter certeza de criá-lo de uma forma que ele não fosse considerado um problema pela sociedade.

    Apesar de ter o estigma de ser [filho] de uma mãe jovem, solteira, quero que ele saiba que não precisa ser o que as pessoas rotulam. Ele será especial, será diferente, porque foi criado da maneira certa.”
  • Dee
    Jendella Benson

    “O estigma de ser mãe jovem está crescendo devido às opiniões sobre assistência social. Acho que as pessoas realmente não gostam de pais jovens por muitas razões, mas a maioria delas é econômica.

    Não é mais aceitável ser homofóbico, racista ou sexista, mas você muitas vezes vai ouvir discriminação contra pais jovens. [Você ouve] que eles são a escória da Terra e todas as coisas que são ditas sobre a moralidade deles.”
  • Andrea
    Jendella Benson

    “Estava em um relacionamento realmente bom. Havia passado por alguns problemas de saúde antes e havia a possibilidade de que não pudesse ter filhos. Quando descobri que estava grávida, foi uma grande notícia, então contamos logo para [nossos] pais!

    Decidi ser mãe. Uma parte de mim pensou: ‘Deus, tenho 19 anos, talvez eu seja muito nova?’. Mas, em minha mente, sentia que tinha idade suficiente para lidar com a gravidez e com o bebê que estava por chegar.

    Senti que havia crescido, senti que tinha idade suficiente para ser capaz de lidar com o que estava vivenciando.”
  • Modupe
    Jendella Benson

    “Antes de eu ficar grávida, se eu visse alguém grávida e jovem sempre pensava: ‘Como podem estar grávidas? São tão jovens!’. Então, quando me vi naquela situação, dizia:

    'Ah, então pode acontecer com qualquer pessoa!’. Por isso estava muito consciente sobre as pessoas à minha volta e o que elas também pensariam sobre mim.

    Outra garota ficou grávida logo depois de mim, e lembro dela me dizendo [como eram as coisas]; era muito ruim, mas queria ser eu mesma.

    Não queria ser agrupada [com ela], como ‘mães adolescentes’, não queria ser enquadrada naquele estereótipo. Mas fui do mesmo jeito, porque era uma mãe jovem.”
  • Jennifer
    Jendella Benson

    “Abandonei os estudos, trabalhei, tive meu filho, fiz uma pausa, e, quando ele tinha cerca de 8 meses, voltei a trabalhar em tempo integral.

    Lembro que ia trabalhar com lágrimas nos olhos, porque sentia que era forçada a voltar ao trabalho, sentia que o governo estava amarrando minhas mãos. Não queria deixá-lo tão cedo. Não tinha nenhuma ajuda financeira do pai [do bebê], e realmente estava tudo nas minhas costas.

    Mesmo sendo difícil e desafiador, você simplesmente vai em frente. De alguma forma, você encontra forças para enfrentar a situação. Sempre dizia para mim mesma: ‘Não estou fazendo isso só por mim, estou fazendo isso por meu filho. Sou o mundo para ele, por isso tenho de fazer o que é preciso fazer’.”
  • Natalie
    Jendella Benson

    “Agora existe aquele tipo de sensação: ‘Ah, não fui para a universidade, não tive nenhuma daquelas oportunidades’. Mas, na verdade, tive um monte de outras coisas’.

    Conheço algumas pessoas que no momento estão com muita dificuldade em engravidar; agora estou em uma idade quando as pessoas estão planejando ou tentando ter filhos, então existe aquela sensação de um real privilégio e real benção por ter tido a oportunidade de fazer aquilo, mesmo não sendo nas melhores circunstâncias ou da maneira planejada.”
  • Chantell
    Jendella Benson

    “É uma enorme responsabilidade, mas é o que sei agora, e realmente curto o fato de que tive minha filha. Sou sua primeira professora, ela me admira e adoro isso, porque me desafia a ser uma pessoa melhor.

    Ela é realmente uma ótima garota. Às vezes gostaria de ter esperado um pouco mais, mas agora quando olho minha filha e ela tem a idade que tem, [e] eu a idade que tenho... crescemos juntas. Então não gostaria de tê-la tido antes, estou contente de que a tive [naquele momento].”
  • Charity
    Jendella Benson

    “[Tive] amigos que diziam: ‘Não, você gosta de sair, você gosta de fazer isso...’ e eu dizia: ‘mas a vida é isso? Tenho uma vida dentro de mim!’.

    Aquilo me incomodava um pouco e fiquei muito triste com algumas pessoas e, para ser honesta, até o ponto que se eles comentam sobre ele agora, como:

    ‘Ah, ele é tão lindo!’ — bem, você não achava que eu deveria tê-lo! No começo, eu era muito amarga em relação [a eles], porque me deixava triste, porque queria apoio. Nunca considerei [o aborto], tinha minhas crenças e [não] via o aborto como uma saída.”
  • Amy com Amanda
    Jendella Benson

    “Sou professora, por isso lido com jovens que ficam grávidas regularmente. Sempre digo a elas que as coisas apenas demoram um pouco mais, você pode conseguir qualquer coisa que queira conseguir, mas às vezes vai demorar um pouco mais.

    Então, fui para a universidade, mas estava apenas alguns anos atrás das minhas colegas que foram na idade tradicional. Não significa que você não possa chegar lá, mas [também] que você deve curtir seu bebê e não se envergonhar disso.”
  • Emily
    Jendella Benson

    “Ao longo da minha gravidez, eu definitivamente me tornei mais confiante. Fiquei mais confiante como mulher e senti definitivamente a transição entre ser uma adolescente e ser adulta.

    Tive de deixar muitos amigos para trás, porque não dava para ficar me divertindo com os amigos, tomar um ‘drink’ e ir ao pub, ou me meter em confusão. Tinha de planejar o futuro e me estabelecer, e fazer o que precisava ser feito.”


Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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