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Dilma rejeita novas eleições, e até senadores favoráveis já recuam

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DILMA ROUSSEFF
Igo Estrela via Getty Images
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Embora jornais tenham noticiado estratégia do governo de pedir novas eleições e haja apelo popular por um novo pleito, a presidente Dilma Rousseff descarta a hipótese. Nesta segunda-feira (2), ela confidenciou a um senador aliado - e entusiasta da proposta - que não tem a menor chance de ela encampar a ideia.

Outro senador - apontado como um dos que apoia a estratégia, Lindbergh Farias (PT-RJ) nega que haja uma movimentação para que a presidente renuncie antes do Senado julgar o afastamento e apresente uma Proposta de Emenda à Constituição chamando novas eleições para outubro.

Segundo ele, a ideia esteve forte entre petistas na semana passada, mas, após uma reunião na sexta-feira (29) com movimentos sociais, o plano foi completamente descartado.

De acordo com outro petista, na semana passada, era discutida entre correligionários uma proposta na qual a presidente apresentaria a PEC entre o instante em que o Senado aprovasse o afastamento dela e a entrega do comando do País para o vice Michel Temer.

Existia, porém, a avaliação de que qualquer movimento da presidente antes do Senado votar se o afastamento cabe ou não soaria como “desistência”.

Viabilidade

Mesmo com apelo popular, sustentado pela pesquisa Ibope que mostra que 62% dos entrevistados acreditam que a melhor saída para a crise sejam novas eleições, a medida patina no Congresso Nacional.

Um peemedebista histórico lembra que a presidente não conseguiu nem um terço dos deputados para barrar o impeachment. “Como vai conseguir dois terços para aprovar uma PEC em tempo recorde?”

O senador Cristovam Buarque (PPS-DF), um dos que assinou o pedido entregue à presidente por novas eleições, também não acredita que a medida saia do papel. “Acho que nem se a presidente abraçasse a ideia”, lamentou ao HuffPost Brasil.

A proposta de novas eleições enfrenta resistência também em outros setores. O grupo de senadores que defende a PEC tem buscado apoio nos últimos dias com presidentes partidários e entidades, mas não teve resultado positivo.

Procurada pelo grupo, presidente da Rede, Marina Silva, não é partidária da PEC. Ela continua defendendo novas eleições via cassação da chapa Dilma e Temer pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), se comprovadas irregularidades na campanha de 2014. A Ordem dos Advogados Brasileiros (OAB) ainda analisa o possível apoio.

Na oposição, DEM, PPS e caciques do PSDB já se declaram contrários. À frente da campanha da PEC, o senador Capiberibe (PSB-AP) ressalta, contudo, que alguns tucanos defendem a ideia.

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