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Cotado para o Itamaraty, José Serra considera Mercosul um ‘delírio megalomaníaco'

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JOS SERRA
Moreira Mariz/ Agência Senado
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Provável ministro das Relações Exteriores no eventual governo do vice-presidente Michel Temer, o senador José Serra (PSDB-SP) considera um dos principais blocos econômicos ao qual o Brasil parte, o Mercosul, um “delírio megalomaníaco”.

Em diversos discursos no plenário do Senado, o senador desqualifica a participação do País na rede de comércio.

"O Mercosul foi um delírio megalomaníaco, e olha que atravessou vários governos, que pretendeu promover uma união alfandegária entre Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai. Sabe o que é uma união alfandegária? É uma renúncia à soberania da política comercial”, disse ele em 4 de março de 2015.

Neste mesmo discurso, o senador contou que, quando era ministro da Saúde, foi à Índia - um país que vende muito barato - tentar abrir o comércio, mas não teve sucesso. "Sabem por quê? Porque tinha que levar o Paraguai, o Uruguai e a Argentina juntos, eles perguntando: 'O que eu levo nisso?’”.

Para ele, o "Mercosul paralisou a política de comércio exterior brasileira”. "O Mercosul é um palco para exibição da ideia de que a presidente está trabalhando”, emendou.

O tucano acredita que, ao insistir no bloco comercial, o País retrocede.

"O Brasil está, isoladamente, defendendo a posição hoje mais ortodoxa e reacionária em matéria de comércio internacional. Isso só tem uma vantagem: exime o Itamaraty de trabalhar - opa, para o Ministério do Desenvolvimento e para o Itamaraty, é uma folga, porque fazer acordos bilaterais de comércio dá muito trabalho."

Em 24 de novembro do mesmo ano o senador voltou a atacar o bloco:

"Mercosul tem um problema muito importante e o Governo nunca entendeu isso. Até hoje continua sem entender, e eu verifico que, mesmo aqui nesta Casa, há muitas dúvidas a esse respeito. O Mercosul, erradamente, além de uma zona de livre comércio, é uma zona de união alfandegária.

Ou seja, o Brasil não pode fazer acordos de livre comércio com ninguém sem carregar, no passado, Uruguai, Paraguai e Argentina, e depois, gloriosamente, a Bolívia e a Venezuela, essas potências econômicas."

Sem mudanças

Apesar das críticas, à Folha de S.Paulo, o embaixador Rubens Ricupero, ex-ministro da Fazenda - muito próximo de Serra, e o professor de Relações Internacionais da FGV, Matias Spektor, disseram não esperar mudanças no Mercosul.

"Não se sabe se transformar o Mercosul em área de livre comercio traria benefícios e a Argentina agora tem um presidente, Mauricio Macri, que não seria obstáculo a negociações comerciais. (…) Fazer reformas no Mercosul e no comércio exterior é muito complexo e geraria muitos inimigos”, disse Spektor.

Superministério

O plano do vice presidente é encorpar o ministério no comando do tucano para fortalecer o comércio exterior. Para isso, as atribuições do Ministério do Desenvolvimento da Indústria e do Comércio seriam incluídas na pasta das Relações Exteriores.

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