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Caso Theo: Precisamos acabar com a impunidade para quem maltrata e mata animais

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CACHORRO
Cachorro Theo tinha 11 anos | Facebook/Isabel Maciel
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Theo, este yorkshire muito fofo, tinha 11 anos. Ele poderia ter ido dar mais um passeio de rotina em que espalharia lambidas por onde passasse, mas Theo foi vítima brutal de uma desavença entre vizinhos.

cachorro

Durante sua caminhada ele fez xixi em uma calçada em frente a um prédio. Um dos moradores não aprovou a atitude do cachorro. Jorge Gilberto Lima dos Santos, de 52 anos, chutou o animal com violência e o pet não sobreviveu aos ferimentos.

O caso ocorreu na última quinta-feira (28), em Porto Alegre. Isabel Cristina Maciel Luz, dona do cão, denunciou a violência.

De acordo com ela, o morador ficou muito incomodado com o xixi do animal e saiu do prédio para discutir com ela. Durante a briga, Theo foi chutado e arremessado para o outro lado da rua.

Inconformada com a situação, Isabel disse ao jornal Zero Hora ter ficado incrédula diante de tamanha violência.

"O Theo voou para cima e caiu no chão. E daí não se mexeu mais. Não dá pra acreditar no que aconteceu. Quem faz isso com um animalzinho? Ele usava capa de chuva e sapatinho. Por onde eu andava, ele estava atrás de mim."

Após a denúncia da família, foi aberto um inquérito pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul para investigar o caso. O delegado Adilson Carrazzoni dos Reis é responsável pela investigação e diz já ter ouvido duas testemunhas. Para o delegado, "o comportamento deste homem foi desproporcional".

E a brutalidade não parou por aí. Um vereador foi agredido por 16 pessoas enquanto apurava o caso. Ao Zero Hora, Rodrigo Maroni (PR) diz ter registrado ocorrência na polícia. Ele estava tentando descobrir mais informações sobre a morte do yorkshire com os vizinhos do suspeito da agressão quando foi reconhecido pelo filho de Jorge Gilberto:

"Estavam os dois filhos dele, ele e mais todo o pessoal da transportadora. Eu não sabia que eles tinham esse negócio por ali. Fui falar com vizinhos para entender o que aconteceu. Um dos filhos dele me reconheceu e disse que ia me quebrar. Eles vieram em umas 16 pessoas. Quebraram meu celular, me bateram com barra de ferro nas costas, socos na cara. Me bateram com capacete. Eles estavam armados também, com dois revólveres."

Diante de tanta violência, uma tentativa de propagar a paz.

Em memória a Theo e aos outros tantos animais que são vítimas de maus tratos, no domingo (1º) ocorreu uma "cãominhada" em defesa da justiça dos bichinhos. Cerca de 200 pessoas participaram do ato no bairro gaúcho de Santana, de acordo com o G1.

Outros vizinhos afirmaram ao G1 que o autor do crime já havia agredido mais animais.

“Ele já fez com outros. O vizinho do prédio da frente, ele bateu no vizinho, porque o cachorro acabou fazendo xixi na calçada dele."

O outro lado

Ao Diário Gaúcho, o suspeito de cometer a violência contra Theo falou sobre o ocorrido. Em um primeiro momento, Jorge Gilberto nega as acusações:

"Nunca encostei nele. Ela estava com o cachorro na coleira, como poderia ter chutado ele? Não sei como tudo isso aconteceu com o animal, mas eu não encostei nele. Ele já era um cachorro velho, tinha 11 anos. Dava para perceber que ele já andava com certa dificuldade."

Ao ser novamente questionado sobre os ferimentos do animalzinho de estimação, porém, Gilberto disfarça e argumenta que trata-se de um assunto privado que deve ser discutido apenas com a justiça.

"Se eu fiz ou se eu não fiz é uma questão que eu tenho que acertar na Justiça. Existe lei para isso. Ninguém tem nada a ver com a história. Se eu for condenado ou absolvido, é um problema meu com a Justiça."

Mas qual lei protege os animais?

Em 2015, foi aprovada na Câmara a lei que torna crime matar e abandonar animais. Ela está em tramitação para aprovação no Senado.

Caso aprovada, as penas ficam mais duras se o crime tiver requinte de crueldade, como uso de veneno, fogo, for por asfixia, espancamento, tortura ou arrastamento. Nesses casos, a pena de detenção de um a três anos será aumentada em um terço.

A penalização também aumenta se o crime for executado por mais de uma pessoa.

Quem abandonar um bichinho também enfrentará uma ação penal, sob pena de detenção de três meses a um ano.

O autor do projeto, deputado Ricardo Tripoli (PSDB-SP), argumentou que é comprovado que pessoas que agridem animais também podem atentar contra a integridade física ou a vida de pessoas.

"Há correlação. O início da prática e o desprezo pela vida do outro se inicia na agressão contra os indefesos."

Há diversas maneiras de se denunciar uma violência ou maus tratos contra animais. Aqui há um modelo de notificação disponível para qualquer cidadão.

Precisamos acabar com a impunidade.

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