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Deputado suspeito por 'máfia da merenda' não deixa alimentos entrarem em ocupação da Alesp

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O presidente da Alesp, Fernando Capez (PSDB), suspeito de receber propina de cooperativas que fornecem merenda para o Estado, afirmou na noite de terça-feira (3) que não vai autorizar a entrada de alimentos para os estudantes que ocupam a Assembleia de São Paulo (Alesp).

Capez não estava no plenário no momento em que os estudantes ocuparam o local. Após receber uma comissão de estudantes, o deputado decidiu que eles terão apenas acesso ao banheiro e a água durante a ocupação.

Os estudantes estenderam faixas com os dizeres "Alesp Ocupada" e "CPI da Merenda Já", subiram em mesas e cadeiras usadas pelos deputados e montaram uma barraca na frente do espaço reservado à Mesa Diretora da Casa.

A assessoria da Alesp informou que o presidente da Casa vai protocolar na tarde desta quarta-feira um pedido de reintegração de posse do plenário.

O tenente-coronel Reinaldo Priell Neto, chefe da Assessoria Militar do Legislativo, afirmou nesta terça-feira que deputados do PT facilitaram a entrada do grupo no plenário da Casa. Imagens de celular mostram o deputado João Paulo Rillo (PT) empurrando um PM que tentava conter a ocupação no fim da tarde.

"Ainda não falei com ele para saber o que aconteceu. Mas dizer que o PT participou disso é uma calúnia e quem disse terá de provar", afirmou o líder do partido, Zico Prado.

“A gente ocupou com uma pauta muito clara, que é a abertura imediata da CPI para investigar o roubo da merenda. Desde o início do ano a gente vem denunciando o roubo da merenda e, até agora, a Alesp não abriu a CPI por falta de quórum, por uma indisposição dos deputados em assinar a abertura da CPI”, disse o presidente da União Paulista dos Estudantes Secundaristas (Upes), Emerson Santos, à Agência Brasil.

Corte de R$ 44 milhões

Segundo levantamento do jornal O Estado de S. Paulo, os investimentos feitos pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB) no Programa Estadual de Educação Profissional e Tecnológica caíram 36,3% em 2015.

Dados da Secretaria Estadual da Fazenda mostram que foram aplicados pelo Centro Paula Souza no ano passado R$ 44,1 milhões a menos do que em 2014 em obras, instalações e compra de equipamentos e material educativo nas Escolas Técnicas Estaduais (Etecs) e Faculdades Tecnológicas (Fatecs).

Em nota, o Centro Paula Souza informou que o “orçamento da instituição prevê recursos para todas as suas áreas, e não apenas para as Etecs”, e “vem priorizando não mais a construção de novas unidades, mas justamente a melhoria da estrutura das existentes”.

O corte de gastos é uma das queixas dos estudantes que ocupam desde quinta-feira (28) a sede do Centro Paula Souza, na região central de São Paulo. Além do prédio administrativo da autarquia, outras quatro Etecs na capital estavam ocupadas na terça-feira .

O motivo principal dos protestos é a falta de merenda nas escolas (23 unidades não recebiam nada) e as denúncias de supostos desvios de recursos da alimentação escolar. Segundo as investigações da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo, o esquema pode ter movimento cerca de R$ 2 milhões em propinas.

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