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'Nunca misturei religião com com política', diz bispo da Universal cotado para Ciência e Tecnologia

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MARCOS PEREIRA
Douglas Gomes/PRB
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Indicado do PRB para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação de um eventual governo Michel Temer (PMDB), o presidente nacional do partido, Marcos Pereira, rebateu nesta quarta-feira (4) as críticas da comunidade científica à sua possível indicação ao cargo. Bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, o dirigente disse que nunca misturou religião com trabalho ou com política.

"Religião é uma questão de foro íntimo. Nunca misturei religião com trabalho ou com política. Nunca fiz e não é agora que vou fazer."

Segundo Pereira, prova disso é que, em 2005, fez sua monografia de conclusão do curso de Direito defendendo que aborto de feto anencéfalo (sem cérebro) não pode ser crime, antes de o Supremo Tribunal Federal (STF) decidir sobre a questão, em 2012.

Apesar de o PRB ter uma bancada majoritariamente evangélica, o presidente do partido afirmou que a religião não influencia na atuação dos quadros da legenda.

"Por exemplo, a presidente Dilma Rousseff ligou para o bispo Edir Macedo (que tem forte influência sobre o PRB) para que ele revertesse a posição do partido sobre o impeachment, mas ele disse apenas que iria orar por ela e que ela precisaria falar comigo", contou Pereira.

O dirigente disse que, após acertar com Temer no início da semana que o PRB ficaria com Ciência e Tecnologia, já começou a ouvir representantes da comunidade científica. Após o acerto vir a público, entidades do setor criticaram a possível indicação, afirmando que não é possível misturar religião e ciência. "Quando virem minha atuação, vão ver que não é assim", rebateu Marcos Pereira.

Ao Blog do Fernando Rodrigues, o bispo disse que, embora seja criacionista, respeita o darwinismo.

“Como cristão, acredito na teoria do criacionismo. Mas não influenciaria no papel como ministro pois religião e ciência podem andar juntas. O ministro tem que ser político e gesto", disse ao Blog.

Negociação

Michel Temer ofereceu Ciência e Tecnologia ao PRB no lugar do Ministério da Agricultura, pasta cobiçada inicialmente pelo partido e que deve ser entregue ao PP. Antes de a legenda aceitar, aliados do vice-presidente chegaram a oferecer outras duas pastas ao PRB: Previdência Social e Secretaria Especial dos Portos. A cúpula do partido, no entanto, rejeitou as duas.

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