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A imensa lista de maldades de Eduardo Cunha como presidente da Câmara

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A ficha enorme de suspeitas e acusações de corrupção já foram listadas no blog "Eduardo Cunha: Tchau, Querido!".

Mas o até poucas horas presidente da Câmara tem em seu currículo outros grandes problemas, como a sequência de atropelos promovidos por ele em benefício próprio, de seus aliados e das pautas que ele defende.

Votações repetidas, derrotas revertidas, reviravoltas eternas e manobras no processo contra ele na Comissão de Ética da Câmara.

Abaixo segue uma pequena retrospectiva das "maldades" de Cunha como presidente da Câmara:

1. Se o resultado não agradar...

Deputadas se revoltaram contra mais uma manobra do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e subiram à mesa do plenário na noite de 27 de abril deste ano.

Isso porque o presidente da Câmara não considerou o resultado inicial e manobrou para adiar a deliberação da matéria. Para completar, fez uma nova votação e convenceu os oposicionistas de que, sem os novos colegiados, eles poderiam ficar sem vagas.

Diversas deputadas criticaram o uso da expressão "direito do nascituro", por se tratar de uma nomenclatura que, segundo elas, reforça posição contrária aos que defendem o direito de as mulheres decidirem sobre a própria gravidez.

Como resultado, as deputadas ocuparam a Mesa Diretora. Moema Gramacho (PT-BA) e Luiza Erundina (PSOL-SP) foram duas das principais articuladoras da ocupação da cadeira de Cunha.

Com a palavra, Erundina:

“Quem sabe das necessidades e dos interesses das mulheres somos nós mulheres. Não aceitamos que nenhum homem nos substitua para dizer quais são os nossos direitos”, disse a deputada Luiza Erundina (PSOL-SP). “Nós somos mais de 50% da população brasileira e somos menos de 10% nessa casa. Essa desvantagem na representação é um déficit na democracia brasileira e essa proposta vem comprometer as conquistas das mulheres brasileiras”

2. Retaliação

Alvo de inúmeros ataques durante os últimos discursos no plenário da Câmara, o presidente da Casa, Eduardo Cunha, que tem sido chamado de corrupto, bandido e gangster, durante pronunciamentos de parlamentares da base governista, confirmou que entraria com medidas de retratação.

“Vou entrar com queixa-crime no Supremo Tribunal Federal e representar na Corregedoria da Câmara contra todos que estão saindo da crítica política e partindo para a agressão e ofensa pessoal”, afirmou.

3. Obscurantismo e pautas conservadoras em alta

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Em entrevista exclusiva ao HuffPost Brasil, Jean Wyllys (PSOL-RJ), comentou o papel de Cunha na aprovação e votação de pautas contra os direitos humanos.

Se o golpe for consumado, vai ser muito ruim para os trabalhadores, os mais pobres, as mulheres, os negros e negras, LGBTs e todos os setores oprimidos da sociedade. É só analisar quais são os setores que estão apoiando o golpe para a gente antecipar o que pode vir: a bancada evangélica fundamentalista, a bancada da bala, os grupelhos fascistas, a FIESP, as elites, as corporações econômicas e a quadrilha de deputados envolvidos na Lava Jato, liderados pelo réu Eduardo Cunha, investigado pelos crimes de lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas.

Essa gente tem uma agenda que é pública. Em primeiro lugar, enterrar a Lava Jato, para que as investigações não ameacem sua liberdade. Em segundo lugar, aprofundar o ajuste fiscal e as medidas anti-trabalhistas: se o governo Dilma foi muito ruim nesse sentido, o programa de governo lançado meses atrás pelo PMDB sob a liderança de Michel Temer deixa claro que o ajuste que eles pretendem fazer será ainda mais duro para os trabalhadores.

Em terceiro lugar, eles vão querer avançar com a agenda conservadora e contrária aos direitos humanos que começou a ser impulsionada na Câmara dos Deputados desde que o réu conquistou a presidência da casa: estatuto do nascituro contra os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres, estatuto homofóbico contra as famílias, "cura gay", "orgulho hétero", mais criminalização da juventude, dos mais pobres e dos usuários de drogas, revogação do estatuto do desarmamento, etc.

4. O 'Rei das Manobras'

Réu na Lava Jato por corrupção e lavagem de dinheiro, Cunha é alvo de processo no conselho que pode levar à cassação de seu mandato. Em abril, o Banco Central enviou documentação em que comprova a manutenção de recursos do parlamentar no exterior não declarados à Receita Federal.

Nada disso, porém, foi suficiente para retirar Cunha do cargo. O motivo? A enorme força mediante os demais deputados. O Conselho de Ética na Câmara tornou-se um salão de festas particular do deputado.

No dia 19 de abril, por exemplo, em mais uma ação em benefício de Cunha (PMDB-RJ), o deputado Waldir Maranhão (PR-MA) limitou o trabalho do Conselho de Ética.

Em resposta a uma questão de ordem do deputado Carlos Marun (PMDB-MS), Maranhão proibiu o colegiado de usar provas que não tratem do tema central da representação: a acusação de Cunha ter mentido à CPI da Petrobras ao negar ter contas no exterior.

5. Aliados fiéis

A votação do impeachment acabou como uma vitória pessoal de Cunha e sua forma de comandar a Câmara. No dia seguinte à pela abertura do processo contra a presidente Dilma Rousseff, aliados já tratavam abertamente conceder anistia a Cunha.

Defensor do impeachment e próximo a Cunha, o deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) saiu em defesa do presidente da Câmara:

“Eduardo Cunha exerceu um papel fundamental para aprovarmos o impeachment da presidente. Merece ser anistiado”, disse ao Congresso em Foco.

Tia Eron (PRB-BA), integrante da bancada evangélica, assim como Cunha, e admiradora do peemedebista foi outra que apoiou a anistia a Cunha:

“É um presidente que fez essa Casa produzir como nunca, que limpou as gavetas de projetos que estavam parados, tem minha admiração e meu respeito”, disse naquele dia 18 de abril pós votação de impeachment.

6. Chantagens

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Em entrevista coletiva no início da tarde do dia 17 de abril, minutos antes de iniciar a sessão de votação do parecer que dá prosseguimento ao impeachment, Cunha lembrou o número recorde de pedidos para afastar a petista.

“Foram 50 pedidos, dos quais 39 eu rejeitei. Aceitei um e ainda há outros dez que podem ou não serem aceitos. Isso não é normal, é um sinal claro de conjuntura desfavorável.”

Cunha também foi duro quanto aos que planejavam votar na segunda chamada do impeachment. Ele pediu aos parlamentares que assumam suas responsabilidades.”É perda de tempo”.

7. Amigo meu...

O rito do impeachment determinado por Eduardo Cunha irritou boa parte dos deputados contrários ao impedimento da presidente. O ex-líder do PT, deputado Henrique Fontana (RS) foi um dos mais exaltados:

“Para os meus inimigos, horas, mesmo que para apresentar uma defesa sem provas. Para os meus amigos, entre eles, Temer, prazo eterno, postergar infinito na instalação dessa comissão.”

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