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A CPI da Merenda não saiu (nem deve sair), mas luta dos estudantes de São Paulo avança

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midia ninja estudantes

Os estudantes da rede pública de São Paulo tiveram de deixar logo cedo o Centro Paula Souza (CPS), autarquia das Escolas Técnicas Estaduais (Etecs). Houve, novamente, casos de abusos por parte dos policiais militares, com estudantes sendo arrastados e um jornalista que acabou ferido.

Nesta tarde foi a vez de um grupo de 50 jovens deixarem a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) após quatro dias de ocupação. A saída aconteceu após uma decisão judicial que garantia reintegração de posse. A Justiça, aliás, estipulou uma multa altíssima por estudante que não cumprisse a ordem: R$ 30 mil.

Quer dizer que as ocupações não tiveram sucesso? A resposta é outra. Algumas conquistas são evidentes.

Os estudantes estarão na Comissão de Educação e Cultura, marcada para a semana que vem. A ideia é que eles sejam ouvidos pelos deputados e é uma nova chance para parlamentares abrirem a CPI da Merenda.

O controle do governo Geraldo Alckmin (PSDB) é enorme na Alesp. Atualmente, a CPI da Merenda tem 25 assinaturas a seu favor. Mas ainda faltam sete para dar prosseguimento ao processo.

A luta pela CPI continua difícil, é verdade.

Mas há conquistas:

Ainda nesta sexta-feira, o diretor da Escola Técnica (Etec) São Paulo, Nivaldo Freire, disse que alunos de período integral terão marmita. A medida vale a partir de agosto para todas as Etecs.

"O pessoal do integrado ou quem fica o dia todo na escola poderá optar pelo marmitex na hora do almoço ou as duas opções de merenda seca. Só quem fica meio período continuará com a merenda seca", afirmou, ao G1.

Atualmente, são 213 mil estudantes nas Etecs. No ensino integrado são 52 mil alunos, e, até hoje, 35 mil deles tinham garantida a alimentação. Com a nova proposta, 17 mil estudantes podem ser contemplados, como relata a Folha de S. Paulo.

Lembrando que no início da semana o governo de São Paulo já havia garantido a merenda seca (bolachas, sucos e barras de cereais) aos estudantes dos cursos técnicos. Também serão construídos refeitórios e cozinhas em dez unidades, como informa o jornal O Estado de S. Paulo.

Informa o G1 que o Ministério Público do Estado de São Paulo abriu, também nesta sexta-feira, duas investigações relativas aos protestos levantados por alunos da rede estadual de educação.

O promotor João Paulo Faustinoni e Silva, do Grupo de Atuação Especial de Educação (Geduc), pediu detalhes ao Centro Paula Souza sobre o fornecimento de merenda aos alunos das Etecs. Os alunos protestam contra a qualidade da merenda e pelo fato de o fornecimento não ocorrer em todas as unidades de ensino técnico.

O promotor abriu outra investigação para apurar a possível falta de normatização e institucionalização de práticas de gestão democrática no ensino estadual.

Antes das ocupações, o número de pessoas que sabia da chamada "máfia da merenda" era certamente menor. Hoje, segundo a página Mal Educado no Facebook - que é mantida pelos estudantes -, 14 escolas estão ocupadas em São Paulo, duas estaduais e 12 técnicas.

A Primavera das Escolas segue. E com algumas vitórias.

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