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Estas mães da ficção fogem do ideal de maternidade e não são menos incríveis por isso

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O QUARTO DE JACK
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Uma mãe preparada, dedicada, amorosa, compreensiva, que sabe tudo, sempre forte e poderosa, disposta a renunciar a tudo em prol dos filhos. Com maternidade automática e ativada logo após o parto. Essa é a mãe idealizada, conectada com a perfeição e totalmente afastada da falência.

É uma mãe real? Nossas vidas dão a resposta: não. Essa mãe é forjada sobre uma expectativa, muitas vezes é cruel, na medida em que se transforma em uma pressão da sociedade.

As mães, assim como qualquer ser humano, são falhas, imperfeitas, vulneráveis, com defeitos e não menos incríveis e dignas de amor. São únicas, e é nessa singularidade que reside cada afeto, cada conflito e, felizmente, cada resolução.

Se no dia a dia fica difícil suportar que as mães não sejam as super-heroínas que enxergamos na nossa infância, o cinema dá uma ajudinha, retratando mães nada idealizadas. Quem sabe com a ficção podemos pegar emprestada a empatia – e aplicá-la em todas as nossas realidades, cruas ou fantasiadas.

Reunimos algumas delas:

Ma (O Quarto de Jack , 2015)

o quarto de jack

Ma (Brie Larson) é mãe de Jack, o adorável garotinho de 5 anos que dá nome ao filme. Ele nasce e cresce em um quarto, considerado por ele o seu mundo. A mãe cuida de enriquecer essa realidade “pobre” e cruel imposta a ela e ao menino (no filme descobrimos que a violência os confina naquele lugar) criando para ele um mundo de fantasia tão realista e cheio de encantos que a criança sequer percebe que vive em um cativeiro.

Ma engravidou à queima-roupa quando ainda era adolescente. A criança tem uma ligação direta e simbólica com toda a violência que ela sofreu. E ainda assim, não é a experiência do abuso que ela enxerga em Jack. Nele, ela enxerga motor e continuidade da vida, além de possibilidade de liberdade.

Quando finalmente saem do cativeiro, Ma é obrigada a reencontrar Joy, a menina que ela era antes de ser sequestrada. A depressão e a consciência da terrível experiência vivida começam a vazar por todos os relacionamentos dela, e começamos a acompanhar o despedaçamento emocional e psíquico desta mãe. Ela falha, não dá conta, desiste e se afasta para poder cuidar de si. Sua vulnerabilidade acaba por ser sua única maneira de reencontrar a força para continuar a viver e para ser a mãe de Jack. Entre trancos e barrancos, ela vai deixando amor, ternura e imperfeição no caminho.

Eva Khatchadourian (Precisamos Falar Sobre o Kevin, 2011)

precisamos falar sobre o kevin

O fato de não desejar a maternidade costuma conectar Eva (Tilda Swinton) às atitudes do filho, Kevin, que no filme manifesta seu total desprezo por pessoas. Mas não há relação comprovada, nem nos cabe julgar – a culpa é da mãe quando o filho escolhe um caminho considerado “monstruoso”? Eva se pergunta isso o tempo todo, e assume o que ela considera sua parcela de responsabilidade.

Ela não desejou o filho, e ainda assim escolheu dar prosseguimento a uma gravidez não planejada. Ela não sabe como agir com a criança e com o adolescente que ele se torna. Ela percebe que o comportamento dele – cruel e sem empatia – é preocupante, e ouve do marido que ela está implicando com o garoto. Ela duvida do amor que tem para oferecer, tenta evocar esse amor de algum lugar, e se recrimina por perceber que o laço com o filho é sustentado por uma condição biológica.

Quando Kevin é condenado, ela não hesita em oferecer a ele seu afeto, mesmo que “limitado” e distante do que se costuma esperar de uma mãe.

Elaine Miller (Quase Famosos, 2000)

quase famosos

Elaine (Frances McDormand) é mãe do garoto William Miller, que com 15 anos cai na estrada para cobrir e escrever sobre a turnê da banda Stillwater. Ela é o que chamaríamos de “um barato”. Elaine proíbe os filhos de ouvirem discos de rock, liga para o garoto em horários inconvenientes, dá bronca generalizada em quem estiver convivendo com ele.

É uma mãe excessivamente zelosa, e com atitudes possessivas, de quem não quer “perder a cria para o mundo”. Ela não “abre mão” do filho automaticamente quando ele decide correr atrás dos próprios sonhos. Ela o faz se sentir culpado, exige reciprocidade, o envergonha e se recusa a se separar dele. Ela não é idealizada porque tenta impor ao filho seus desejos, e precisa se reorganizar como mãe ao perceber que ele não está seguindo a cartilha que ele escreveu.

Juno MacGuff (Juno, 2007)

juno

Juno (Ellen Page) tem 16 anos, ficou grávida de seu namorado, Paulie Bleeker, e bebe litros de suco para “desconfirmar” o que o teste da farmácia já tinha denunciado: segundo a natureza, ela já é uma mãe.

Mas Juno não se enxerga na função materna, e começa a buscar uma mãe adotiva para o bebê. Durante a busca, ela age de maneira prática e racional, mas nem o sarcasmo, nem a visão peculiar que ela tem do mundo impedem que ela comece a desenvolver relações de afeto com as pessoas envolvidas nesta “tarefa”. Ela, inclusive, se comove ao conhecer o próprio bebê, logo depois de gerá-lo.

Juno passa a ter uma simpatia pela mulher que será mãe de seu bebê, e transfere para ela a “capacidade” de dar à criança tudo aquilo que ela necessita – e que Juno presume não ser capaz. A adolescente escolhe – e neste caso, teve a possibilidade de escolher - não ser mãe.

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