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Dilma, Temer ou novas eleições? O que querem os eleitores da zona leste de São Paulo

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"O mundo é diferente da ponte prá cá". Mano Brown, dos Racionais MC's, falava sobre o Capão Redondo na letra de um dos sons do álbum Nada Como Um Dia Após o Outro Dia, mas a sentença vale para boa parte dos bairros periféricos de São Paulo.

A letra de Brown é um testemunho que ressoa nos ditados populares das franjas da maior cidade brasileira em poucos segundos de conversa. O tal "aqui é diferente" é quase um mantra.

Mas será verdade mesmo?

O HuffPost Brasil decidiu verificar como pensam os eleitores residentes de dois dos principais bairros da zona leste paulistana, a área mais populosa e a que mais sofre para se conectar ao Centro e aos principais servições da metrópole.

De saída já dá para dizer que o que se ouve também nos Jardins ou Higienópolis não é diferente por lá: ninguém parece satisfeito e todo mundo espera ansiosamente por alterações drásticas em nosso cenário político. E rapidamente, de preferência.

A nossa pesquisa, que não tem rigor científico - mas busca humanizar e dar rosto e voz aos votos - optou por visitar dois perfis eleitorais bastante distintos: São Miguel Paulista, que deu a Aécio Neves 56% dos votos na eleição do segundo turno presidencial, em 2014, e Cidade Tiradentes, tradicional bolsão petista na periferia, que viu a preferência por Dilma subir de 46% para 61% dos votos entre o primeiro e o segundo turno da última eleição - que parece nunca ter acabado.

Para todos eles, a insatisfação é enorme. Saúde, custo de vida e preços nos supermercados em alta e incompetência são algumas das principais reclamações.

Mas puramente a saída de Dilma, mesmo para o eleitores que querem seu impeachment, não é vista como solução. "O PMDB é uma farota. Partido feito de gente oportunista", conta João Oliveira, morador de Cidade Tiradentes que votou em Aécio Neves e se considera conservador.

O que é melhor então?

"O TSE cassar a chapa Dilma-Temer e convocar outra eleição", opina ele.

A fala de novas eleições foi unânime entre nossos entrevistados. Independente do espectro político, a confiança em um eventual governo Michel Temer começa "micada".

O ideal - ainda que inimaginável neste momento - é que as pessoas decidam novamente:

"A população ter uma nova opção, ter uma nova escolha. Eles políticos é quem estão opinando. E se tiver uma nova escolha, nós vamos opinar", diz Regina Cardozo, moradora de uma área ocupada nos fundos da Cidade Tiradentes, que votou em Dilma.

Descontentes, independentementemente da opção política que fizeram em 2014. Mas ainda acreditando no poder do voto. É assim que pensa a zona leste.

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