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Gloria Steinem dá entrevista à Cosmopolitan e fala sobre seu novo documentário feminista

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Gloria Steinem é uma daquelas mulheres de quem deveríamos imprimir uma foto e colar na porta da geladeira para nos inspirar todas as manhãs antes de sair de casa.

A americana é conhecida por seu engajamento com o feminismo e quer nos lembrar como somos fortes e incríveis do jeito que nascemos.

Em seu mais novo projeto, o documentário Woman, Gloria viajou pelo mundo para mostrar que questões como casamento infantil, multilação genital feminina e sexismo não são "coisas" do mundo feminimo. Para ela, mostram como nossa sociedade não funciona bem.

Leia a entrevista dela e reflita. Vai valer a pena.

Um tema que é muito discutido no documentário é a ligação entre a pobreza e o sexismo. Por que a pobreza afeta mulheres e meninas de várias maneiras no mundo todo e não afeta os homens da mesma forma?

Tem relação com o trabalho que as mulheres fazem. Alguns homens fazem também, mas é 90% feito por mulheres, como cuidar de crianças, idosos ou pessoas com deficiência. Essa é uma parte do problema, mas o que ainda é mais sério é a desigualdade de salários para o mesmo trabalho. E como não discutimos isso como parte das questões econômicas globais, perdemos um grande estimulo para a economia. Não é para encher os bolsos dos bancos, mas sim para pagar as mulheres de todas as raças igualmente pelo trabalho que já estão fazendo. Isso colocaria 200 bilhões de dólares a mais na economia e faria mais diferença que os ajustes no sistema financeiro de alto nível tem feito.

Qual problema que meninas e mulheres enfrentam mais te surpreendeu fazendo a série?

É claro que por muito tempo não podeira haver problema mais central que metade das mulheres é tida como superior à outra metade, o que normaliza a hirarquia, o racismo, as classes e castas. Não poderia haver nenhuma preocupação mais forte que essa, já que esse sistema veio com o fim de controlar a reprodução. Temos nos afastados de culturas nas quais as mulheres controlam seus próprios corpos e decidem quando e se vão ter filhos ou não. Isso leva a alienação e a violência que vemos, por uma sociedade dominada por homens ou pessoas brancas. E nós estamos, eu espero, ajudando a chamar atenção e dizer "Não, nós estamos todos conectados".

Você está dizendo que se acabarmos com esse desejo de controlar a reprodução, acabaremos com o sexismo?

Sim, sim. Porque a democracia começa na família. Você não pode ter democracia sem feminismo. É improvável ter democracia na rua se você não tem dentro de casa. Se as pessoas crescem esperando fazer parte de um hirarquia é difícil que queiram fazer parte de um círculo.

Pela política económica externa ter um grande impacto na vida de milhões de mulheres e meninas em todo o mundo, como você acha que uma possível presidência de Donald Trump afetaria a vida das mulheres?

Nós não poderíamos ter uma escolha mais preocupante do que Trump, que é uma pessoa muito hierárquica, para dizer o mínimo. Hillary Clinton foi a primeira secretária de Estado a trazer as questões feministas nas discussões de política externa. Ela foi à Conferência Mundial da Mulher em Pequim [ em 1995 ] e declarou: "Os direitos das mulheres são direitos humanos". Esse foi um momento muito importante na época porque havia mulheres líderes de todo o mundo. Ela se tornou, a partir desse momento, uma porta-voz da igualdade em outros países, bem como aqui. Ela fez disso um elemento da política externa - não o suficiente, mas pela primeira vez.

Cada episódio chama atenção a um tema específico. Que tipo de mudança você está esperando com esse documentário?

O documentário é feito por uma mulher experiente que anda através de um mundo real, fazendo perguntas, de modo que o espectador vê a resposta do mesmo jeito que o entrevistador viu. Assim, ele é testemunha de tudo isso. As pessoas que estão passando por momentos difíceis, como você ou eu, qualquer um quer ter uma testemunha, que não estamos sozinhas. Então a questão é como ajudar. Assim, tendo sido uma testemunha, esperamos que os espectadores queiram começar a agir.
Para as mulheres e homens que não podem ir para a Zâmbia, que não pode ir dentro das prisões, que não podem ir para El Salvador, [a série] oferece uma chance de ser uma testemunha e ser um ativista. Se não podemos vê-lo, não podemos saber qual é a situação, qual é a verdade, o que a conexão humana é. Ela cria uma ponte.

O primeiro episódio do documentário vai ao ar dia 10 de maio, no canal do YouTube Viceland.

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