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'Black Vegans Rock': Conheça Aph Ko, ativista que luta pela presença negra dentro do movimento vegano

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black vegans

As procuras por “pessoas veganas” no Google geralmente rendem inúmeras imagens de pessoas jovens, sorridentes e sobretudo brancas. Uma das primeiras fotos que mostra uma pessoa de pele escura é a imagem do rosto de uma criança negra com ar tristonho, com a legenda: “Quando você come carne, ela fica sem comer”.

Com sua nova plataforma, Black Vegans Rock, Aph Ko quer mudar a imagem popular dos veganos convencionais. “Muitos negros querem ser veganos. Mas, quando a gente vai procurar online, se defronta com uma versão realmente branca do veganismo”, disse Ko, 26 anos, ao Huffington Post. “Você começa a achar que isso não serve para você.” Aph

Ko é vegana há mais de dois anos, e, para combater essa situação, criou sua própria pequena comunidade de veganos negros, pessoas que compartilham sua frustração. Ela redigiu uma lista que destaca cem veganos negros. A lista evoluiu a acabou se convertendo na plataforma Black Vegans Rock (algo como “veganos negros são o máximo”), que destaca, conecta e educa veganos negros diariamente, em um esforço para modificar a narrativa convencional.

A dieta vegana exclui qualquer tipo de carne e qualquer produto de origem animal. Apesar do número crescente de veganos negros nos Estados Unidos, a representação negra no movimento geralmente se limita a algumas poucas celebridades dentro do movimento vegano.

Aph Ko afirma que isso não acontece apenas porque os veganos negros não queiram ser visíveis, mas porque são ignorados por partes do mundo vegano.

“A defesa dos direitos dos animais começou a virar praticamente uma ‘identidade racial’ para pessoas brancas. Então, quando negros se envolvem nesse movimento, os brancos começam a nos falar o que é certo e errado. E isso impede muitos negros de avançar. A gente começa a perceber que alguns negros seguem uma trajetória diferente para chegar à defesa dos direitos dos animais ao veganismo, um caminho que passa pelo antirracismo.”

Algumas poucas organizações de defesa dos direitos dos animais se esforçam para destacar os veganos negros. A PETA (Pessoas a favor do Tratamento Ético aos Animais), por exemplo, já trabalhou com veganos negros influentes como o rapper RZA, do grupo Wu Tang, e o humorista e ativista Dick Gregory, que vincula o racismo a disparidades de saúde entre negros. Mesmo assim, o “rosto” mais conhecido do veganismo é muito branco.

Alguns grupos de defesa do veganismo chegam a utilizar messagens e imagens racistas para transmitir seu recado. Em 2015, a conta Veganoso comparou escravos linchados no século 19 a animais abatidos, enquanto a Vegan Revolution tuitou: “as vidas negras têm importância (uma referência ao movimento Black Lives Matter) –mais que as de frangos ou vacas, parece”.

tweet
Só as vítimas mudaram
RACISMO DISCRIMINAÇÃO POR ESPÉCIE

Em 2015 o Veganoso, uma conta no Twitter que defende os direitos dos animais, postou esta foto comparando um homem linchado a um porco abatido. De lá para cá a conta deletou a imagem.

Aph Ko diz que não culpa potenciais veganos negros por se sentirem desencorajados com essas atitudes preconceituosas. Com a plataforma Black Vegans Rock, ela quer abrir a conversa para participantes negros e outras pessoas de cor, eliminando o “filtro de brancura” geralmente aplicado na discussão dos direitos dos animais.

“Na nossa imaginação cultural, a pior coisa que se pode ser é um animal. E ninguém sabe disso melhor que os negros, que há gerações são chamados de animais pelos brancos, são maltratados e torturados”, disse Ko ao HuffPost.

“Se a pessoa é branca e quer chamar a atenção para animais –que ocupam um lugar realmente baixo na sociedade –e se ela, para isso, emprega imagens de um grupo oprimido sem analisar essa opressão, ela só pode esperar uma reação negativa. É aí que entramos nós, veganos negros.”

Ko e sua equipe de assessoria no Black Vegans Rock, composto de acadêmicos, empreendedores e ativistas veganos influentes, querem “reformular a relação dos negros com os animais” e desmontar a hierarquia universal de opressão, na qual, segundo ela, “as pessoas brancas estão no alto, os animais estão no degrau mais baixo e as pessoas negras estão em algum lugar intermediário”.

Ela quer que sua plataforma funcione como um espaço onde veganos negros possam compartilhar suas histórias e negros que não são veganos possam aprender mais sobre o estilo de vida vegano, se quiserem.

Seguir uma dieta vegana pode parecer um modo de vida privilegiado, considerando que o acesso a alimentos apropriados é parco em desertos alimentares e outras áreas de baixa renda. Aph Ko reconhece esse fato.

Ela quer educar pessoas para que saibam que não precisam gastar seu salário inteiro em lojas como a Whole Foods se quiserem ser veganas. Ela oferece dicas como cultivar seus próprios alimentos e comprar vegetais ao atacado, para reduzir os custos.

“O que impede muitas pessoas de implementar esse estilo de vida político tem a ver principalmente com estereótipos, ou porque ele (o veganismo) é associado à raça branca ou porque as pessoas supõem que a única maneira de viver é como a opinião convencional recomenda.”

“Ser vegano não quer dizer ser perfeito e não é um esforço para emagrecer”, falou Ko. “Não tem a ver com nada disso. Tem a ver com esforçar para ter um estilo de vida marcado pela compaixão –e que também é o melhor para nossa saúde.”

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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