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Para governistas, afastamento de Cunha abre espaço para impeachment de Temer

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TEMER CUNHA
Brazil's Vice President Michel Temer (L) is seen near President of the Chamber of Deputies Eduardo Cunha during the Brazilian Democratic Movement Party (PMDB) national convention in Brasilia, Brazil, March 12, 2016. REUTERS/Ueslei Marcelino | Ueslei Marcelino / Reuters
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Diante da aproximação da votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff no Senado e com o afastamento do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) da presidência da Câmara, governistas apostam em fragilidades de um eventual governo do atual vice-presidente, Michel Temer.

O objetivo é desmobilizar o afastamento definitivo de Dilma pelo Senado. Aprovado na comissão especial nesta sexta-feira, o parecer do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) será votado no plenário no próximo dia 11. Se o relatório for aprovado, fica definida a admissibilidade do afastamento. Passa-se então, a análise do mérito dos motivos para o impeachment.

Na interpretação de deputados e ministros petistas, sem o pulso firme de Cunha, há espaço para pressionar pelo impeachment de Temer. Outro fator é uma facilidade menor em pautar a votação de matérias legislativas de interesse do peemedebistas.

Apesar de o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello ter determinado a instalação da comissão que analisará o afastamento de Temer, líderes da Câmara não indicaram os integrantes. Para os partidos de oposição e do chamado “centrão”, que migraram da órbita do PT para o PMDB, não há interesse em afastar o novo nome do Planalto.

Na avaliação de petistas, contudo, o fato do deputado Waldir Maranhão (PP-MA) ter assumido o comando da Casa dá a prerrogativa de tocar o processo. Pelo regimento, quando líderes não indicam integrantes para comissões permanentes, cabe ao presidente essa função. A ideia é aplicar essa regra por analogia.

Aliados de Temer, contudo, entendem que ao definir o rito do impeachment, o Supremo estabeleceu que cabe ao líderes apenas indicar integrantes da comissão.

Bunker

Já contando com uma derrota no plenário do Senado, petistas se organizam para uma agenda intensa com base no Palácio da Alvorada. De lá, Dilma irá conduzir reuniões com ministros, deputados, senadores, governadores e líderes de movimentos sociais.

O ministro da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini, irá continuar em Brasília, ao lado da petista. Nos executivos estaduais, o Planalto conta com a atuação de Rui Costa (BA), Wellington Dias (PI), Flávio Dino (MA) e Camilo Santana (CE). Também é esperada a atuação do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, principalmente para motivar a mobilização social.

Governistas apostam em uma rejeição ao governo Temer durante ao período em que o Senado irá analisar o mérito do impeachment. A ideia é pressionar pelo afastamento do peemedebista e ao mesmo tempo explorar a insatisfação de movimentos sociais. Petistas criticam que não houve uma ampla divulgação de pesquisas de opinião desde a aprovação do impeachment na Câmara.

“Haverá uma mobilização nacional na sociedade para não apoiar um governo ilegítimo”, afirmou ao HuffPost o deputado Paulo Teixeira (PT-SP). Nesse ponto, o papel de Lula será fundamental. “Ele é o grande líder da resistência ao golpe”, disse a deputada Margarida Salomão (PT-MG).

Apesar de admitirem o peso simbólico da ausência de Lula no ato do 1º de maio, petistas negam que haja um afastamento dele com Dilma. Nesta semana, os dois se reuniram para conversar sobre os planos pós-decisão do Senado.

Em jantar na terça-feira, Lula convenceu Dilma a viajar o País atrás de apoio para conseguir votos no Senado. Na época do Mensalão, ele adotou estratégia semelhante a fim de se fortalecer.

Quanto à possibilidade de novas eleições, o PT vai buscar um consenso com os movimentos sociais antes de defender publicamente uma ideia. Há partidários de eleições gerais e de uma consulta à população na forma de plebiscito, por exemplo. O diretório da legenda irá se reunir dia 17 para discutir o cenário.

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