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Após anular impeachment na Câmara, Waldir Maranhão recua e decide revogar anulação

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WALDIR MARANHAO
Nova decisão de Maranhão deve ser publicada nesta terça (10) | Montagem/Agência Câmara/Twitter
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Após se tornar o protagonista do noticiário político nesta segunda-feira (9), ao anular a votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara Federal, o presidente interino da Casa, Waldir Maranhão (PP-MA), recuou e decidiu revogar a própria decisão.

O ofício que atesta sua decisão já foi divulgado por deputados federais em suas redes sociais:

Entretanto, o documento ainda não tem data, mas deve ser publicado nesta terça-feira (10), quando a decisão passará a ter efeito.

A revogação também já foi encaminhada ao Senado:

O recuo de Maranhão pode ser interpretado como uma forma de ele evitar as consequências de sua "decisão monocrática", como foi definida pelo primeiro-secretário da Casa, Beto Mansur (PRB-SP). Maranhão não consultou nenhum outro integrante da Mesa Diretora da Câmara antes de decidir anular a sessão que votou o impedimento de Dilma.

"É um absurdo", classificou Mansur.

Ao "mudar de opinião", Maranhão tenta barrar um eventual processo de quebra de decoro que possa sofrer. Sete partidos anunciaram que entrariam com representação contra ele no Conselho de Ética da Câmara por "abuso de autoridade" devido à decisão unilateral.

A Executiva do PP, partido do parlamentar, também decidiu puni-lo: nesta terça, deve aprovar suspensão cautelar de Maranhão da legenda.

O deputado Júlio Lopes (PP-RJ) pediu a expulsão definitiva de Maranhão por ter contrariado a diretriz do partido e ter votado contra o impeachment de Dilma na sessão de 17 de abril.

Em entrevista coletiva na tarde de ontem, Maranhão tentou se explicar, mas acabou se enrolando.

“A nossa decisão foi com base na Constituição, com base no nosso regimento, para que possamos corrigir em tempo vícios que certamente poderão ser encenáveis no futuro. Tenho consciência do quanto este momento é delicado. Momento que nós temos o dever ao saudarmos a democracia e o debate.”

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), já havia decidido manter o processo de impeachment de Dilma e ignorado a anulação de Maranhão, tachada pelo senador de "brincadeira com a democracia".

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