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Fracasso no diálogo deve levar Dilma Rousseff a entregar governo ao PMDB

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DILMA
EVARISTO SA via Getty Images
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A presidente Dilma Rousseff (PT) deve entregar o governo ao vice Michel Temer (PMDB) logo após a votação do processo de impeachment, que se inicia nesta quarta-feira (11) no Senado. O afastamento da presidente é dado como certo, com a expectativa de que pelo menos 50 senadores votem pelo prosseguimento do impedimento.

Diferentemente da Câmara, no Senado o voto será eletrônico sem que os senadores justifiquem sua posição.

Antes da votação, no entanto, aqueles que se inscreverem poderão discursar. Ainda assim, a previsão é que eles não se prolonguem e não envolvam Deus ou a família, como os deputados fizeram.

A estratégia dos governistas é tentar fazer com que os votos contrários a petista não cheguem 54 - maioria absoluta da Casa. Isso porque, para dar continuidade ao processo, basta maioria simples dos 81 senadores. Já para tirar o mandato dela, ao fim do julgamento, em 180 dias contados a partir de hoje, é preciso maioria absoluta.

Apesar da articulação para tentar marcar um posicionamento, os petistas reconhecem que o impeachment é resultado da falta de diálogo da presidente.

Embora em todos os momentos de dificuldade ela tenha recorrido ao discurso de que abriria as portas do Planalto para dialogar, o forte da petista não foi conversar.

Dilma é acusada de crime de responsabilidade na gestão financeira, por ter efetuado pedaladas fiscais em 2015 e editado decretos de crédito suplementar ao orçamento sem ter a autorização do Congresso.

Fortalecimento da esquerda

Responsável pela defesa de Dilma, o advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, não admite uma derrota no Senado, apesar do clima desfavorável.

"Tenho grande experiência política e o que aprendi é nunca tentar prever resultados. Nunca faça isso por mais impressões que você tenha", afirmou a jornalistas.

A Advocacia Geral da União (AGU) entrou nesta terça-feira (10) com um mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) para travar o processo de impeachment.

A AGU alega desvio de poder do então presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que teria agido por vingança. Cardozo alertou que há chance de novas judicializações, caso essa não prospere.

Para o líder do governo na Câmara desde 2015, deputado José Guimarães (PT-CE), independentemente do resultado no Senado, a esquerda sairá fortalecida desse processo.

"Essa crise política altera muito o formato da esquerda brasileira. Eu acho que nós tínhamos que evoluir para a frente ampla aqui no Brasil. O PCdoB, o PTdoB, o PSOL... Discutir algo mais estratégico para o País porque esse modelo de presidencialismo de coalização nestes 13 anos faliu", afirmou em café da manhã com jornalistas.

O PT aposta na força de mobilizações nas ruas contrárias ao afastamento durante a análise do mérito no Senado e nega que Dilma esteja isolada. “Nós não abandonamos a Dilma nem quando tinha 8% de aprovação, imagina agora que tá com mais de 30% de aprovação”, afirmou Guimarães.

Havia uma expectativa de que movimentos sociais ligados à legenda, como o MTST e CUT invadissem o Congresso durante a votação nesta quarta-feira, mas não há confirmação de atos por lá.

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