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Ajuste para todos os bolsos é a principal aposta do governo de Michel Temer

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MICHEL TEMER
Economia é a prioridade de Temer nestes 180 dias | EVARISTO SA via Getty Images
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Se a economia, pelo viés de manobras nas contas públicas, impôs à presidente afastada Dilma Rousseff o crime de responsabilidade fiscal, é o mesmo setor ao qual o presidente em exercício Michel Temer se agarra para mostrar, em pouco tempo, capacidade de atuação.

O peemedebista inicia nesta quinta-feira (12) seu governo interino com forte pressão do mercado financeiro para aprovar medida econômicas e com preocupação de transmitir para a população a imagem de que o País está melhorando.

O deputado federal Darcísio Perondi (PMDB-RS) enfatiza: "a prioridade é o ajuste fiscal para todos. Empresários e população".

Caberá ao futuro ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, enviar ao Congresso um pacote de medidas, com foco na área fiscal. A reforma da Previdência, apesar de prioridade, não deve vir num primeiro momento.

Ainda no bojo da área econômica, até 22 de maio, o Congresso precisa votar a alteração da meta fiscal. Caso a mudança não seja aprovada, a equipe econômica do governo terá de fazer um corte adicional de despesas superior a R$ 30 bilhões no Orçamento de 2016.

A aprovação da prorrogação da Desvinculação das Receitas da União (DRU), parada em uma comissão especial da Câmara, também está nas lista de prioridades.

No Senado, o PMDB quer celeridade na votação do projeto de lei que flexibiliza as regras da terceirização. A proposta é uma das apostas da legenda para que o País volte a gerar empregos.

Ministérios

Com a principal aposta na área econômica, a Esplanada dos Ministérios de Temer será formada basicamente por políticos. Enquanto os senadores discursavam no Senado na noite desta quarta-feira (11), Temer se encontrava com aliados para definir os atos de nomeação e as demais prioridades do novo governo.

Ontem, ele confirmou os últimos nomes, o líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani - que votou contra o impeachment - no Ministério do Esporte. Picciani, porém, não deve assumir imediatamente. Também do PMDB, Henrique Eduardo Alves, retornará ao Ministério do Turismo.

Presidente do PRB, o pastor Marcos Pereira ficará no comando do Ministério do Desenvolvimento Industria e Comércio. Temer chegou a cogitar incluir a pasta sob o guarda-chuva do Ministério das Relações Exteriores, que ficará nas mãos do tucano José Serra.

Outra confirmação de última hora foi a de Raul Jungmann, do PPS, para o Ministério da Defesa. O deputado Ronaldo Nogueira (PTB-RS) deve assumir a pasta do Trabalho. Para a Advocacia-Geral da União, o nome de Temer é o do advogado Fábio Medina Osório.

A maioria dos novos ministros deve ser nomeada ainda na tarde desta quinta-feira.

Presidência da Câmara

Na Câmara dos Deputados, o principal desafio de Temer é colocar no comando alguém de confiança para garantir a votação das propostas legislativas. O presidente interino, Waldir Maranhão (PP-MA), se recusa a renunciar ao cargo, ato necessário para convocação de novas eleições.

Pelo acordo entre lideranças da Câmara, ele tem até meio dia desta quinta-feira para renunciar. Em troca, teria anistia no Conselho de Ética e não seria expulso da legenda. Maranhão ficou enfraquecido após anular e revogar a anulação da sessão do impeachment na Casa.

No mesmo horário, líderes aliados do PMDB vão se reunir em busca de uma solução jurídica para substituir o presidente interino, caso ele não deixe o cargo por vontade própria. O encontro será organizado pelo líder do PTB e relator do impeachment na Câmara, Jovair Arantes (GO), principal cotado para asumir a Presidência da Casa.

Durante a quarta-feira, Temer recebeu parlamentares a fim de costurar uma saída para o impasse. Ele também discutiu postos-chave no Congresso. São cotados para liderança do governo na Câmara e no Congresso os deputados Rodrigo Maia (DEM-RJ) e André Moura (PSC-SE).

As duas articulações mostram que o presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), continua a influenciar nas relações de poder da Casa, uma vez que todos os nomes são próximos a ele.

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