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'A humanidade está cheia de golpes travestidos de atos democráticos', diz senadora petista

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SOUSA
Beto Barata/Agência Senado
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A senadora Regina Sousa (PT-PI) criticou o processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, caracterizado pela parlamentar como "essencialmente político", e disse ainda que há componentes "sexistas e misóginos nessa conspiração".

"É como se nos dissessem 'mulher não pode'. Reafirmo que desde o início esse era um jogo jogado, decidido", afirmou Sousa, que disse acreditar que Dilma foi traída pelos que compartilhavam o poder com ela.

"Depois de apontar quem seria a criminosa, partiram para achar o crime", criticou, falando que o País já passou por outras sérias crises econômicas sem que nenhum presidente deixasse o poder.

"A história da humanidade está cheia de golpes travestidos de atos democráticos. Quem é que não ouviu que iria se implantar a ditadura para se preservar a democracia?"

Regina criticou severamente os vazamentos "seletivos" da Operação Lava Jato e a divulgação dos grampos telefônicos envolvendo a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula. "Acabou-se o segredo de Justiça. Grampeou-se a presidente da república, mas ninguém quis saber da lista do HSBC, do listão da Odebrecht ou do Panamá Papers".

Ela se referiu ainda à votação do impeachment na Câmara como um "espetáculo dantesco, do qual o Brasil e o mundo se envergonharam".

"Com raras exceções, o voto não foi pelo País. O voto foi pelos filhos e filhas, parentes e aderentes. Certamente algum desses se envergonham. Só faltou o voto pelo direito da cachorrinha comer ração importada dos Estados Unidos."

Sousa afirmou que teme que a saída de Dilma prejudique as minorias sociais e beneficie a elite, que vai implantar um projeto de "Brasil para poucos".

"Logo logo vai ficar claro quem vai pagar o pato: negros, indígenas, mulheres, população LGBT, religiões de matriz africana, políticas de cotas, Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida, luz para todos." Segundo ela, o governo Temer não vai contemplar o subsídio de programas que favoreça a camada mais pobre da população.

Nos próximos 180 dias, período que Dilma deve ficar afastada após a votação no Senado, o Partido dos Trabalhadores fará uma "oposição responsável", completou.

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