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'Conseguimos revolução sem armas e sangue', diz Janaína Paschoal

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JANAINA PASCHOAL
Brazilian jurist Janaina Paschoal speaks before the impeachment committee at the Chamber of Deputies in Brasilia in March 30, 2016. Brazilian President Dilma Rousseff said Wednesday she was the victim of a coup as her allies horse-traded frantically for enough votes to ride out an impeachment drive. A months-long crisis reducing Latin America's biggest country to political paralysis ahead of the Rio Olympics deepened Tuesday when Rousseff's Workers' Party lost its main coalition partner, the cen | ANDRESSA ANHOLETE via Getty Images
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Assim que o Senado encerrou a votação e aceitou a abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, a jurista Janaína Paschoal se manifestou à Rádio Estadão e disse que a admissibilidade mostra "que conseguimos, por meio de um processo pacífico, mostrar ao nosso país que é possível fazer uma revolução sem armas e sem sangue".

Janaína foi uma das autoras do processo de impeachment da presidente e ficou marcada pela cena em frente ao Largo São Francisco, em São Paulo, quando fez um discurso duro contra o governo do PT e rodou a bandeira do País contra "a República da cobra".

Na entrevista, Janaína também disse que o argumento de "golpe" utilizado pela defesa de Dilma indica que o governo "não tem argumentos técnicos para rebater a acusação" do crime de responsabilidade. A advogada também não acredita que órgãos internacionais, como a Organização dos Estados Americanos (OEA) classifiquem o processo de impeachment da presidente como golpe.

"Se fizerem uma análise técnica, vão reconhecer que foi uma expressão máxima da República", afirmou.

A jurista terminou a entrevista desejando sorte ao presidente interino Michel Temer. "Desejo ao vice que faça um governo de virada, que demonstre que tem capacidade de ser estadista".

O jurista Hélio Bicudo, outro autor processo, divulgou uma carta repercutindo a decisão e demonstrando profunda preocupação com a formação do novo ministério do futuro presidente interino Michel Temer. Bicudo, que participou da fundação do PT, é um dos signatários do pedido de afastamento da petista que culminou nesta quinta-feira, 12, no afastamento por até 180 dias da presidente.

Bicudo inicia a carta dizendo: "está consumado". "A partir de agora, Dilma Rousseff está afastada da Presidência da República, para onde certamente não haverá de voltar". O jurista salienta que o "mérito dessa luta vitoriosa pertence ao povo, não aos partidos".

Ele afirma que está muito feliz por perceber que a iniciativa de três cidadãos - ele, a professora Janaína Paschoal e o jurista Miguel Reale Jr. - tenha chegado a "bom termo, levando a efeito a vontade de milhões de brasileiros indignados com a corrupção e a incompetência de Dilma, Lula e PT".

Apesar de sua satisfação com a decisão do Senado Federal, Bicudo faz questão de externar "preocupação com as mais recentes notícias sobre a formação do novo governo".

"O povo brasileiro foi às ruas para repudiar a cleptocracia comandada pelo PT. O povo brasileiro não foi às ruas para sofrer mais desapontamentos." Ele salienta que a crise que o Brasil atravessa é tão grave quanto é diminuta a paciência do povo com a classe política, sem exceções.

Bicudo encerra o texto afirmando: "Oxalá saibam os homens públicos atender ao justo clamor popular por decência".

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