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Senadores com patrimônios maiores foram mais favoráveis ao impeachment de Dilma

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A presidente Dilma Rousseff foi afastada do cargo por 180 dias na sessão do Senado que terminou na manhã desta quinta-feira. O HuffPost Brasil fez um levantamento sobre o perfil dos senadores que votaram contra e a favor da admissibilidade do processo. Ao final, 55 senadores votaram sim e 22 optaram pelo não. Quanto maior o patrimônio do senador, mais favorável ele foi ao afastamento da presidente.

No outro extremo da conta bancária dos senadores - com orçamento abaixo de R$ 500 mil - a presidente Dilma levou vantagem. Foi a única faixa em que o governo conseguiu maioria contra a oposição. São oito votos favoráveis à manutenção da presidente no cargo, contra seis que decidiram pelo afastamento da petista. Somente 14 deputados estão nesta faixa de patrimônio - a maioria deles senadores do Nordeste e do Norte do País.

Nas demais faixas patrimoniais, a oposição de Dilma ganhou com ampla margem de votos. De R$ 500 mil a R$ 1 milhão foram 15 votos a favor do processo ante sete contrários ao afastamento. Entre R$ 1 milhão e R$ 100 milhões, está a faixa onde a oposição concentrou a maioria dos votos: 32, contra apenas sete favoráveis à Dilma.

Apenas dois senadores possuem patrimônio acima de R$ 100 milhões. O mais rico, Tasso Jereissati (PSDB-CE), com um patrimônio que se aproxima de R$ 400 milhões, votou pelo afastamento da presidente. Nos últimos quatro anos, os recursos do político cearense tiveram um crescimento de 512% (R$ 325,5 milhões), segundo dados publicados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Esse aumento expressivo, de acordo com os documentos, foram adquiridos por ações de shopping centers, imobiliárias e fazendas.

No seu voto, Jereissati chamou a presidente de "arrogante" e disse que ela "mentiu para o povo brasileiro".

"As chamadas pedaladas fiscais são apenas as ferramentas usadas para enganar a sociedade brasileira. Eis aí o dolo, o inegável e premeditado propósito de esconder da população a situação. Infelizmente, a presidente não mais reúne as condições mínimas para governar o País".

O segundo mais rico, o senador ruralista Blairo Maggi (PP-MT), com um patrimônio que supera R$ 150 milhões, também votou a favor do processo. Ele é considerado "o rei da soja" e de grandes fazendas no centro-oeste brasileiro. Maggi vai assumir o posto de novo ministro da Agricultura no governo Temer. Coube a ele o voto que afastou a presidente Dilma do cargo. Foi o 41º voto favorável ao processo.

Em 2003, meses após ser eleito governador do Mato Grosso, uma declaração sua ao jornal norte-americano “New York Times” causou revolta entre ambientalistas. “Para mim, o aumento de 40% no desmatamento (da Floresta Amazônica) não significa absolutamente nada. Eu não me sinto nem um pouco culpado pelo que estamos fazendo aqui”, afirmou Maggi.

Dois anos depois, recebeu o prêmio Motoserra de Ouro pela ONG Greenpeace, por conta de sua contribuição para o desmatamento da Amazônia.

Randolfe Rodrigues (Rede-AP) está entre os deputados com patrimônios "menores", que votaram pelo extinção do processo. Na última eleição ele declarou ao TSE um total de R$ 62.700 - o segundo menor valor entre os senadores. Ontem, na tribuna, Randolfe defendeu que que PT e PMDB são "irmãos siameses na crise" e a pediu a cassação da chapa Dilma e Temer por meio do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

"Onde está o processo contra Temer? Por que não tramita o seu impeachment?", questionou.

Ele também salientou que a Operação Lava Jato precisa receber apoio e é um dos poucos pontos em que "a maioria da oposição e do governo convergem". "A corrupção, venha de onde vier, é crime contra os mais pobres e degenera os valores morais da sociedade".

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