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'Posso ter cometido erros, mas não cometi crimes', afirma Dilma Rousseff após ser afastada da Presidência da República

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DILMA ROUSSEFF
REUTERS FILE PHOTO / Reuters
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No último discurso antes de deixar o Palácio do Planalto, a presidente afastada, Dilma Rousseff voltou a dizer que é alvo de um golpe orquestrado pela oposição para tirá-la do poder e que lutará até o fim. "Posso ter cometido erros, mas não cometi crimes", declarou Dilma que disse também ter orgulho de ser a primeira mulher eleita presidente do Brasil.

“A maior das brutalidades que pode ser cometida contra qualquer ser humano é puni-lo por um crime que não cometeu”, afirmou. A petista sustentou que não cometeu crime de responsabilidade e que não há motivos para o impeachment.

Ela comparou o processo atual com a ditadura militar. “Eu já sofri a dor invisível da tortura, aflitiva da doença e agora eu sofro mais uma vez a dor inominável da injustiça. O que mais dói é perceber que estou sendo vítima de uma farsa jurídica e política”, disse com olhos marejados.

Dilma conclamou movimentos contrários ao afastamento a apoiá-la.“A luta da democracia não tem data para terminar. A luta contar o golpe é longa e pode ser vencida e nos vamos vencer”, continuou.

Ela disse ainda que um governo de Michel Temer não resolverá a crise no País e que não tem a legitimidade das urnas. “Um governo que nasce de um golpe, de uma espécie de eleição indireta, será grande razão da continuidade da crise política no nosso país”, afirmou.

Além de considerar o impeachment uma afronta à democracia, ela alertou para o risco de retrocessos sociais de avanços conquistados pelo PT. Dilma fez ainda referências ao presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ao dizer que “não tem contas no exterior” nem recebeu propina ou compactuou com corrupção.

"Não cometi crime de responsabilidade. Não tenho contas no exterior, jamais compactuei com a corrupção. Esse processo é frágil, juridicamente inconsistente, injusto, desencadeado contra pessoa honesta e inocente. A maior das brutalidades que pode ser cometida por qualquer ser humano: puni-lo por um crime que não cometeu", disse Dilma.

O ex-presidente, Luis Inácio Lula da Silva, acompanhou a cerimônia do lado fora. Ao lado de Dilma, estavam ministros afastados, como Edinho Silva (Secretaria de Comunicação) e Aloizio Mercadante (Educação), além de parlamentares contrários ao afastamento.

Alguns funcionários do governo da petista também estavam presentes e gritaram palavras de ordem como “golpistas, fascistas não passarão”. Uma mulher trouxe um buquê de rosas vermelhas para a presidente afastada.

Apoio popular

Após o discurso, Dilma desceu até o térreo e foi para a área externa do Planalto, onde estavam manifestantes contrários ao impeachment. A Polícia Militar do Distrito Federal esperava 2 mil pessoas. Um pequeno palco foi montado ao pé da rampa do Planalto.

"Eu não sou mulher pra aceitar esse tipo de chantagem", disse a presidente afastada, do lado do Planalto, sobre Cunha. "Quem deu início ao golpe o fez por vingança porque nós nos recusamos a dar a ele os votos no Conselho de Ética", completou.

Ela agradeceu o apoio dos movimentos sociais e disse que se orgulha de ser a primeira presidente mulher do Brasil. "Nós mulheres temos uma coisa em comum. Somos todas dignas", afirmou.

A fala de Dilma foi acompanhada de palavras de ordem como "fora Temer" e "golpistas não governarão". Ao final, a petista caminhou até o carro em meio a abraços e fotos com manifestantes. Lula fez uma caminhada separada, logo em seguida, até outro carro.

Dilma seguiu para o Palácio da Alvorada, residência oficial onde ficará durante a análise do mérito do impeachment no Senado. O advogado-geral da União afastado, José Eduardo Cardozo, continuará à frente da defesa da petista. Após a cerimônia no Planalto, ele afirmou que conseguiu uma permissão da Comissão de Ética da Presidência da República, que abriu uma exceção para a quarentena dos ministros.

Afastamento oficial

A petista optou por não tornar pública a entrega da intimação, feita pelo primeiro-secretário da Mesa do Senado, senador Vicentinho Alves (PR-TO), antes de seu discurso. A Notificação do presidente em exercício, Michel Temer, foi entregue logo em seguida.

A entrega da documentação é a forma de oficializar a decisão do Senado. No início da manhã de hoje, por 55 votos a 22, o senadores aprovaram a admissibilidade do impeachment da petista. A Casa tem até 180 dias para julgar o afastamento definitivo.

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