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Michel Temer será primeiro presidente desde a Ditadura Militar a não escolher mulheres para ministérios

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Todos os ministros escolhidos pelo presidente interino Michel Temer são homens | EVARISTO SA via Getty Images
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O presidente interino, Michel Temer, prometeu anunciar seu ministério nesta quinta-feira. Se confirmar os nomes especulados, Temer começa o seu governo quebrando um recorde nada positivo.Ele será o primeiro presidente desde o governo Ernesto Geisel (1974-1979) a não contar com mulheres ministras.

Durante as últimas semanas, enquanto aguardava a votação do pedido de afastamento da presidente Dilma Rousseff, Temer chegou a cogitar algumas mulheres na formação da sua equipe. Para a Controladoria-Geral da União, a ex-ministra do Supremo Tribunal Federal Ellen Gracie chegou a ser convocada, mas ela negou o convite.

Com a aproximação do PSDB do governo Temer, Mara Gabrili chegou a ser cogitada para a pasta de Direitos Humanos. O nome, comemorado por especialistas, não foi para frente. Renata Abreu (PTN) foi a próxima da lista e teve o mesmo destino.

Segundo a Folha, pessoas próximas do novo presidente dizem que ele não demonstra restrições para mulheres nos ministérios e que, inclusive, Temer não desistiu de abrigar em uma pasta de destaque.

"É e será uma preocupação dele. Temer está muito atento a esta questão", disse o consultor político Gaudêncio Torquato, em entrevista à Folha.

Desde o governo João Figueiredo (1979-85), o Brasil contava com uma ministra mulher. Esther de Figueiredo foi a primeira delas, comandando a pasta de Educação.

Os governos petistas foram os que mais deram espaço para o gênero feminino. Com Lula (2003 a 2011), foram 11 mulheres.

Quando tomou posse em 2011, Dilma tomou uma oposição oposta a de Temer: deu posse a 10 mulheres ministras de 39 integrantes no total. Além de ter sido a primeira mulher a se tornar presidente da República, nomeou Gleisi Hoffman como ministra da Casa Civil; Miriam Belchior na pasta de Planejamento; Graça Foster como presidente da Petrobras; Ideli Salvatti nas pastas da Pesca, Relações Institucionais e, posteriormente, em Direitos Humanos; Helena Chagas na Secretaria de Comunicação; Tereza Campello em Desenvolvimento Social; Izabella Teixeira em Meio Ambiente; Luiza Bairros na Secretaria da Igualdade Racial; Marta Suplicy, ex-PT, como ministra da Cultura e Maria do Rosário como ministra dos Direitos Humanos.

Neste segundo mandato, o número foi reduzido: apenas seis assumiram o cargo em 2015.

No primeiro mandato, Fernando Henrique Cardoso (1995-1998) entregou apenas o Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo para uma mulher: Dorothéa Werneck. No segundo mandato (1999-2002) foram três ministras em sua equipe: Anadyr de Mendonça Rodrigues (Controladoria-Geral da União), Cláudia Maria Costin (Secretaria de Estado de Administração e do Patrimônio) e Wanda Engel Aduan (Secretaria de Estado de Assistência Social).

Quando Itamar Franco (1992-1994), a única mulher a assumir de fato uma pasta foi Luiza Erundina, que comandou a Secretaria de Administração Federal por 5 meses após a saída de Osiris de Azevedo. Já Fernando Collor (1990-1992) escolheu 2 mulheres. No Ministério da Ação Social assumiu Margarida Maia Procópio, enquanto no Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento esteve Zélia Cardoso de Mello.

Mas foi nos cinco anos de governo de José Sarney (1985-1990) que as mulheres tiveram a mais baixa representação. Apenas Dorothéa Fonseca atuou como interina no Ministério do Trabalho.

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