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A consciência funciona de um jeito diferente do que você pensava, segundo esta nova teoria

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duas fases visão
Uma nova teoria sugere que há duas fases distintas de processamento visual.

Podemos não estar tão cientes do mundo à nossa volta como gostaríamos de acreditar, segundo uma nova teoria provocativa da neurociência cognitiva.

Assim como um filme parece contínuo apesar de ser composto de uma série de imagens separadas, nossos cérebros podem usar um modelo de processamento visual em duas fases para perceber o mundo em curtos intervalos, ou “fatias de tempo”. O cérebro então juntaria os quadros individuais em uma imagem única do mundo, sugere essa nova “teoria das fatias de tempo”.

“Intuitivamente acreditamos que estamos diretamente conscientes das coisas a todo instante”, disse ao The Huffington Post Frank Scharnowski, neurocientista cognitivo da Universidade de Zurich. “Não é o caso.”

Em um paper publicado em abril na revista científica PloS Biology, uma equipe internacional de pesquisadores sugere que há um certo atraso entre enxergar e ter consciência de algo.

Dados de experimentos psicológicos e comportamentais previamente publicados sustentam essa teoria, determinaram os pesquisadores. O modelo de duas fases que eles conceberam sugere que o cérebro primeiro processa a informação visual do ambiente, enquanto estamos num estado inconsciente, e depois a transfere para nossa consciência.

Eis o que os pesquisadores acreditam que aconteça: Primeiro, processamos a informação visual de forma rápida e inconsciente, o que leva apenas alguns milissegundos. Depois, os detalhes daquela informação visual são integrados em nossa consciência de maneira coerente, o que pode levar várias centenas de milissegundos.

Isso significaria que a consciência se forma em uma série de “fatias de tempo” de 400 milissegundos de duração, com intervalos de inconsciência entre elas. Deu para entender?

quadro

A percepção real não é determinável por meio de experimentos durante a integração das características

Somente os rótulos podem ser relatados e medidos em experimentos

“Não percebemos os estímulos e objetos durante sua apresentação, mas sim muito mais tarde, quando eles passam a fazer parte da nossa consciência”, disse Scharnowski.

“Tal representação é a resposta para a pergunta sobre como foram suas férias: ‘Gostamos das cores do cenário da Toscana por três dias, depois passamos quatro dias ensolarados em Veneza’.

A resposta é uma descrição comprimida post-hoc a respeito das características temporais da viagem, apesar de o evento na realidade ter ocorrido ao longo de vários dias.”

Então, quão mais rápida é a visão humana em relação à percepção? Muito mais rápida.

“Conseguimos observar a diferença de tempo quando duas barras são apresentadas com um atraso de 3 milissegundos”, disse Scharnowski. “Em comparação, a percepção consciente é muito mais lenta, e pode demorar centenas de milissegundos mais.”

Esse atraso é bom para a percepção, segundo Michael Herzog, co-autor do estudo e professor do Brain Mind Institute, da École Polytechnique Fédérale de Lausanne, na Suíça.

“O cérebro quer te dar a informação melhor e mais clara, e isso leva um tempo substancial”, afirmou ele em um comunicado. “Não há vantagem em que você tenha consciência desse processamento, porque seria imensamente confuso.”

Se não enxergamos o mundo como um fluxo contínuo, mas sim como uma série de retratos, a consciência humana pode não ser tão coerente quanto gostaríamos de imaginar.

“Apesar de ser contra-intuitivo, não é nada assustador”, disse Scharnowski. “Também percebemos as letras deste texto como algo contínuo, embora elas sejam compostas por pixels individuais.”

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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