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Democracia só se realiza com participação feminina, diz representante da ONU Mulheres

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NADINE GASMAN
Agência Brasil
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O presidente interino Michel Temer deu início ao seu governo sem mulheres o primeiro escalão de sua equipe. A escolha dos ministros foi criticada por ativistas de causas sociais e pela representante da ONU Mulheres no Brasil, Nadine Gasman.

Ao jornal O Globo, Gasman afirmou que democracia só se realiza com a participação feminina e vê um retrocesso quanto ao empoderamento feminino na política do País.

"O Brasil deixa de estar alinhado aos 12 países com mecanismos com mais alto nível hierárquico (ministérios ou com status de ministérios), para alinhar-se aos cinco países onde o mecanismo de políticas para as mulheres depende hierarquicamente de outro ministério", disse ao O Globo, acrescentando que a diversidade nos ministérios não se trata somente de simbolismo, "mas de justiça, inclusão, equidade e mudança na forma de fazer política."

"Mecanismos específicos para os direitos de mulheres, população negra, juventude e direitos humanos são decisivos para enfrentar desigualdades estruturais que excluem ou inviabilizaram os direitos da população."

Na entrevista, ela lembrou que o Brasil é uma das nações que apoiam a iniciativa global da ONU Mulheres "Por um planeta 50-50: um passo decisivo pela igualdade de gênero", que tem como objetivo promover a igualdade de gênero e acelerar políticas para o empoderamento das mulheres. "A democracia somente se realiza com a plena participação das mulheres em espaços de liderança e de tomada de decisões."

Nesta sexta-feira, o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, disse que o governo do presidente interino Michel Temer buscou mulheres para ocupar cargos no ministério, mas não foi possível nomeá-las, sem citar as razões.

Padilha afirmou ainda, em entrevista a jornalistas após reunião ministerial comandada por Temer, que o governo pedirá aos partidos aliados que indiquem mulheres para cargos do segundo escalão que antes tinham status de ministério.

Ausência de mulheres é 'bobagem'

Simone Camargo, esposa do ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, retrucou as críticas em relação à ausência das mulheres no governo Temer. Na tarde da última quinta-feira (12), ela disse no Twitter que esta reclamação era "coisa mais boba."

Ao jornal EXTRA, Simone responsabilizou os partidos por não indicarem mulheres e afirmou que as críticas são precipitadas.

"Acho que fazer uma cobrança tão antecipada por ele ter tido que montar um ministério de maneira tão apressada é errado. Até porque o quadro ainda não está composto. Há ministérios e secretarias que ainda não tiveram nomes definidos", disse.

(Com informações da Reuters)

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