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Como as bibliotecas estão reagindo à queda do número de frequentadores

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Marko Beric via Getty Images
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Durante séculos, as bibliotecas foram simplesmente lugares que abrigavam livros. O significado da palavra é intrínseco à função do local; em francês arcaico, librairie, termo usado no século 14, significa “coleção de livros”.

Uma imagem de estantes empoeiradas vem à mente, mas, claro, o formato dos livros está mudando, assim como as maneiras pelas quais aprendemos.

Um novo estudo do Pew Research Center que traça o perfil dos usuários de bibliotecas nos Estados Unidos, a frequência de visitas e para que são usadas reflete essa evolução.

A conclusão destacada pelo Pew: as pessoas que frequentam bibliotecas nos EUA se classificam como “aprendizes para toda vida”, e os usuários que se identificam como “aprendizes para toda vida” são mais propensos a visitar uma biblioteca do que os que não se encaixam nessa categoria. Várias estatísticas ilustram esse ponto.

Os usuários de bibliotecas, por exemplo, são “mais propensos a buscar atividades de aprendizagem” e “mais propensos a citar impactos positivos na aprendizagem pessoal”.

No entanto, aprender não significa necessariamente ler livros. Cursos educacionais, palestras e vídeos são métodos que interessam vários tipos de pessoas em busca de aprendizado, e ler é apenas mais uma maneira de adquirir conhecimento ou uma nova habilidade.

Um aprendiz cinestésico pode se beneficiar de uma apresentação, um aprendiz auditivo, de uma palestra, um aprendiz visual, de um filme ou de um livro.

Para acomodar essas diferentes demandas — bem como a variedade de níveis de renda dos visitantes —, as bibliotecas têm expandido suas áreas de atuação para incluir eventos da comunidade e uso gratuito de Internet; no entanto, segundo o estudo do Pew Research Center, muitos visitantes não sabem que esses serviços estão disponíveis.

A pesquisa destaca que, embora 62% das bibliotecas americanas ofereçam recursos on-line relacionados à carreira e ao mercado de trabalho, 38% dos adultos não sabem se suas bibliotecas oferecem esses tipos de informações.

Da mesma forma, 35% das bibliotecas nos EUA oferecem aulas de equivalência do ensino médio, e metade dos adultos não sabe se essas classes estão disponíveis.

Os números são semelhantes para os programas sobre como abrir um negócio, cursos on-line para fornecer certificados para pessoas que aprenderam uma nova habilidade e empréstimos de livros digitais.

Este último é um exemplo especialmente gritante da dissonância entre os serviços prestados e o conhecimento sobre esses eles. Embora 90% das bibliotecas americanas emprestem livros eletrônicos, 22% dos adultos dizem que não sabem se suas bibliotecas oferecem ebooks, e 16% afirmam que não oferecem.

Essa disparidade poderia ser devido ao fato de que a leitura de livros digitais não é tão popular como se imagina; está comprovado que o esforço para ler na tela dificulta o aprendizado, e os livros impressos são realmente os preferidos, mesmo entre os nativos digitais.

Ainda assim, bibliotecários que já derramaram recursos — muitas vezes escassos — sobre novas iniciativas podem tremer diante dos seguintes números. Como sugerido pela revista The Atlantic, em resposta ao estudo do centro de pesquisas Pew, mais recursos poderiam ajudar os bibliotecários a atrair mais frequentadores, já que as visitas nos EUA diminuíram 9% desde 2012.

O número é reforçado pelo Instituto do Museu e Serviços Bibliotecários, que registrou uma queda de 8,2% nas visitas desde o pico visto em 2009. Mas, segundo o estudo, as visitas virtuais não são registradas de forma apropriada; por isso, pode ser que os usuários de bibliotecas — que estatisticamente formam um grupo entendido de tecnologia — sejam mais propensos a fazer visitas on-line.

Mas muitos dos serviços prestados pelas bibliotecas americanas estão disponíveis apenas pessoalmente, e promover esses serviços custa dinheiro. Em artigo na The Atlantic, Robinson Meyer destacou que, “em outras palavras, existe evidência empírica de que a utilização atrai investimentos. Se as bibliotecas receberem mais financiamento público, mais pessoas vão frequentá-las”.

Faz sentido. Se as bibliotecas estão prestando serviços que os visitantes buscam — recursos de aprendizagem que possam ser lidos, vistos e experimentados —, então elevar o número de visitantes é uma questão de divulgar exatamente quais serviços estão disponíveis.

As bibliotecas evoluíram e hoje são muito mais do que lugares que abrigam livros, mas a proposta original permanece intacta e sagrada para os frequentadores (em um estudo de 2014, 55% dos entrevistados disseram que perder uma biblioteca seriam um golpe para a comunidade).

Para preservar o material de leitura e para promover novas formas de aprendizagem, os futuros visitantes precisam primeiro saber para que serve uma biblioteca.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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