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Diante da instabilidade brasileira, comunidade internacional adota postura cautelosa

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TEMER
Governo de Temer é visto com desconfiança por países vizinhos | REUTERS/Ueslei Marcelino
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Diante do cenário conturbado no Brasil, a maioria dos líderes políticos do mundo procurou se manter cautelosa diante do afastamento da presidente Dilma Rousseff e da posse de Michel Temer como presidente em exercício.

De acordo com a Folha de S.Paulo, o presidente dos EUA, Barack Obama, não deve telefonar para Temer para reconhecer o novo governo. Ainda segundo o jornal, até o final do processo de impeachment Temer será tratado como interino.

"O raciocínio é que uma ligação oficial legitimaria o governo Temer como definitivo, sendo que ainda há um processo correndo", afirma o texto, assinado por Marcelo Ninio, correspondente do jornal em Washington, e Patrícia Campos Mello, repórter especial da Folha.

No dia em que o Senado discutia o impeachment, o secretário de Imprensa da Casa Branca, Josh Earnest, afirmou que, embora estejam passando por “um momento difícil”, as instituições brasileiras “maduras, duráveis e democráticas” continuarão recebendo a confiança dos Estados Unidos. E esse discurso deve ser mantido.

América Latina

Cada país da América Latina reagiu de um modo, mas houve unanimidade entre as nações em expressar preocupação com a estabilidade brasileira e em afirmar que uma crise aqui dentro tem impacto direto em todos os nossos vizinhos no continente.

Vizinha e parceira comercial do Brasil, a Argentina foi palco de manifestações contra o processo de impeachment na última semana. O governo, no entanto, emitiu apenas um breve comunicado para dizer que “respeita o processo institucional” no Brasil e que “continuará dialogando com as autoridades constituídas, para seguir avançando no processo de integração bilateral e regional”.

O presidente Maurício Macri tem evitado fazer qualquer comentário sobre a política interna brasileira. Nesta quinta-feira (12), Temer foi vítima de um trote de uma rádio argentina, que ligou para o presidente em exercício fingindo ser o mandatário argentino.

Já o secretário de Estado do Chile se manifestou em nome do governo, expressando "preocupação" com a situação brasileira.

"A situação nos preocupa porque, dada a importância desse país e a amizade que temos, nos chama a atenção o que aconteceu", afirmou Heraldo Muñoz, adotando uma postura diplomática. "A amizade do Chile com o governo e com o povo do Brasil, em qualquer circunstância vai continuar."

Outra grande economia da América Latina, o México disse considerar que as instituições brasileiras são "suficientemente sólidas" para resolver a crise política que culminou com o afastamento temporário de Dilma, sem entrar em detalhes.

Nas últimas décadas, por meio de uma série de acordos de cooperação, o comércio entre o Brasil e o México cresceu 475%, segundo informações do Jornada En Línea.

Presidente da Colômbia, Juan Emanuel Santos manifestou preocupação com a instabilidade brasileira, afirmando que qualquer coisa que aconteça no Brasil "afeta de forma importante todo o resto da América Latina".

Em um comunicado, Santos também pediu que a institucionalidade democrática brasileira seja respeitada. "Nos dói muito o que está acontecendo no Brasil", disse.

A chancelaria do Equador pediu pela "vigência da ordem constitucional no Brasil" e disse que a crise brasileira pode trazer profundas consequências para a região. Em comunicado, o governo equatoriano saiu em defesa de Dilma, descrita como "legítima depositária do mandato popular expressado nas últimas eleições democráticas" e destacou ainda que não há nenhuma acusação de delitos contra a mandatária.

Presidente da Venezuela e herdeiro político de Hugo Chávez, Nicolás Maduro chamou o afastamento de Dilma de "golpe de estado" contra a democracia e acusou os Estados Unidos de estarem envolvidos na crise brasileira.

"Os Estados Unidos querem impedir que a América Latina continue os governos progressistas e revolucionários eleitos democraticamente para o bem-estar e os direitos fundamentais do povo", disse o mandatário.

Maduro convocou o embaixador venezuelano no Brasil de volta à Venezuela. Não ficou claro, porém, se a ação é definitiva. "Pedi ao nosso embaixador no Brasil, Alberto Castelar, que voltasse. Avaliamos que esta dolorosa página da história do Brasil foi uma jogada totalmente injusta contra a primeira mulher eleita presidente do Brasil", disse Maduro.

O presidente da Bolívia, Evo Morales, se manifestou sobre o afastamento de Dilma, que classificou como um "golpe congressista e jurídico" no Twitter.

"Irmã presidenta Dilma, sentimos a mesma indignação que você e seu povo diante do golpe congressista e jurídico. Os povos humildes condenam o atentado contra a democracia do Brasil e da região."

A resposta do Itamaraty

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores rechaçou algumas das posições da comunidade latinoamericana:

"O Ministério das Relações Exteriores rejeita enfaticamente as manifestações dos governos da Venezuela, Cuba, Bolívia, Equador e Nicarágua, assim como da Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América/Tratado de Comércio dos Povos (ALBA/TCP), que se permitem opinar e propagar falsidades sobre o processo político interno no Brasil. Esse processo se desenvolve em quadro de absoluto respeito às instituições democráticas e à Constituição Federal."

O Itamaraty, liderado pelo ministro José Serra, também criticou as declarações da Unasul:

"O Ministério das Relações Exteriores repudia declarações do Secretário-Geral da UNASUL, Ernesto Samper, sobre a conjuntura política no Brasil, que qualificam de maneira equivocada o funcionamento das instituições democráticas do Estado brasileiro. Os argumentos apresentados, além de errôneos, deixam transparecer juízos de valor infundados e preconceitos contra o Estado brasileiro e seus poderes constituídos e fazem interpretações falsas sobre a Constituição e as leis brasileiras."

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