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Moro diz que poder público não é único vilão: 'Corrupção envolve quem paga e quem recebe'

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Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil
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O juiz federal Sérgio Moro, da Operação Lava Jato, recomendou durante palestra nesta semana que o país trate das questões "contra o ódio". O magistrado sugeriu calma ante "ânimos inflamados".

Moro disse que considera fundamental que "num momento político tumultuado as pessoas pensem de forma apartidária e com tolerância", em sua participação no Simpósio Comemorativo dos 50 anos do Direito da Universidade Estadual de Maringá (UEM), no Paraná.

Ex-aluno da UEM, Moro afirmou ainda que o País não deve desprezar o combate aos malfeitos. "Devemos continuar sendo intolerantes em relação a esses esquemas de corrupção sistêmica."

O juiz sugeriu à plateia que proceda com "racionalidade e sem rancor no coração". Pregou que todos devem evitar "ódio a quem cair na tentação de cometer esse tipo de crime (corrupção)".

Ao abordar o que chamou de "quadro de corrupção sistêmica", Moro disse que o poder público "não é o único vilão". "A corrupção envolve quem paga e quem recebe", afirmou. "Você quer mudar o País, quer superar a corrupção sistêmica? Não pague propina."

As declarações de Moro foram feitas antes de o Senado votar pela admissibilidade do impeachment da presidente Dilma Rousseff, afastada do cargo nesta quinta (12).

Pelos próximos 180 dias, o comando do Executivo fica sob responsabilidade de Michel Temer. No mesmo dia em que tomou posse como presidente em exercício, Temer nomeou os ministros de sua gestão: todos homens, e vários deles acusados de corrupção.

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