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Sem voz... Aos 85 anos, morre Cauby Peixoto, o Sinatra brasileiro

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cauby peixoto

O cantor Cauby Peixoto morreu na noite deste domingo, aos 85 anos. Cauby Peixoto era remanescente de uma era de ouro da canção brasileira. Era muito imitado, mas incomparável.

Em meados dos anos 50, Cauby Peixoto já era o cantor mais famoso do rádio brasileiro, ocupando o trono que pertencera a Orlando Silva - mas com um domínio moderno das novas táticas do show biz, utilizando truques de massificação da popularidade, como um grupo de fãs escoladas e bem treinadas na linha de frente dos seus shows para gritar, esgoelar-se e causar sensação. Cauby lançava mão de um ardil usado pelo seu maior ídolo de então, Frank Sinatra, que colocava as famosas bobby-soxers para agitar sua mitologia no início de carreira, nos anos 40.

Sua influência e sua lenda ficam como um carimbo de intensidade nas noites de São Paulo e Rio, onde reinou com mais frequência.

"Adoro quando as fãs rasgam minha roupa, sinto-me o próprio Cauby Peixoto", afirmou o cantor Cazuza, em uma antiga entrevista. "As mulheres estavam alucinadas. Eu mesma fui espirrada para fora da rádio. Ele estava lindo", lembrou Elis Regina sobre a primeira vez que o viu..

Tinha saúde frágil, condição que foi se agravando nos últimos tempos: em 1997, já tinha sido internado com dores fortes, atribuídas a uma hérnia de disco; em 2000, ganhou 6 pontes de safena e, em um mês, estava cantando de novo.

Família de artistas

Caubi Peixoto Barros nasceu em Niterói (RJ), em 10 de fevereiro de 1931, em uma família de músicos de qualidade: filho do violonista Cadete, sobrinho do famoso Nonô (Romualdo Peixoto), grande pianista que popularizou o samba no instrumento, além de ser primo do notável cantor e compositor Ciro Monteiro. Seus irmãos também se destacaram na área artística: Moacyr Peixoto como pianista, Arakén Peixoto como trompetista e Andyara como cantora.

Sua carreira teve início em programas de calouros. Era tão prodigioso que acabou se tornando o primeiro cantor brasileiro a gravar rock, a faixa Rock’n’Roll em Copacabana, em 1957. Na mesma década, logo após gravar seu primeiro disco, trocou o Rio por São Paulo para ser o crooner das boates Oásis e Arpége.

Nos anos 50, Cauby logo se destacaria pela voz poderosa que dava brilho a standards da música americana. A identificação de Cauby com Sinatra, Bing Crosby e outros intérpretes do "american songbook", o repertório dos standards americanos, o levaria a tentar a sorte nos EUA a partir de 1955.

Lá, com o pseudônimo de Ron Coby, se apresentou em nightclubs e chegou a gravar com o maestro Percy Faith. Participou do filme Jamboree, nos EUA, cantando Toreador. Insistiu na conquista da América naquela década, chegando a fazer temporadas de mais de um ano, e chegou a ser chamado pela imprensa de "Elvis Presley brasileiro", mas o sonho de uma carreira internacional não se concretizou.

Em compensação, no Brasil, emplacava sucesso após sucesso, participava de filmes, cantava na noite, nos principais programas de rádio e televisão, aderia (à sua maneira) aos estilos que iam surgindo e formava a extraordinária bagagem que o transformou, com quase 70 anos de carreira, em um dos artistas de maior longevidade na música popular.

Sempre teve admirável versatilidade: fez duetos com Chico Buarque, Dona Ivone Lara, Luiz Carlos da Vila, Martinho da Vila, Nelson Sargento, Paulinho da Viola, Zeca Pagodinho e Carlinhos Brown.

Sobreviveu à bossa nova, à Jovem Guarda e outros gêneros que vieram, e até se adaptou a eles, mas sempre mantendo-se como um monolito artístico, um santuário musical. Em 2009, gravou um disco só com sucessos de Roberto Carlos, de quem foi grande amigo - havia então 16 anos que Roberto não autorizava um artista a gravar um disco só com músicas suas.

Bar Brahma
Na última década, seus fãs acostumaram-se a encontrá-lo em locais mitológicos da noite, como o Bar Brahma, em São Paulo. De vez em quando, surgia para abrilhantar uma festa de cidadãos de bom gosto.

Fosse rico ou humilde, sofisticado ou inculto, o público dele sempre exigia ao menos três sucessos em seus shows: Conceição, Bastidores (um presente de Chico Buarque) e New York, New York. Ele nunca se fazia de rogado.

"Às vezes, encerro o show, deixo Conceição e Bastidores, a minha preferida, para o fim, mas a plateia exige minha volta para cantar New York, New York. Não tem jeito."

Com informações Estadão Conteúdo

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