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Delcídio diz que 'PT não inventou a corrupção', mas que Lula e Dilma sabiam de esquemas na Petrobras

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O senador cassado Delcídio Amaral (sem partido-MS) disse que o Partido dos Trabalhadores "não inventou a corrupção na Petrobras", mas que sob o comando do partido houve uma "sistematização" da atuação partidária para operar desvios na Petrobras e em outras estatais.

"Realmente, esse processo foi num crescendo. Qual a diferença (em relação a governos anteriores)? Começou a haver uma espécie de atuação sistêmica nas diretorias e atuação partidária muito mais ampla, concatenada, com participação das principais lideranças partidárias que compunham a base do governo Lula e Dilma. Deu no que deu", afirmou o senador cassado no programa Roda Viva, da TV Cultura.

Presidente do Conselho da Petrobras à época da aquisição de Pasadena, Dilma alegou ter recebido um parecer falho da diretoria Internacional para chancelar o negócio. Segundo o Tribunal de Contas da União (TCU), a compra da refinaria rendeu um prejuízo de quase US$ 800 milhões à Petrobras.

"Nas estatais, especialmente na Petrobras, não há a possibilidade de você levar um processo (parecer) incompleto pra diretoria, pro conselho de administração", afirmou Delcídio ao citar todas as instâncias internas da companhia pelas quais passam esse tipo de documento.

Questionado se corroborava a afirmação de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente afastada Dilma Rousseff sabiam do esquema de corrupção, Delcídio repetiu que sim.

Para o ex-senador, a argumentação de que Lula não sabia dos desvios ou que Dilma recebeu um parecer "falho" para decidir sobre o investimento na refinaria de Pasadena é assumir que as pessoas são "idiotas".

dilma lula

O senador cassado admitiu que errou ao ter, segundo sua versão, aceito a pressão do ex-presidente Lula e da presidente afastada para tentar obstruir a Justiça ao tentar interferir nas investigações da Lava Jato.

Delcídio foi preso depois de ser flagrado em áudio tentando ajudar o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró a fugir do País.

"Acabei cometendo esse deslize e fui efetivamente denunciado por obstrução da Justiça. Quero destacar, é uma falha grave pela qual me desculpei, não deveria ter feito isso".

"Tenha paciência, é achar que todo mundo é ignorante, idiota. A Petrobras sempre foi do presidente."

Sobre Lula, Delcídio repetiu que o petista pediu que ele solucionasse o "problema" com Nestor Cerveró - que estava preso e com suspeita que fecharia acordo de delação.

"Ele (Lula) me disse: precisamos resolver essa questão."

'Não boto a mão no fogo por Temer'

O senador cassado afirmou não poder "botar a mão no fogo" pela inocência do presidente em exercício Michel Temer (PMDB) sobre suposta conivência com o esquema de corrupção na Petrobras.

"Não posso botar a mão no fogo, até porque não conheço bem as relações dele".

Questionado sobre a indicação de Jorge Zelada para diretoria Internacional da Petrobras, atribuída em delações premiadas da Lava Jato a Temer, Delcídio pontuou, contudo, que não sabe se o peemedebista tinha ciência dos desvios de Zelada no cargo.

"Quando você indica alguém pro governo, não quer dizer que indicou alguém pra roubar. Às vezes, você indica alguém que tropeça, lamentavelmente isso acontece nos governos", ponderou.

"Prefiro acreditar que ele (Temer) tenha endossado a indicação da bancada (do PMDB), mas vejo com muitas preocupações o que vem por aí."

Aécio e PMDB
aecio neves
Apesar de confirmar a informação de que o senador Aécio Neves (MG), presidente do PSDB, teria envolvimento nos desvios de Furnas, Delcídio evitou frisar a suposta culpa do tucano. Disse apenas que, com a evolução da Lava Jato, a questão vai se esclarecer, pois Furnas é a "joia da Coroa" - tem atuação no setor energético do Sudeste, a região mais valorizada do País - e há muita informação nas investigações sobre desvios envolvendo ela.

"Não está tão difícil rastrear de onde vem, pra onde vai e quem recebe. As evidências e o histórico de Furnas são inapeláveis."

A respeito do PMDB, Delcídio disse que o partido teve uma "posição proeminente" nos desvios em estatais.

"Isso vai aparecer nitidamente", disse ao citar o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) - a quem chamou de "cangaceiro", o senador licenciado e agora ministro do Planejamento, Romero Jucá (PMDB-RR) e o senador Edison Lobão (PMDB-MA).

Com informações Estadão Conteúdo

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