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'Pânico na Band' extrapola os limites do bom senso e faz pegadinha envolvendo simulação de suicídio

Publicado: Atualizado:
PNICO
Fotomontagem/Reprodução/YouTube
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Em uma ação irresponsável e bem longe do bom humor, o programa Pânico na Band apresentou no último domingo (15) uma pegadinha envolvendo um falso suicídio.

Isso mesmo, o humorístico resolveu fazer piada com um tema delicado, sensível e ainda tabu em nossa sociedade. A vítima do quadro Trollagens do Pânico foi a integrante Babi Muniz.

Um ator contratado pelo programa se fez passar por segurança da jovem no dia de seu primeiro show. Ao longo da noite, ele simulou brigas com a namorada ao telefone até descobrir uma traição.

A partir de então, passou a anunciar seu suicídio. Obviamente, a jovem entrou em desespero e tentou convencê-lo do contrário.

A brincadeira de mau gosto não só promoveu o mal-estar da vítima como expôs o sofrimento dela ao público. Mas não parou por aí. Ultrapassando qualquer limite do bom senso, o ator foi instruído a consumar a ideia do suicídio, disparando um tiro de mentira na própria cabeça. E assim o fez.

As cenas fortes chocaram Babi e os espectadores. No Twitter, o programa foi, com razão, criticado:


Suicídio não é piada

Não é de hoje que o Pânico na Band deixa piadas que fazem o público rir de lado, apelando para situações que constrangem tanto a sua equipe quantos os espectadores em casa. No entanto, parece que o humorístico não se importa com quem está do outro lado da tela.

O Brasil é o oitavo país com mais suicídios no mundo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 32 pessoas por dia tiram a própria vida.

Dados do Mapa da Violência – Os Jovens do Brasil mostram que a taxa de suicídio de jovens aumentou 42% entre 2002 e 2012.

Essa estatística também aumentou entre as jovens mulheres: entre 2010 e 2014, o número de suicídios de quem tem de 15 a 34 anos cresceu de 20% para 25%.

Infelizmente, o suicídio é ainda um tema cercado de tabus.

Faltam discussões sérias sobre as motivações desse ato e a divulgação de canais de ajuda, inclusive às famílias de quem se suicida. Tais informações dariam à sociedade a possibilidade de reverter os números que você viu acima e de lidar com o assunto com a delicadeza e compreensão que ele merece.

E infelizmente também sobram ações irresponsáveis, como essa do Pânico na Band, que além de prestar um desserviço para a compreensão do assunto, distorce a imagem do sofrimento alheio.

Caso precise de ajuda, o CVV presta auxílio gratuito pelo telefone 141 (24 horas), pessoalmente (nos 72 postos de atendimento) ou pelo site www.cvv.org.br, via chat, VoIP (Skype) e e-mail.

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