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Conheça o ministro de Temer que votou contra o impeachment de Dilma

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LEONARDO PICCIANI
Roberto Castro / Ministério da Educação
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Ora aliado do Palácio do Planalto ora dos articuladores do impeachment, o deputado Leonardo Picciani (PMDB-RJ) conquistou na gestão de Michel Temer um dos principais ministérios. A três meses das Olimpíadas, ficou com a pasta do Esporte.

Aos 35 anos, o então líder do PMDB na Câmara faz parte do grupo de titulares da nova formação da Esplanada herdeiros de políticos de peso. Seu pai, Jorge Picciani é presidente da Assembleia Legislativa do Rio, pecuarista e nome influente dentre do partido.

Diferente de outros integrantes do primeiro escalão, que lutaram pelo afastamento de Dilma Rousseff, Picciani votou a favor da petista tanto na comissão especial quanto no plenário. Para ele, não há contradição.

“Meu voto no impeachment foi calcado no meu entendimento jurídico na comissão. No entanto, fui voto vencido. A matéria avançou e eu pertenço ao PMDB, filiado desde os meus 16 anos. No momento em que o PMDB tem essa tarefa com o país, tenho de me somar aos meus companheiros do partido, de modo que o sucesso do governo do presidente Temer possa ser o sucesso do país, disse logo após a posse.

leonardo picciani

Alvo de críticas de esportistas, o vínculo mais próximo do novo ministro com a área vem da empresa de sua família, a Agrobilara. Sócia da companhia, a mineradora Tamoio é fornecedora de brita para ao menos duas obras dos Jogos: o Parque Olímpico da Barra e o corredor de ônibus Transolímpica, de acordo com a Folha de São Paulo. A assessoria do peemedebista nega conflito de interesses.

A nomeação foi reprovada pela ONG Atletas pelo Brasil, que reúne esportistas consagrados como Raí, Cafu e Gustavo Borges.

“A Atletas pelo Brasil manifesta-se, mais uma vez, contra essa prática que não considera a experiência e competência do gestor no tema, mas a conveniência partidária. Não é somente a corrupção que corrói nosso país.”

Lá e cá

Eleito líder do PMDB em fevereiro de 2014 graças à influência do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), Picciani oscilou entre a órbita da dupla Cunha e Temer e de Dilma até o afastamento da petista.

eduardo cunha leonardo picciani

O momento de maior aproximação com o Planalto foi durante a reforma ministerial oficializada em outubro. Picciani conseguiu emplacar dois nomes da bancada peemedebista na Câmara: Celso Pansera para Ciência e Tecnologia e Marcelo Castro para Saúde, um dos maiores orçamentos da Esplanada.

As conversas com o núcleo-duro de Dilma se tornaram cada vez mais frequentes. E após reclamar com a petista que as demandas dos deputados por cargos na máquina federal não eram atendidas, Dilma encarregou o assessor especial Giles Azevedo da função, deixando de lado Temer, até então articulador político.

Liderança

A relação estreita incomodou peemedebistas pró-impeachment. O auge do desgaste da relação foi uma lista assinada por 36 deputados que o destituiu da liderança da legenda na Câmara e colocou o mineiro Leonardo Quintão em seu lugar.

Após Hugo Motta (PMDB-PB) ser lançado como candidato de Cunha, Quintão passou a apoiar o Picciani e ficou como vice-líder na chapa. Com a saída do deputado da Câmara, a bancada discute agora quem ficará na liderança. O concorrente do mineiro é Baleia Rossi (SP).

As idas e vindas do novo titular de Esportes não se limitam a Dima e Cunha. Durante a campanha de 2014, Leonardo e Jorge Picciani articularam o “Aezão”, voto em Aécio Neves para o Planalto e em Pezão para governador do Rio.

Histórico

Formado em direito pela Universidade Candido Mendes (UCAM), Picciani chegou ao primeiro mandato de deputado federal aos 22 anos, em 2002. No segundo mandato, aos 27 anos, foi eleito presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) em 2007.

Conseguiu também relatorias de destaque, como, o Marco Regulatório das Agências Reguladoras e a limitação do uso das Medidas Provisórias pelo Governo Federal. Em 2014, foi o quinto deputado federal mais votado do Rio, com 180. 741 votos.

Tanto Leonardo quanto Picciani são alvos de representação no Tribunal Regional Eleitoral do Rio por captação e gastos ilícitos na campanha de 2014, de acordo com o portal Excelências.

O processo, sob segredo de justiça, envolve a gráfica High Level Signs, que continha material não declarado de campanha do parlamentar e dos deputados federais Marco Antonio Cabral (PMDB), Pedro Paulo (PMDB) e Otávio Leite (PSDB).

Dos R$ 7,2 milhões declarados como patrimônio na campanha de 2014 de R$ 6,6 milhões são de quotas da empresa Agrobilara, cujo capital social é de R$ 40 milhões. A carreira da família no agronegócio começou em 1984, quando Jorge adquiriu a primeira fazenda, em Rio das Flores, no Sul Fluminense.

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